Fundamentos voltam à tona: intenção de plantio nos EUA indica novas áreas de soja e milho
Fundamentos voltam à tona: intenção de plantio nos EUA indica novas áreas de soja e milho
O importante e muito aguardado relatório de “Intenção de Plantio” dos Estados Unidos, divulgado no dia 31 de março pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), voltou a chamar a atenção do mercado para os fundamentos, trazendo os primeiros números oficiais relacionados às áreas a serem plantadas na nova safra norte-americana 2026/27.
Embora o relatório tenha confirmado o sentimento do mercado indicando um aumento na área a ser plantada com soja e uma redução na área a ser plantada com milho na nova temporada, os números vieram um pouco diferentes em relação às expectativas.
Segundo o USDA, a área a ser plantada com soja em 2026/27 é estimada em 84,7 milhões de acres, com avanço de 3,5 milhões de acres em relação à temporada anterior (81,2 milhões de acres), ou +4,3%. O número ficou 1,0% abaixo da estimativa do mercado (ou 0,8 milhão de acres), que esperava por uma área de soja de 85,5 milhões de acres.
Soja | Área Plantada EUA (em milhões de acres)

Fonte: USDA, Hedgepoint
Soja | Área Plantada EUA | Estados | 2026/27 vs. 2025/26 (var. %)

Fonte: USDA, Hedgepoint
Já em relação ao milho, o USDA estima que os produtores norte-americanos irão semear uma área de 95,3 milhões de acres em 2026/27, com queda de 3,5 milhões de acres em relação à temporada passada (98,8 milhões de acres), ou -3,5%. Ao contrário da soja, o número ficou 1,0% acima da expectativa do mercado (ou 0,9 milhão de acres), que apontava para uma área de milho de 94,4 milhões de acres.
Milho | Área Plantada EUA (em milhões de acres)

Fonte: USDA, Hedgepoint
Milho | Área Plantada EUA | Estados | 2026/27 vs. 2025/26 (var. %)

Fonte: USDA, Hedgepoint
As expectativas do mercado, de aumento na área de soja e redução na área de milho, estão amparadas por uma melhora na relação entre os preços de soja e milho em favor da soja, movimento que ocorreu nos últimos meses. Entretanto, a grande volatilidade desencadeada pelo conflito entre EUA e Irã, desde o final de fevereiro, trouxe incertezas relacionadas aos custos de produção e aos preços das duas commodities, impactando a relação entre elas. Neste momento, a relação entre soja e milho voltou a ficar mais favorável ao milho, embora a alta nos preços internacionais de fertilizantes traga novas incertezas, vista a maior necessidade de uso de fertilizantes nitrogenados na cultura do cereal.
Soja vs. Milho | Relação Futuros CBOT

Fonte: LSEG, Hedgepoint
Diante desses fatores, destacamos haver uma grande probabilidade de termos diferenças relevantes entre as áreas estimadas no relatório de “Intenção de Plantio” (31 de março) e as áreas que serão indicadas no relatório de “Área Plantada”, que será divulgado no dia 30 de junho.
De qualquer forma, com os dados disponíveis atualmente, conseguimos desenhar novos quadros de oferta e demanda para a nova safra norte-americana, buscando antecipar as primeiras estimativas oficiais que serão divulgadas no relatório do USDA de oferta e demanda de maio (dia 12 de maio). Para isso, utilizamos os números provisórios indicados no Outlook Forum do USDA, projetando agora as produções sobre as áreas estimadas no relatório de “Intenção de Plantio”. Nesse cálculo, foram utilizados, também, os fatores relacionados às diferenças entre as áreas plantadas e as áreas colhidas, além das produtividades médias, indicados pelo USDA no Outlook Forum.
No caso da soja, a produção potencial é estimada em 120,7 milhões de toneladas, com avanço de 4% em relação à temporada 2025/26. Caso confirmada, tal produção seria a segunda maior da história dos EUA.
Mantendo os demais números de oferta e demanda inalterados em relação às estimativas do Outlook Forum, a produção menor deve levar a estoques finais também inferiores, estimados em 9,3 milhões de toneladas, com recuo de 2% em relação à temporada anterior. Mesmo assim, a relação de estoque/uso deve permanecer em torno de 8%.
Este nível de estoque/uso da soja de 8%, em nossa análise de correlação histórica, indicaria preços de equilíbrio em Chicago em torno de 10,80 - 11,00 USD/bu.
Soja | EUA | Oferta e Demanda (em M ton)

