Dec 4 / Victor Arduin

Relatório Semanal Energia - 2023 12 04

O complexo energético enfrentou perdas semana passada, mas os fundamentos permanecem sólidos

  • Os estoques de petróleo estão no seu nível mais baixo desde dezembro de 2022, o que sugere que é cedo demais para ser baixista sobre o complexo energético.
  • O mercado de diesel tem mais probabilidade de experimentar escassez do que menor demanda nos próximos meses, com base nos inventários historicamente baixos na Europa e nos Estados Unidos.
  • Embora os juros altos sejam uma força capaz de prejudicar a demanda mundial por energia, seus efeitos não devem ser sentidos no último trimestre do ano dada a forte economia americana.

Introdução

O mercado de energia está caminhando para uma de perdas, impulsionada por um aumento nos estoques de gasolina, suscitando preocupações sobre uma menor demanda por petróleo no último trimestre de 2023.

Apesar de indicar que os preços da gasolina podem cair nas próximas semanas, aliviando a inflação no país, também pode ser um sinal de fraqueza econômica, em que dados do governo dos EUA mostram que a média de quatro semanas da demanda por gasolina está no menor nível sazonal em 26 anos.

Mesmo os anúncios da Arábia Saudita e da Rússia, confirmando que os atuais cortes voluntários de 1,3 milhão de barris por dia (bpd) não foram suficientes para impulsionar os preços. No entanto, os estoques de energia permanecem muito baixos, indicando que os preços podem subir novamente em breve.
Figura 1: Prêmio mais alto para contratos WTI mais próximos (diferencial em USD)

Fonte: EIA

Figura 2: Demanda semanal de gasolina (milhões de barris por dia)

Fonte: EIA

A escassez é mais provável do que a menor demanda no mercado de diesel

Os mercados reagirão mal nos últimos dias em todo o complexo energético por conta dos estoques de gasolina que subiram muito mais do que o esperado por conta da fraca demanda. No entanto, os estoques de petróleo estão no nível mais baixo desde dezembro de 2022, o que sugere que ainda é cedo para estar baixista sobre o complexo energético.

Mais escassez do que menos demanda é provável no mercado de diesel nos próximos meses, com base nos estoques da Europa e dos Estados Unidos que estão em níveis historicamente baixos para esta época do ano. Em seu último relatório, Energy Information Agency anunciou que os estoques americanos reduziram em 1.3 milhões de barris, aproximadamente 13% abaixo da média de 5 anos.

Figura #3: Margem de Lucro por Produto (USD bbl)

Fonte: EIA

A expansão da atividade industrial nos Estados Unidos, que parece ter atingido seu ponto mais baixo, pode aumentar a demanda por diesel. Por enquanto, greves no setor automotivo estão afetando a atividade industrial, mas os sinais apontam para uma recuperação no médio prazo, com novos pedidos se estabilizando e a produção crescendo, ainda que a partir de uma base baixa.

Enquanto isso, os cortes de produção da OPEP+ estão causando uma dupla escassez, uma reduzindo a disponibilidade dos petróleos brutos pesados comuns da região do Oriente Médio, e outra de diesel produzido a partir desses petróleos. Em seu último encontro, o grupo recomendou a continuação da estratégia de redução da produção para oferecer mais “estabilidade” aos preços.

Figura 4: Inversão na cotação do óleo de aquecimento versus inventários de destilados médios nos EUA

Fonte: EIA

Em Resumo

A demanda por diesel está entrando em sua temporada de maior demanda, o que pode pressionar ainda mais os estoques já baixos se a produção não aumentar. Isso pode levar a preços mais altos para o diesel, assim como para outros bens e serviços que dependem do diesel como combustível.

A apertada oferta global será altista para as refinarias que ainda estão obtendo margens favoráveis com os produtos refinados. Apesar do diesel ser o principal impulsionador das margens no último trimestre, o combustível de aviação também está se saindo bem devido ao aumento do número de voos ao redor do mundo.

Além disso, o mercado pode encontrar algum alívio com o anúncio recente da Rússia de que parcialmente suspendeu a proibição das exportações de diesel para os embarques entregues nos portos via oleoduto, sob a condição de que as empresas devem vender no mínimo 50% de sua produção de diesel no mercado interno. Acredita-se que esse desenvolvimento traga certa normalização no mercado de combustíveis.

No entanto, é crucial levar em consideração que as taxas de juros estão atualmente elevadas, constituindo um fator de risco para a demanda de energia. Isso é particularmente significativo dada a forte correlação entre a demanda de energia e os ciclos econômicos dos países.

Relatório Semanal — Energia

Escrito por Victor Arduin
[email protected]

Revisado por Natalia Gandolphi
[email protected]

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