Jul 28 / Luiz Fernando G. Roque

Live com Especialistas Julho/26 – Milho e Complexo Soja - Destaques

“Resumo com os principais pontos destacados em nossa Live com Especialistas de julho sobre os mercados de Milho e do Complexo Soja”

Atualização de Cenários para Milho e Complexo Soja

Introdução


Os mercados globais do complexo soja e de milho seguem atravessando um período de elevada incerteza, no qual fatores macroeconômicos, geopolíticos e climáticos continuam exercendo influência direta sobre a formação de preços. Embora o cenário de oferta permaneça relativamente confortável para soja e milho, a dinâmica da demanda vem passando por mudanças estruturais importantes, especialmente em função da expansão dos biocombustíveis, das alterações no comércio internacional e da evolução do consumo em grandes importadores, como a China.

Nesse contexto, o foco do mercado permanece voltado para três grandes vetores: a definição do potencial produtivo das safras norte-americanas durante o mercado climático, o comportamento da demanda global — particularmente do esmagamento de soja e das importações chinesas — e a competitividade das principais origens exportadoras, em especial Brasil, Estados Unidos e Argentina. Esses fatores deverão determinar o equilíbrio entre oferta e demanda ao longo dos próximos meses e definir o espaço para a continuidade da recuperação ou para o retorno da pressão sobre os preços.


Visão Geral Macro


• Conflito no Oriente Médio: o cessar-fogo assinado em 18/jun entre EUA e Irã durou pouco — novos ataques a partir de 7/jul reacenderam as tensões, trazendo de volta a volatilidade aos mercados internacionais. O índice do setor energético, que havia perdido força em maio/junho, voltou a subir.

• Câmbio e juros: o índice do dólar voltou a superar a marca de 100 pontos frente a uma cesta de moedas, refletido também no real, que voltou a se desvalorizar (na faixa de R$ 5,10 – 5,20). Esse movimento se conecta à alta do petróleo (duas ondas de alta: início da guerra e retomada em julho), que tem forte correlação com diesel, óleo de soja e, em menor medida, milho.

• Inflação e política monetária: o novo salto do petróleo reacende a preocupação inflacionária nos EUA, Brasil, Zona do Euro e demais países, favorecendo posturas mais hawkish dos bancos centrais (Fed manteve juros; BCE elevou). Isso tem implicações diretas sobre o carry trade e a formação do câmbio no Brasil, especialmente em ano eleitoral, com a Selic em trajetória de queda e a taxa americana estável — ponto que exige acompanhamento até o fim do ano.


Panorama Climático

• O El Niño está oficialmente confirmado. Efeitos mais fortes esperados entre setembro e janeiro, conforme a maior probabilidade de El Niño forte/muito forte projetada pela NOAA para esse período.

• Já há sinais no sul do Brasil (chuvas acima da média).

• Impactos históricos do El Niño: chuvas acima da média para a metade sul da América do Sul (costumam beneficiar Argentina, Uruguai, Paraguai e sul do Brasil) e chuvas abaixo da média para o centro-norte do Brasil — padrão que na safra 2023/24 prejudicou fortemente a produtividade em Mato Grosso.

• Sudeste Asiático (Indonésia, Malásia, Tailândia — grandes produtores de óleo de palma) também tende a sofrer com chuvas abaixo da média, o que pode impactar diretamente o mercado de óleos vegetais, incluindo o óleo de soja.

• Ponto de atenção prioritário para os próximos meses, sobretudo para a América do Sul.


Probabilidades ENSO - Intensidade

                                                                                                                                                                                                        Fonte: NOAA

Soja

Panorama Geral

Panorama geral: colheitas de Brasil e Argentina encerradas; atenção do mercado voltada para o desenvolvimento da safra americana, com o mercado climático ganhando relevância até o início da colheita em setembro.

• USDA elevou a safra americana para um nível recorde de 121,8 milhões de toneladas (recorde anterior: 121,5 milhões), simultaneamente projetando maior esmagamento e maiores exportações em 2026/27 — o que deve levar a estoques mais baixos, apesar da produção recorde.

• Para Brasil e Argentina ainda é cedo para números fechados (plantio só em setembro); USDA projeta 186 milhões de t para o Brasil.

