
Call de Mercado – Complexo Soja e Óleos Vegetais - Destaques
“Resumo com os principais pontos destacados em nossa Call de julho sobre os mercados do Complexo Soja e Óleo Vegetais”.
Atualização de Cenários para o Complexo Soja e Óleos Vegetais
Visão Geral Macro
O pano de fundo global segue dominado por incertezas políticas e comerciais. O anúncio recente de uma segunda onda de tarifas por Donald Trump, incluindo o Brasil entre os países afetados, impôs volatilidade adicional ao mercado, com possível entrada em vigor a partir de 1º de agosto. A principal preocupação recai sobre o impacto inflacionário nos EUA, que pode forçar o Fed a manter juros elevados, prejudicando a expectativa de corte em setembro.
No mercado cambial, observa-se uma desvalorização do dólar frente a outras moedas. Esse movimento tem impacto direto sobre o Brasil, onde o real segue valorizado, desafiando a competitividade da soja brasileira nos mercados internacionais.
O contexto climático global, sob um padrão ENSO neutro, contribui para estabilidade climática no hemisfério norte, favorecendo o desenvolvimento das lavouras nos EUA e reduzindo a volatilidade típica do mercado climático nesta época do ano.
Novas tarifas entrarão em vigor em 1º de agosto

Fonte: LSEG, Hedgepoint
Complexo Soja
China
A China mantém estoques superiores a 40 milhões de toneladas pela terceira safra consecutiva, reforçando sua estratégia de segurança alimentar. Essa posição reduz o senso de urgência nas compras, o que, somado a margens de esmagamento pouco atrativas, deve limitar a demanda no curto prazo. Os estoques finais estão estimados em 43,5 milhões de toneladas para 2024/25, o que representa uma relação estoque/uso de 34%. Para 2025/26, a projeção é de estoques de 43,4 milhões de toneladas, com estoque/uso de 33%.
As importações para 2024/25 foram revisadas para baixo, de 108 para 106,5 milhões de toneladas, refletindo um menor apetite diante da recomposição de estoques e margens de esmagamento mais fracas. Ainda assim, o USDA projeta alta para 112 milhões de toneladas em 2025/26, embora essa projeção dependa de uma melhora das margens de esmagamento e da demanda interna.
O esmagamento chinês segue em expansão, estimado em 103 milhões de toneladas para 2024/25 e 108 milhões de toneladas para 2025/26, mas com rentabilidade limitada.
Soja - China - Estoques e Estoque/Uso (M Ton, %)

Fonte: USDA, Hedgepoint
Soja - China - Oferta e Demanda

Fonte: USDA, Hedgepoint
Soja - China - Margem de esmagamento (CNY/mt)

Fonte: LSEG, Hedgepoint
Estados Unidos
A safra 2025/26 permanece no centro das discussões do mercado, com foco especial no clima favorável que sustenta a expectativa de produtividade recorde, mesmo com uma área reduzida. Segundo o USDA, 70% das lavouras estão em condições boas ou excelentes (contra 68% em 2024), sinalizando uma "safra cheia". Mas, lembramos que o mês de agosto é decisivo para o desenvolvimento da soja.
A proposta da EPA (Agência de Proteção Ambiental dos EUA) para ampliar em 67% a mistura obrigatória de biocombustíveis é um fator-chave. A soja, através do óleo, responde por aproximadamente 70% da produção de biodiesel e diesel renovável. Caso aprovada, a proposta pode gerar um aumento do esmagamento entre 2,5 e 5 milhões de toneladas, podendo derrubar os estoques finais norte-americanos para níveis entre 4 e 7 milhões de toneladas.
No caso do farelo, o aumento da oferta não deve ser acompanhado por crescimento na demanda. Os rebanhos estão estáveis e não conseguem absorver o possível volume adicional. Resultado: estoques projetados em níveis três vezes maiores, com natural viés baixista.
Já no óleo, uma demanda potencialmente crescente, estoques apertados e margens positivas tornam o cenário altista. Os fundos têm mantido posição comprada no óleo, diferente do grão e do farelo.
O Oil Share (participação do óleo na margem de esmagamento) está agora próximo de 50%, nível mais alto desde a temporada 2021/22, o que historicamente justificaria preços teoricamente acima de US$ 12 por bushel na soja em Chicago. No entanto, o mercado segue operando entre US$ 10,00 e US$ 10,50, indicando algum descolamento entre fundamentos e precificação.
Soja - EUA - Produção (M ton), Área Colhida (M ha) e Produtividade (ton/ha)

Fonte: USDA, Hedgepoint
Soja - EUA - Oferta e Demanda

Fonte: USDA, Hedgepoint
EUA - Participação do Óleo de Soja na Margem (%)

