Feb 3 / Luiz Fernando G. Roque

Soja e milho: exportações brasileiras avançam em 2025

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Soja e milho: exportações brasileiras avançam em 2025


O ano de 2025 foi marcado novamente por exportações brasileiras de soja e milho bastante robustas, com destaque para um novo recorde atingido pela oleaginosa. O redesenho do fluxo comercial internacional em meio à guerra de tarifas imposta pelo governo de Donald Trump ao longo do ano trouxe um ambiente desafiador, mas ao mesmo tempo abriu espaço para a consolidação do Brasil como grande fornecedor mundial de commodities importantes.

No caso da soja, a participação brasileira voltou a crescer no mercado internacional, elevando ainda mais sua fatia como maior país exportador do mundo. A colheita de uma nova safra recorde na temporada 2024/25 permitiu o aumento da oferta brasileira para exportação, ampliando os volumes destinados para grandes consumidores, com destaque para a China.

A guerra comercial “2.0” iniciada pelo governo norte-americano a partir de abril de 2025 ampliou os alvos dos Estados Unidos em relação à primeira guerra comercial (em 2018/2019), mas manteve como foco principal a China. O país asiático novamente sofreu a imposição de tarifas elevadas sobre grande parte de seus produtos ao longo do ano, e reagiu também impondo tarifas elevadas sobre diversos produtos norte-americanos. Durante meses, o comércio entre os dois países ficou praticamente inviabilizado devido às tarifas. E a soja, novamente, esteve no meio dessa disputa. Com tarifas que superaram 100% em determinado momento, as compras chinesas de soja norte-americana pararam de acontecer durante vários meses, com a demanda sendo deslocada para os portos sul-americanos, especialmente brasileiros. Tal deslocamento trouxe uma demanda adicional pela soja brasileira, ajudando a impulsionar ainda mais as exportações.

As exportações brasileiras de soja encerram 2025 em 108,2 milhões de toneladas, com aumento de 9% em relação a 2024 (98,8 milhões de toneladas) e 6% em relação ao recorde anterior (101,9 milhões de toneladas), de 2023.


Soja Brasil – Exportação Acumulada (M ton)

                                                                                                                   Fonte: MDIC, Hedgepoint


Soja Brasil – Exportação Mensal (M ton)

                                                                                                                   Fonte: MDIC, Hedgepoint



A China foi responsável por 79% da soja exportada pelo Brasil em 2025, com 85,43 milhões de toneladas. Esse volume é 17,7% superior ao comprado pela China em 2024 (72,56 milhões de toneladas) e 14,7% superior ao recorde anterior (74,47 milhões de toneladas), atingido em 2023. Para se ter uma ideia da relevância da China nas compras de soja brasileira, o segundo país que mais comprou soja do Brasil em 2025 foi a Espanha, com “meros” 4 milhões de toneladas, o equivalente a aproximadamente 3,7% da exportação total de soja.


Soja Brasil – Exportação por Destino (mil ton)

                                                                                                                                                                                    Fonte: MDIC, Hedgepoint



Quando olhamos para os corredores de exportação, o porto de Santos/SP novamente foi o que mais movimentou soja em 2025, com 34,57 milhões de toneladas exportadas (24% acima do ano passado).

Em segundo lugar, destaca-se o porto de São Luís/MA, com 15,85 milhões de toneladas exportadas em 2025 (14% a mais que no ano passado). Nota-se o forte crescimento das exportações pelos portos do chamado “Arco Norte” nos últimos anos, com o porto de São Luís superando o tradicional porto de Paranaguá/PR pelo segundo ano consecutivo como o segundo maior porto de exportação de soja do país.

Além disso, o porto de Belém/PA apareceu logo atrás de Paranaguá em 2025, ocupando a quarta posição e superando o também tradicional porto de Rio Grande/RS. Tal fato mostra a importância crescente dos portos das regiões Nordeste e Norte no escoamento da produção brasileira de soja para o mercado internacional.


Soja Brasil – Exportação por Porto (mil ton)

                                                                                                                                                                                    Fonte: MDIC, Hedgepoint



No caso do milho, as exportações voltaram a registrar avanço em 2025 após uma queda importante no ano anterior, mesmo com uma forte competição com os produtos da Argentina e dos EUA.

Assim como na soja, a produção recorde de milho colhida na temporada 2024/25 permitiu o avanço da oferta brasileira para o mercado internacional, em contraste com a redução da oferta registrada na temporada anterior devido às perdas produtivas.