Fonte: USDA, Hedgepoint
Soja | EUA | Relação Estoque/Uso vs. Preço

Fonte: USDA, LSEG, Hedgepoint
Já no caso do milho, a produção potencial é estimada em 405,9 milhões de toneladas, com recuo de 6% em relação à temporada anterior. Caso confirmada, tal produção também seria a segunda maior da história dos EUA, atrás apenas da produção de 2025/26.
Mantendo os demais números de oferta e demanda inalterados (Forum), o resultado deve levar a estoques finais de 52,4 milhões de toneladas, com recuo de 3% em relação à temporada 2025/26. Mesmo com um provável recuo derivado principalmente de uma produção menor, os estoques deverão continuar em níveis bastante elevados (razão estoque/uso de 13%).
Este nível de estoque/uso do milho de 13%, em nossa análise de correlação histórica, indicaria preços de equilíbrio em Chicago em torno de 4,00 - 4,10 USD/bu.
Milho | EUA | Oferta e Demanda (em M ton)

Fonte: USDA, Hedgepoint
Milho | EUA | Relação Estoque/Uso vs. Preço

Fonte: USDA, LSEG, Hedgepoint
Com o plantio dessa nova safra norte-americana começando, as atenções agora se voltam para as condições climáticas que determinarão o ritmo do avanço dos trabalhos em campo e o desenvolvimento das lavouras ao longo dos próximos 150 dias.
Neste momento, os mapas climáticos apontam para chuvas normais ou um acima da média para o mês de abril sobre todo o cinturão produtor, o que deve favorecer o avanço dos trabalhos de plantio e germinação adequada das primeiras lavouras semeadas, embora eventuais excessos de umidade mereçam atenção.
Previsão de Anomalia de Precipitação EUA (%) - Abril

Fonte: NOAA
Quando olhamos para a cobertura de neve e comparamos com o mesmo período do ano passado, notamos haver maior cobertura nos estados da Dakota do Norte e de Minnesota, o que pode impedir um melhor avanço inicial das máquinas. Entretanto, não vemos grandes problemas potenciais, por ora.
EUA | Cobertura de Neve | 7 de abril de 2025 EUA | Cobertura de Neve | 7 de abril de 2026


Fonte: NOAA Fonte: NOAA
Olhando um pouco mais adiante, o mapa de previsão de anomalia de precipitação aponta para chuvas “normais” no período entre abril e junho sobre a maior parte do cinturão produtor norte-americano, também indicando um bom ambiente para o desenvolvimento das lavouras. Entretanto, alguns estados da metade oeste do cinturão produtor podem ter chuvas abaixo da média no período, o que precisa ser monitorado.
Previsão de Anomalia de Precipitação EUA (%) – Abril, Maio e Junho

Fonte: NOAA
Quando olhamos para o chamado “Monitor de Seca”, notamos que alguns estados do Sul e do Oeste do cinturão produtor estão registrando baixa umidade nos solos neste momento, o que também é um fator que merece atenção. Para esses estados, é fundamental que as chuvas retornem com maiores volumes e maior regularidade nas próximas semanas para que haja a recuperação da umidade e de condições mais favoráveis ao desenvolvimento das lavouras.
Monitor de Seca EUA | 31 de março

Fonte: NOAA, USDA
Assim, o período especulativo sobre o mercado climático norte-americano está oficialmente aberto! Apertem os cintos!
Inteligência de Mercado – Grãos e Oleaginosas
Escrito por Luiz F. Roque
Luiz.Roque@hedgepointglobal.com
Revisado por Thaís Italiani
www.hedgepointglobal.com
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