Fonte: LSEG, Hedgepoint
Brasil
A safra 2024/25 está praticamente consolidada em 170 milhões de toneladas, com exportações podendo chegar a um recorde de 109 milhões de toneladas devido à forte demanda chinesa. O esmagamento segue forte e ganha reforço com a entrada do B15 (mistura de biodiesel) a partir de agosto.
Para a safra 2025/26, a discussão já gira em torno de um novo patamar produtivo: entre 180 e 185 milhões de toneladas, caso clima e tecnologia avancem em conjunto.
O segundo semestre será marcado por uma disputa entre exportação e mercado interno. A margem de esmagamento vem caindo, embora esteja dentro da sazonalidade. A decisão entre comercializar soja ou milho também entra em pauta: o milho pode ser mais retido, favorecendo a oferta de soja.
Os prêmios (basis) elevados sustentam os preços no momento, compensando parcialmente Chicago e câmbio na formação das cotações.
Indústria de Processamento:
• Margens de esmagamento pressionadas, embora dentro da sazonalidade.
• Farelo: Incertezas em relação às exportações devido ao retorno da Argentina e possível aumento de oferta americana.
• Óleo: perspectiva mais positiva com o B15 e potencial aumento da demanda doméstica.
Soja - Brasil - Produção (M ton), Área colhida (M ha) e Produtividade (ton/ha)

Fonte: USDA, Hedgepoint
Soja - Brasil - Oferta e Demanda

Fonte: USDA, Hedgepoint
Brasil - Basis de Soja - Paranaguá, Brasil (USDc/bu)

Fonte: CME, Esalq, Hedgepoint
Argentina
A Argentina volta a ganhar relevância no mercado após a quebra da safra 2022/23. A produção de 2024/25, embora aquém do potencial, atingiu patamares consistentes (~50 milhões de toneladas), o que deve permitir exportações de até 8 milhões de toneladas de grão. Reformas do governo Milei e câmbio mais estável favorecem a competitividade argentina.
Para 2025/26, projeta-se migração de áreas de soja para o milho devido a melhor rentabilidade do cereal, o que deve reforçar o foco argentino no esmagamento e na exportação de farelo e óleo, pressionando concorrentes como Brasil e EUA. O parque industrial de processamento segue robusto e voltado à exportação de subprodutos.
Soja - Argentina - Oferta e Demanda

Fonte: USDA, Hedgepoint
Óleo de Palma
Indonésia e Malásia
A temporada 2025/26 aponta para crescimento de produção e exportação nos dois principais produtores globais, Indonésia e Malásia. A grande novidade está na Índia, maior importador mundial de óleo de palma, que reduziu impostos de importação e que deve elevar suas compras de 7,8 para 8,7 milhões de toneladas em 2025/26.
O spread entre os preços de óleo de palma e óleo de soja tende a diminuir, com espaço para valorização dos preços do subproduto da palma. A demanda global por óleos vegetais deve crescer, com destaque para a recuperação da Índia como vetor de consumo.
Óleo de Palma - Mundo - Oferta e Demanda

Fonte: USDA, Hedgepoint
Comparação Óleo de Palma vs Óleo de Soja - em USD

Fonte: LSEG, Hedgepoint
Touros e Ursos
Fatores Altistas
• Proposta da EPA com impacto direto sobre o óleo de soja e esmagamento.
• Oil Share em níveis elevados e incentivo ao esmagamento nos EUA.
• Estoques apertados de soja e óleo nos EUA.
• Sustentação dos prêmios brasileiros no 2º semestre.
• Redução de impostos sobre óleos vegetais na Índia e provável aumento das importações indianas de óleo de palma.
Fatores Baixistas
• Clima favorável nos EUA e expectativa de safra cheia.
• Estoques de soja elevados na China.
• Concorrência crescente entre Argentina, EUA e Brasil no mercado de farelo.
• Ausência de acordo definitivo entre China e EUA.
• Oferta abundante de soja na América do Sul e grande potencial produtivo do Brasil em 2025/26.
Considerações finais
O Complexo Soja entra no segundo semestre de 2025 com forças opostas atuando simultaneamente. Enquanto o óleo de soja apresenta fundamentos positivos, especialmente nos EUA, o farelo carrega pressões estruturais de excesso de oferta. A soja está no meio do campo de batalha, influenciado por clima, prêmios e as incertezas comerciais entre China e EUA.
Monitorar os desdobramentos da EPA, a situação climática nos EUA e a estratégia de compras da China será determinante para o reposicionamento das estratégias comerciais e de hedge ao longo dos próximos meses.
Link – Call de Julho
Para assistir a íntegra da Call de julho sobre os mercados do Complexo Soja e Óleos Vegetais, clique neste link.
Inteligência de Mercado – Grãos e Oleaginosas
Escrito por Luiz F. Roque
Luiz.Roque@hedgepointglobal.com
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