• Preços por origem: a Argentina segue como origem mais competitiva desde abril; o preço brasileiro está ganhando força por sazonalidade do segundo semestre e já disputa a 2ª/3ª posição com os EUA — movimento considerado adiantado em relação ao padrão histórico, impulsionado pelas exportações brasileiras muito fortes. Tendência: quando a safra americana entrar, o preço dos EUA deve cair e o Brasil deve se tornar a origem menos competitiva entre as três.


Soja – Preços FOB – Principais Origens (USD/ton)

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                          Fonte: LSEG, Hedgepoint

Soja

China

• Estratégia clara e recorrente (últimas 2-3 temporadas) de manutenção de estoques elevados de soja (43-44 milhões de t, relação estoque/uso de 33-36%, ~4 meses de consumo) por razões de segurança alimentar, mesmo sem grande avanço no esmagamento/consumo interno.


Soja | China | Estoques e Estoque/Uso (M Ton, %)

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                      Fonte: USDA, Hedgepoint



• Produção doméstica estável; destaque para leve aumento nas importações e no esmagamento, direcionados à reconstrução/manutenção de estoques.


Soja | China | Oferta e Demanda

                                                                                                                                                                          Fonte: USDA



• Margens do setor de suínos na China estão apertadas/negativas; governo chinês já sinalizou política de redução do rebanho de matrizes (de ~40 milhões para 37,5 milhões de cabeças) para melhorar margens — indicativo de que o consumo chinês não deve crescer no curto prazo.

• Argentina perde espaço na China: ao longo de 2025, a Argentina ganhou relevância vendendo soja à China por conta da guerra comercial EUA-China; agora, esse gap está sendo fechado, com os EUA retomando participação.



Estados Unidos

• Apesar da safra potencialmente recorde, o USDA projeta produtividade igual/levemente superior à do ano passado (que foi quase perfeita) — o que é considerado difícil de repetir.


Soja EUA - Produção (M ton), Área colhida (M ha) e Produtividade (ton/ha)

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                         Fonte: USDA, Hedgepoint



• Condições das lavouras: as condições das lavouras estão abaixo de níveis registrados no ano passado, o que abre espaço para cortes produtivos nos próximos relatórios mensais do USDA.

• Monitor de seca: área sob seca mais que dobrou (de ~7% para ~18% da área de soja) em relação ao ano passado, especialmente no oeste do cinturão (Dakota do Sul e Nebraska) — sinal de que a produtividade projetada pelo USDA pode estar otimista, embora não haja indícios de "grande problema" na safra.

• Previsão de pouca chuva e temperaturas acima da média nas próximas duas semanas — ambiente que já vem sendo parcialmente precificado e pode aumentar a especulação climática em agosto (mês decisivo para a soja).

• Esmagamento: recorde histórico, impulsionado pela alta participação do óleo de soja na margem dos esmagadores (~54%) e por margens de esmagamento (board crush) muito favoráveis — tendência de alta continuada à medida que novas plantas entrem em operação (efeito da mistura maior de biodiesel confirmada em março).


EUA - Participação do Óleo de Soja na Margem (%)

                                                                                                                                                                                    Fonte: LSEG, Hedgepoint

EUA - Esmagamento de Soja – Acumulado (M bu)

                                                                                                                                                                                   Fonte: NOPA, Hedgepoint



• Exportações: retomada das compras chinesas de soja americana já impactando positivamente a curva de exportação 25/26 e 26/27, após período de fraqueza.


EUA - Soja - Oferta e Demanda

                                                                                                                                                   Fonte: USDA, Hedgepoint



• Preço: soja em torno de US$ 12,00 – 12,20/bushel, avaliado como nível justo (estudo de regressão indicaria equilíbrio um pouco mais baixo, ~US$ 11,50 – 11,70, mas US$ 12,00 funcionam como suporte psicológico). Faixa de US$ 11 – 12 vem sendo respeitada ao longo do ano.

Preços da Soja vs. Estoque/Uso nos EUA

                                                                                                                                                                                  Fonte: USDA, Hedgepoint



• Fundos: liquidaram posições compradas em maio/junho e voltaram a comprar com o retorno do conflito no Oriente Médio e especulações relacionadas ao clima nos EUA; complexo soja (especialmente óleo de soja) mantém posições líquidas compradas.


