Nov 28 / Victor Arduin

Relatório Semanal Energia - 2023 12 04

Após atraso, OPEP+ pode anunciar medidas de suporte aos preços do petróleo

  • Depois de alguns pregões de alta volatilidade devido ao adiamento da reunião da OPEP+, espera-se WTI e Brent busquem ganhos com anúncios dos principais países produdores de petróleo.
  • As cotas de produção para membros do continente africano são um dos principais pontos de discordância na OPEP+. No entanto, um acordo deve ser alcançado em 30 de novembro.
  • O ambiente macroeconômico para 2024 parece ser mais favorável para o complexo energético, mas persistem riscos significativos no lado da demanda, exigindo ações da OPEP+ para sustentar os preços.

Introdução

As reuniões da OPEP+ foram inicialmente agendadas para 26 de novembro, mas devido a divergências internas, tiveram que ser remarcadas para 30 de novembro. Apesar de o grupo compartilhar um interesse comum na estabilidade dos preços do petróleo, o atraso não foi bem recebido pelo mercado, causando uma volatilidade significativa na semana passada.

Devido à heterogeneidade econômica e de desenvolvimento do grupo, alguns países enfrentam mais desafios para cumprir as cotas de produção alocadas pela organização. Países como Congo, Nigéria, Angola e Guiné Equatorial são exemplos disso, pois não conseguiram atingir o nível de produção alocado nos últimos anos e, portanto, receberam cotas menores na última reunião de junho da OPEP+.

No entanto, algumas dessas nações estão resolvendo seus problemas de infraestrutura e aumentando sua produção de petróleo. Portanto, o desafio atual do grupo é chegar a um consenso sobre os níveis de produção para o próximo ano. Por exemplo, a Nigéria está produzindo atualmente perto de sua cota de 1,38 milhão de barris por dia (bpd), mas abaixo da estimativa de 1,58 milhão de bpd que está sendo considerada para o próximo ano.

Os anúncios da reunião marcada para 30 de novembro serão cruciais para dar algum suporte aos preços do petróleo, que sofreram perdas significativas nas últimas semanas. Apesar das divergências da semana passada, espera-se que a OPEP+ chegue a um acordo com os produtores de petróleo africanos sobre os níveis de produção para 2024.

Figura #1: Produção da OPEP versus WTI

Fonte: Refinitiv

Membros da OPEP+ se concentram no nível de produção para 2024

Os preços do petróleo tiveram uma semana de altos e baixos, indicando um sentimento cauteloso em relação à commodity. O adiamento da reunião da OPEP+ sugere um desalinhamento entre os países membros, especialmente os da África. A política de produção desses membros para o próximo ano está em jogo.

É necessário que a OPEP+ chegue a um acordo sobre a extensão dos cortes de produção para 2024, dado o cenário de consumo de energia altamente incerto para o próximo ano.

Devido ao fato de alguns países não terem cumprido suas cotas, a reunião da OPEP+ em julho estabeleceu consultores independentes para avaliar a capacidade desses países de cumprir a produção estipulada.

Figura #2: Produção e capacidade de petróleo bruto da OPEP em outubro (milhões de bpd)

Fonte: OPEP

Desde então, os países africanos têm procurado aumentar sua produção para atender às cotas estabelecidas pela OPEP+. Nesse contexto, a Nigéria tem se destacado por seu rápido aumento na extração de petróleo, como pode ser visto no gráfico acima.

Isso provocu uma preocupação com as expectativas para a reunião que foi adiada. Esperava-se que mais cortes pudessem ser anunciados, talvez medidas unilaterais por parte da Arábia Saudita, que, junto com a Rússia, tem sido o país mais ativo nesse movimento para restringir o fornecimento de petróleo.

Entretanto, com os países africanos aumentando sua produção, a eficiência da política conjunta do grupo diminui. Uma solução entre os membros deverá ser encontrada, pois a continuação da queda nos preços do petróleo não é positiva para os membros da OPEP+.

Figura 3: Produção de petróleo bruto dos países membros africanos da OPEP (milhões de bpd)

Fonte: Refinitiv

O adiamento da reunião da OPEP+ intensificou o volume de opções de venda no mercado

Enquanto isso, o atraso da reunião da OPEP+ teve um impacto significativo no mercado de derivativos. Se a reunião tivesse sido realizada em 26 de novembro, conforme programado originalmente, os detentores de opções sobre o Brent poderiam ter capturado as flutuações do mercado exercendo seus direitos até 27 de novembro. Entretanto, agora, os participantes do mercado precisarão usar opções de outros meses.

Garantir a proteção contra flutuação dos preços do petróleo bruto é crucial para os produtores que estão enfrentando desafios devido aos dados econômicos fracos da China e aos riscos de uma recessão na Europa. Esses fatores representam desafios significativos no lado da demanda. A ausência de um acordo entre os membros da OPEP+ pode resultar em um mercado de petróleo bruto com excesso de oferta, intensificando a perspectiva de baixa para 2024.

Figura #4: Volume de opções de venda do Brent (contratos)

Fonte: OPEP

Fonte: Refinitiv

Em Resumo

No complexo energético, uma das instituições mais importantes é a OPEP+, cujas decisões podem afetar os preços das principais referências de petróleo, como WTI e Brent. Consequentemente, sinais de discórdia entre seus membros criam uma turbulência significativa no mercado.

No entanto, é improvável que o grupo não chegue a um consenso, pois a ação conjunta dos países membros tende a beneficiar a todos com preços mais altos, o que é importante para os países altamente dependentes da receita do petróleo.
A perspectiva de 2024 para as commodities de energia, embora melhor que a de 2023, continua bastante desafiadora. Apesar da possibilidade de cortes nas taxas de juros até o final do primeiro semestre do próximo ano, o atual nível restritivo pode levar a economia americana a uma atividade menor. Ainda, a Europa está à beira de uma recessão, e a China tem importado mais petróleo do que o realmente necessário.

Além disso, a troca de reféns entre o Hamas e Israel, uma medida humanitária significativa, trouxe uma sensação de alívio às tensões na região cercada por países produtores de petróleo. Isso reduz os riscos de interrupções no fornecimento de petróleo através do Estreito de Ormuz ou do Irã.

Do ponto de vista dos países produtores e exportadores de petróleo, será fundamental dar suporte aos preços, já que, no momento, há poucos fundamentos do lado da demanda para sustentar aumentos maiores. Portanto, é necessário tomar medidas do lado da oferta, ou seja, em outras palavras, cortes da OPEP+.

Relatório Semanal — Energia

Escrito por Victor Arduin
[email protected]

Revisado por Pedro Schicchi

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