As exportações brasileiras de milho atingiram 40,98 milhões de toneladas em 2025, com avanço de 3% em relação ao ano anterior (39,78 milhões de toneladas). Apesar do crescimento registrado frente ao ano anterior, o volume exportado em 2025 ainda fica bem abaixo do recorde registrado em 2023, quando o Brasil exportou 55,89 milhões de toneladas de milho.


Milho Brasil – Exportação Acumulada (M ton)

                                                                                                                   Fonte: MDIC, Hedgepoint

Milho Brasil – Exportação Mensal (M ton)

                                                                                                                   Fonte: MDIC, Hedgepoint



Em relação aos destinos, o Irã voltou a destacar como o principal comprador do milho brasileiro em 2025, após ter perdido o posto para o Egito no ano anterior. Além disso, chama a atenção o forte avanço das compras iranianas de milho brasileiro, que saltaram de 4,34 milhões de toneladas em 2024 para 9,08 milhões de toneladas em 2025 (crescimento de 109%). Ocupando a segunda posição, o Egito também teve um crescimento importante nas compras de milho brasileiro, comprando 7,65 milhões de toneladas em 2025, com avanço de 40% em relação ao ano anterior (5,46 milhões de toneladas).

Já a China ocupou apenas a quinta posição na lista de maiores compradores de milho brasileiro em 2025, contrastando com a primeira posição ocupada em 2023, quando o recorde de exportações de milho foi atingido no Brasil. A queda na demanda chinesa por importações de milho em 2025 deriva da soma de uma produção recorde com estoques de passagem elevados, o que permitiu ao país asiático um uso maior de sua oferta local e menor necessidade de compras externas.


Soja Brasil – Exportação por Destino (mil ton)

                                                                                                                                                                                    Fonte: MDIC, Hedgepoint



Quando olhamos para o quadro de portos, nota-se também a importância crescente dos portos do Arco Norte para as exportações de milho, assim como é visto na soja.

O porto de Santos/SP novamente liderou as exportações de milho em 2025, com 14,69 milhões de toneladas exportadas. Mas, o volume ficou abaixo do exportado em 2024, com queda de 12% frente ao ano anterior (16,70 milhões de toneladas em 2024).

Ocupando a segunda colocação, o porto de Belém/PA exportou 6,76 milhões de toneladas em 2025, com queda de 14% em relação ao ano anterior (7,86 milhões de toneladas). Embora o volume também tenha recuado, o porto da região Norte manteve o seu posto de segundo maior porto exportador de milho do país.

Já na terceira posição, destaca-se o crescimento das exportações via porto de Paranaguá/PR, que recuperou a posição perdida no ano anterior. O porto paranaense foi responsável pela exportação de 5,03 milhões de toneladas em 2025, com avanço de 304% frente ao ano anterior (1,25 milhão de toneladas).


Milho Brasil – Exportação por Porto (mil ton)

                                                                                                                                                                                    Fonte: MDIC, Hedgepoint


O que esperar de 2026

Para 2026, caso as produções brasileiras de soja e milho atinjam os seus potenciais, a tendência é vermos novos aumento nas exportações, embora o caminho para o crescimento talvez seja um pouco mais sinuoso.

No caso da soja, a expansão das exportações vai depender diretamente do apetite chinês, visto a relevância do país asiático na demanda pela soja brasileira. Nesse sentido, é importante acompanharmos de perto a relação entre EUA e China, especialmente no que tange ao acordo comercial entre os países. Uma maior demanda pela soja norte-americana pode resultar em perda de parte da parcela excedente que o Brasil ganhou em 2025 devido à guerra comercial, o que merece atenção. De qualquer forma, entendemos ser possível as exportações brasileiras de soja chegarem a 112 milhões de toneladas em 2026.

Já no lado do milho, será importante acompanhar de perto a situação geopolítica no Oriente Médio, com destaque para o Irã. Possíveis sanções econômicas norte-americanas sobre países que tenham negócios com o Irã podem afetar as exportações brasileiras, visto a relevância do Irã como comprador do nosso milho. Além disso, possíveis mudanças no regime político iraniano também merecem atenção. Paralelamente, um possível aumento da demanda chinesa por importações pode favorecer o milho brasileiro, com o país asiático possivelmente aumentando suas compras na América do Sul.

De uma forma geral, é possível que as exportações brasileiras de milho se aproximem de 44 milhões de toneladas em 2026. Mas, existem desafios.


Inteligência de Mercado – Grãos e Oleaginosas

Escrito por Luiz F. Roque
Luiz.Roque@hedgepointglobal.com


Revisado por
Thaís Italiani

Thais.Italiani@hedgepointglobal.com

www.hedgepointglobal.com

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