Brasil

• USDA projeta 186 milhões de t para 26/27, sem grandes surpresas; a Hedgepoint entende que o aumento de área projetado pelo USDA é otimista, dado o cenário de custos de produção ainda desafiador — espera-se aumento de área mais modesto, dependendo de boa produtividade (e do próprio El Niño) para sustentar a produção.

Brasil - Soja - Oferta e Demanda - USDA x Hedgepoint

                                                                                                                                                    Fonte: USDA, Hedgepoint



• Comercialização: 14% da safra nova vendida e 71% da safra atual vendida (ambas abaixo do ano passado) — vendas acelerando com a melhora de preços/prêmios.

• Exportações: Line-up aponta 86,4 milhões de t já registradas contra 77,2 milhões no ano anterior (+9 milhões) — ritmo forte que pode levar a estimativa de exportação (114 milhões de t) a ser revisada para cima. Grande incógnita: quanto a China comprará do Brasil a partir de setembro, quando a safra americana entra em disputa direta pelos volumes.


Soja - Brasil – Line-up Exportação - Acumulado do ano (M ton)

                                                                                                                                         Fonte: Secex, Agências Marítimas, Hedgepoint



• Basis: ganhando força de forma sazonal (segundo semestre) puxados pela forte exportação — ambiente positivo para o produtor no curto prazo, mas com possibilidade de correções mais relevantes perto do fim do ano.

• Preço spot (referência Rondonópolis): saiu de ~R$ 108 – 110 para R$ 127, já superando o nível do mesmo período do ano passado.


Basis de Soja - Paranaguá, Brasil (USDc/bu)

                                                                                                                                                                                                                                                                                                  Fonte: CME, LSEG, ESALQ, Hedgepoint


Argentina

• Pouca novidade: USDA trabalha com a mesma safra para 26/27; ainda é cedo para números precisos.

• Ponto principal: exportação bem mais fraca em 2026 (efeito já discutido da guerra comercial); Argentina deve reduzir participação na exportação de grão e focar mais no esmagamento, que deve crescer. Perda de share nas vendas para a China favorece o retorno dos EUA a esse mercado.

• Atenção a possíveis medidas do governo Milei — já se fala em redução gradual das retenções (impostos de exportação), com eleições no país no próximo ano, o que pode estimular tanto a produção quanto a velocidade das vendas dos produtores argentinos.


Argentina - Soja - Oferta e Demanda

                                                                                                                                                      Fonte: USDA, Hedgepoint


Milho

Panorama Geral

Panorama geral: colheita avançando para a reta final na Argentina; Brasil no meio da colheita da segunda safra (safrinha); atenção do mercado concentrada nos EUA, cuja safra ainda está sujeita a forte volatilidade climática.

• Destaque global: queda da produção americana (redução de área de milho em favor de soja para 26/27) — mesmo assim, pode ser a segunda maior safra da história, abaixo do recorde de 432 milhões de t do ano passado (queda de ~26 milhões de t).

• Exportações e estoques americanos devem cair, mas devem seguir em níveis elevados.

• USDA vem ajustando a safra argentina 25/26 para cima (de 52-53 para 63 milhões de t, versus 67-68 milhões estimados pela Bolsa de Rosário) — safra grande que amplia a capacidade exportadora argentina e pode pressionar a competitividade brasileira.

• União Europeia: USDA já vem cortando a safra (especialmente devido aos problemas na França, ~20% da produção da UE) e elevando as importações — pode beneficiar exportadores de milho como Brasil, Argentina, EUA e Ucrânia.

• Preços por origem: Argentina passou a ser a mais competitiva (superando os EUA); Brasil é hoje a origem menos competitiva na América do Sul, ainda que a diferença seja pequena e compensada por qualidade e logística.


Milho – Preços FOB – Principais Origens (USD/ton)

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                         Fonte: LSEG, Hedgepoint


China

• Padrão inverso ao da soja: estoques de milho em queda (mesmo com safras recordes sucessivas), sinalizando forte consumo interno.

