Jan 29 / Victor Arduin

Relatório Semanal Energia - 2024 01 29

Índia: o futuro do comércio global de petróleo

  • O complexo energético está passando por transformações. Não só pelas possibilidades dos combustíveis renováveis ganharem espaço na matriz energética ou pelas novas tecnologias que permitem veículos sem a necessidade de derivados de petróleo, como os carros elétricos, mas também porque novos países estão assumindo uma posição central como indutores do mercado.
  • Enquanto a China está reduzindo sua dependência de petróleo nos últimos anos, devido à eletrificação de sua frota de carros, a Índia aumentou seu consumo de gasolina e diesel, o que resultou em um aumento de suas importações de petróleo. Espera-se que essa tendência continue nos próximos anos, quando, em 2030, o país do sul da Ásia deverá acrescentar mais demanda ao balanço energético global do que a China.
  • Nesse cenário, a expansão de seu parque de refino será essencial para entender o ritmo de crescimento da demanda de petróleo do país. Apesar de estar crescendo rapidamente, o país pode adotar as tecnologias disponíveis no mercado, o que poderia, em última análise, diminuir sua demanda por combustíveis fósseis, mesmo com o aumento de sua demanda de energia.

Introdução

Por muitos anos, a China tem sido o principal impulsionador da demanda global de petróleo. Como o maior importador de petróleo do mundo, os dados econômicos da China sempre forneceram informações importantes sobre o balanço energético global. No entanto, isso está mudando à medida que mais veículos elétricos enchem as ruas da segunda maior economia do mundo. Agora, a Índia, a quinta maior economia do mundo, com crescimento projetado de 7,3% em 2023, está gradualmente ganhando relevância nos mercados de petróleo bruto.

A economia do sul da Ásia está crescendo rapidamente, aumentando sua necessidade por energia e, consequentemente, por produtos petrolíferos. Nesse sentido, espera-se que, até o final de 2028, o país expanda sua capacidade de refino de petróleo em aproximadamente 1,12 milhão de barris por dia, um aumento de 22% quando comparado com o patamar atual. Portanto, será necessário mais petróleo para atender à demanda doméstica do país.

Com uma ampla disponibilidade de fornecedores, o destaque em 2023 foi o petróleo russo. Além de oferecer descontos substanciais, a Índia conseguiu garantir pagamentos mais flexíveis, uma vantagem significativa para suas refinarias. Nesse sentido, exportadores de petróleo buscam estreitar seus laços comerciais com o país.
Figura 1: IND - Importações de petróleo bruto (bpd) e crescimento do PIB em relação ao ano anterior (%)

Fonte: Refinitiv

Figura 2: IND - Previsão de produtos refinados (milhões de bpd)


             Fonte: Bloomberg

Com mais crescimento, maior necessidade por petróleo

De acordo com dados do Ministério do Petróleo e Gás Natural da Índia, o consumo de petróleo da Índia atingiu 231 milhões de toneladas (4,64 milhões de barris por dia) em 2023, um aumento significativo de +5,48% em comparação com as 219 milhões de toneladas (4,40 milhões de barris por dia) registradas em 2022. Isso representa um pouco mais de 5% do atual consumo global de petróleo, enquanto que em 2002, há pouco mais de 20 anos, o país detinha uma participação de mercado de 3%.

Figura 3: Principais importações na Ásia, janeiro de 2024 (milhões de barris por dia)

Fonte: CMIE - Centro de Monitoramento da Economia Indiana

Por um lado, cresce gradualmente a relevância do país sobre o ritmo do consumo global de petróleo; por outro lado, dados mais fracos do que o esperado, ou reduções em suas importações, resultam em volatilidade baixista para o complexo energético. Após um forte crescimento das importações nos primeiros nove meses do ano, a Índia diminuiu seu ritmo de importação no último trimestre, o que ajudou a enfraquecer os preços dos principais benchmarks de petróleo bruto, com o WTI caindo US$ -19,14 (-21,08%) e o Brent -US$ 18,27 (-19,17%) por barril.

Figura 4: IND - Capacidade de refino nas refinarias (milhões de bpd)

Fonte: CMIE – Centre for Monitoring Indian Economy


Contudo, é importante observar que a China continuará sendo o maior importador de petróleo do mundo por um bom tempo. Por exemplo, a segunda maior economia do mundo atingiu 11,84 milhões de barris por dia (bpd) em importações de petróleo bruto neste ano (dados parciais), mais do que o dobro do volume importado pela Índia, que foi de 5,33 milhões de bpd.

Mesmo com a eletrificação de sua frota, muitos setores da economia chinesa, como transporte, construção civil e agricultura, continuarão a depender de produtos petrolíferos.

Em Resumo

A Índia está alcançando no mundo uma posição de destaque no complexo energético. À medida que seu Produto Interno Bruto (PIB) cresce, seu consumo interno aumenta, o que resulta no aumento da demanda por energia, traduzindo-se em maiores importações de petróleo.

Mais do que analisar o consumo final de produtos refinados, será importante observar o crescimento da capacidade das refinarias da Índia, pois elas são, em última análise, elas representam a capacidade de abosorção do petróleo importado pelo país, que, quando processadas, torna-se o produto disponível para a população. Um ritmo mais lento da expansão da sua capacidade de processamento indicará que o país não aumentará demanda tão rápido como se espera, algo que pode ter um profundo impacto no mercado.

Mesmo que o país alcance, gradualmente, a posição de principal impulsionador do mercado, ou seja, adicionando mais demanda por combustíveis fósseis ao equilíbrio global, a China continuará sendo o maior importador de petróleo por muitos anos. Isso ainda tornará relevante entender o consumo chinês para compreender o cenário de alta ou de baixa para o petróleo e seus derivados.

Relatório Semanal — Energia

Escrito por Victor Arduin
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Revisado por Natalia Gandolphi
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