• Estoques abaixo de 200 milhões de t abririam espaço para a China retomar importações com mais força — movimento que ainda não está no radar do USDA para 26/27, mas que é historicamente relevante: foi justamente uma forte compra chinesa (~23 milhões de t em 23/24) que fez o Brasil se tornar o maior exportador mundial de milho naquele ano.

• USDA projeta aumento mínimo nas importações chinesas (de 5 para 6 milhões de t) para 26/27, com safra doméstica recorde de 307 milhões de t.


Milho China - Estoques e Estoque/Uso (M Ton, %)

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                      Fonte: USDA, Hedgepoint


Estados Unidos

• Pode ser a segunda maior safra da história, mas com produtividade já projetada abaixo do ano passado.

• Condições das lavouras: assim como na soja, as condições das lavouras estão em níveis inferiores aos registrados no ano passado.

• Seca: ~19% da área de milho sob seca, vs. ~9% no ano passado (mais que o dobro), reforçando o risco de ajustes negativos na produtividade se o clima de agosto não melhorar.

• Exportações: já superaram a estimativa do USDA (86,3 milhões de t vs. estimativa de 84,5 milhões) — grande motor de sustentação do preço em Chicago, mesmo considerando que parte desses volumes registrados pode migrar para a temporada seguinte na virada do ano comercial.


Milho EUA - Oferta e Demanda

                                                                                                                                                  Fonte: USDA, Hedgepoint



• Estoque/uso projetado em 11% — segundo o modelo de regressão da Hedgepoint, preço de milho em torno de US$ 4,50/bushel está em equilíbrio para esse nível de estoques.

Preços do Milho vs. Estoque/Uso nos EUA

                                                                                                                                                                      Fonte: USDA, CME, Hedgepoint



• Fundos: reduziram posições líquidas vendidas recentemente, acompanhando a força da demanda; posicionamento hoje próximo da média dos últimos 5 anos, ainda que bem acima do registrado em mesmo período do ano passado.


Brasil

• Safra 25/26 estimada pela Hedgepoint em ~140 milhões de t (USDA: 138 milhões) — Hedgepoint com viés de revisão positiva em agosto, já que a safrinha surpreendeu positivamente em vários estados, apesar dos problemas em Goiás.

• Exportações: ritmo mais forte que o ano passado (~1 milhão de t na frente nos registros), mas com risco relevante ligado ao Irã, maior comprador de milho brasileiro em 2025 (~9 milhões de t). Com o fechamento do Estreito de Ormuz, as exportações ao Irã já caem 36% até o momento em 2026 (1,5 milhão de t vs. 2,3 milhões de t no mesmo período do ano passado) — ponto de atenção crítico para o segundo semestre.


Milho – Brasil: Line-up Exportação - acumulado mensal (M ton)

                                                                                                                                           Fonte: Secex, Agências Marítimas, Hedgepoint



• Uso para etanol de milho: já trabalhando com 28,5 milhões de t (+5,5 milhões vs. ano anterior); com a possível confirmação definitiva do E32 (hoje aprovado por 180 dias), a demanda adicional pode chegar a ~1,5 milhão de t (ou ~700 mil t se o E32 durar só 180 dias). Número de usinas de etanol de milho já subiu de 27 para 29 em operação, com mais 27 projetadas/em construção — sinal de forte crescimento estrutural da demanda doméstica, expandindo-se além do Centro-Oeste.

• Colheita da safrinha: a colheita está atrasada no Centro-Sul — atraso esperado (devido a atraso de plantio), mas sem indícios de grandes problemas de disponibilidade nacional, ainda que possam surgir desafios regionais pontuais.

Milho Brasil - Oferta e Demanda – HPGM vs USDA vs Conab

                                                                                                                                      Fonte: USDA, Conab, Hedgepoint



• Basis de exportação ganhando alguma força com a entrada da safrinha, trazendo algum alívio aos preços internos, mas dependente do ritmo de exportação seguir forte.


Basis de Milho - Paranaguá, Brasil (USDc/bu)

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                      Fonte: USDA, Hedgepoint


Argentina / União Europeia

• Argentina: para 25/26, produção estimada pelo USDA em 63 milhões de t (Bolsa de Rosário: 68 milhões) — ainda com espaço para revisão de alta. Exportação projetada saltando de 29 (24/25) para 45 milhões de t (25/26), o que pode superar a exportação brasileira (43 milhões de t, com viés de queda) e tornar a Argentina uma competidora relevante do Brasil no mercado internacional. Margens dos produtores argentinos melhoraram, incentivando maior ritmo de vendas — exportações mensais de mar/abr/mai já superaram anos anteriores.


Milho Argentina - Oferta e Demanda

                                                                                                                                                     Fonte: USDA, Hedgepoint



• União Europeia: forte deterioração da safra francesa de milho — apenas 41% das lavouras em boas/excelentes condições e 31% em condições ruins/muito ruins (piora acentuada nas últimas semanas). USDA deve seguir cortando a produção e elevando importações nos próximos relatórios (agosto em diante), o que pode beneficiar as exportações de milho do Brasil, Argentina, EUA e Ucrânia.


Milho União Europeia - Oferta e Demanda

                                                                                                                                                     Fonte: USDA, Hedgepoint


Touros e Ursos

Fatores Altistas (Touros)

• Forte demanda por exportação de milho nos EUA.
• Aumento da mistura de biocombustíveis nos EUA fortalecendo o esmagamento de soja.
• Retomada das compras chinesas de soja norte-americana.
• Redução da área/produção de milho nos EUA em 26/27.
• Mercado climático (pode virar baixista dependendo do desenrolar em agosto).

Fatores Baixistas (Ursos)

• Estoques mundiais de soja ainda amplos.
• Um eventual fim da guerra no Oriente Médio, que pode levar fundos a realizar lucros (o óleo de soja está mais "esticado" que o grão e o farelo).
• Aumento de área de soja nos EUA, com potencial de safra recorde.
• Mercado climático (pode virar altista dependendo do desenrolar em agosto).


Considerações finais

O mercado global de milho e do complexo soja continua apresentando um equilíbrio delicado entre fundamentos baixistas de curto prazo e fatores estruturais que tendem a oferecer maior sustentação aos preços no médio e longo prazo. A perspectiva de grandes safras nos principais produtores mundiais, associada à manutenção de estoques confortáveis e à postura mais cautelosa da demanda chinesa, mantém pressão sobre as cotações e amplia a competição entre os principais exportadores.

Ao mesmo tempo, observa-se uma transformação gradual da dinâmica de consumo. A expansão dos biocombustíveis, o crescimento do esmagamento de soja e o avanço do etanol de milho no Brasil continuam fortalecendo a demanda industrial e reduzindo a probabilidade de ciclos prolongados de excesso de oferta. Esse movimento cria fundamentos mais sólidos para o mercado e tende a elevar o piso estrutural dos preços ao longo do tempo.

No campo macro, o conflito no Oriente Médio e a inflação global mantêm a volatilidade elevada. No campo climático, as próximas semanas serão decisivas para a consolidação das produções de soja e milho nos EUA, enquanto o El Niño confirmado é o principal fator a monitorar a partir de setembro, com potencial de repetir o padrão de perdas no centro-norte do Brasil visto em 2023/24 (mas trazer ganhos para a produção da Argentina e do Sul do Brasil). Na soja, uma possível safra recorde nos EUA convive com estoques mais ajustados por conta do maior esmagamento e da demanda chinesa retomada, enquanto o Brasil se aproxima de um período de menor competitividade relativa. No milho, o destaque é a crescente força exportadora da Argentina e o risco geopolítico sobre as vendas brasileiras ao Irã, ao lado da expansão estrutural do etanol de milho como novo pilar de demanda doméstica. 

Dessa forma, o momento é de cautela e de necessidade de acompanhamento constante dos fatores — tanto climáticos quanto de oferta e demanda —, já que vários números-chave (safras norte-americanas, exportações brasileiras, safra e exportações argentinas) ainda estão em aberto e podem alterar o equilíbrio dos mercados nos próximos meses.



Link – Live com Especialistas de Julho

Para assistir a íntegra da Live com Especialistas de Julho sobre os mercados de Milho e do Complexo Soja, clique neste link.

Inteligência de Mercado – Grãos e Oleaginosas

Escrito por Luiz F. Roque
Luiz.Roque@hedgepointglobal.com


Revisado por Gustavo Costa

Gustavo.Costa@hedgepointglobal.com

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