Apr 17 / Thais Italiani, Luiz Roque, Laleska Moda, Lívea Coda e Carolina França

Atualização 1T 2026 e Expectativas 2T

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A aversão ao risco se intensificou com o conflito entre EUA e Irã, elevando os preços da energia e gerando impactos em cadeia sobre inflação, dólar e condições financeiras globais. O choque energético impulsionou ativos de proteção, como o ouro e o DXY, ao mesmo tempo em que aumentou a volatilidade e as incertezas sobre crescimento econômico. Como resultado, os bancos centrais passaram a enfrentar um ambiente mais complexo, com pressões inflacionárias adicionais limitando a flexibilidade da política monetária.


Perspectivas macroeconômicas

Atualização 1T 2026: A aversão ao risco aumentou com o início do conflito entre os EUA e o Irã. O principal impacto foi no complexo de energia, enquanto o ouro e o DXY subiram, enquanto os mercados avaliaram os impactos da guerra nas cadeias de suprimentos globais e nas perspectivas econômicas para 2026. Isso também criou desafios adicionais para os Bancos Centrais em todo o mundo, com um possível aumento das taxas em 2026. 

Expectativas 2T 2026: É provável que um cessar-fogo entre os EUA e o Irã alivie as tensões do mercado no curto prazo, reduzindo a pressão sobre os preços do petróleo e melhorando o apetite pelo risco. Isso, por sua vez, poderia criar mais espaço para futuros cortes nas taxas de juros. Ainda assim, como a trégua pode ser temporária e os efeitos do choque de energia sobre a inflação podem persistir, a situação provavelmente continuará a exigir cautela dos bancos centrais.


Subíndices de commodities da Bloomberg e DXY(Jan/26 = 100)

Fonte: LSEG, Hedgepoint


Principais indicadores macroeconômicos (Jan/26 = 100)

Fonte: LSEG, Hedgepoint

Perspectiva para as softs commodities

  • Açúcar:  Os fundamentos permanecem em baixa devido ao excesso de oferta; no entanto, os preços encontraram apoio no complexo energético, dada sua ligação direta com o etanol e, consequentemente, com a alocação do mix de açúcar no Brasil;
  • Café: Com uma safra recorde no Brasil em 27/26, os fundamentos mais amplos são de baixa. Mas os atuais desafios logísticos, o mercado ainda invertido, o aumento dos custos financeiros e de produção estão limitando as correções de preço esperadas;
  • Cacau: Os preços do cacau têm sofrido correções em meio às expectativas de um excedente para a safra 25/26 e à demanda mais fraca.


Índice de Preços de Softs (jan/26 = 100)


Fonte: LSEG


Fatores-chave para o futuro


Perspectivas para grãos e oleaginosas

  • Soja: As expectativas de aumento da demanda por soja dos EUA, principalmente devido ao iminente aumento da mistura de biocombustíveis, impulsionaram os preços. A eclosão do conflito no Oriente Médio deu ainda mais suporte via energia (óleo de soja);
  • Milho: O mercado operou lateralmente durante a maior parte do primeiro trimestre, uma vez que a grande oferta e a forte demanda por exportações para os EUA se equilibraram. O conflito no Oriente Médio trouxe fôlego a partir de março por meio do setor de energia (etanol);
  • Trigo: As preocupações com a qualidade da safra de inverno dos EUA e a tendência de redução da área plantada em 2026/27 deram força aos preços em Chicago. O início do conflito no Oriente Médio trouxe ainda mais fôlego para o mercado.

Índice de Preços de Grãos (jan/26 = 100)

Fonte: LSEG

  Fatores-chave para o futuro

Perspectivas para energia

  • A escalada do conflito entre os EUA e o Irã perturbou drasticamente o complexo energético do início ao final de março de 2026, pois os ataques diretos à infraestrutura de energia e às rotas marítimas ampliaram os temores quanto a disponibilidade;
  • O fechamento do Estreito de Ormuz no início de março, que movimenta cerca de um quinto dos fluxos globais de petróleo e GNL, sustentou os preços;
  • Embora as liberações de reservas estratégicas e a flexibilização temporária de sanções tenham ajudado a suavizar alguns fluxos, os riscos de transito próximo ao estreito de Ormuz mantiveram os mercados de petróleo, gás e combustíveis altamente voláteis até o final de março, incorporando um prêmio de risco geopolítico aos seus preços.

Índice de Preços de energia (jan/26 = 100)


Fonte: LSEG

Fatores-chave para o futuro


Aumenta a probabilidade de El Niño

Os modelos estatísticos apontam para o fim do La Niña em 2026, mas um aumento na probabilidade de um evento El Niño começar durante os meses de maio a julho. Dependendo da intensidade do fenômeno, o El Niño tende a remodelar os padrões climáticos globais, aumentando o risco de condições de seca, chuvas excessivas, ondas de calor e mudanças na atividade de tempestades e furacões nas principais regiões produtoras.


Probabilidades oficiais de ENSO do IRI (março de 2026, %)

Fonte: Instituto Internacional de Pesquisa sobre Clima e Sociedade


Efeitos do El Niño nas culturas





Temperaturas mais altas e chuvas irregulares

O El Niño esperado pode trazer condições mais secas para a Índia, África Central, Austrália, Sudeste Asiático, América Central e norte do Brasil, enquanto aumenta as chuvas no Peru, Equador, partes da África e Oriente Médio.
Quanto à temperatura, as ondas de calor podem ocorrer com mais frequência na América do Sul, no sul dos EUA, na África, na Europa, na Índia e na Austrália.


Anomalias de temperatura do El Niño | Jun-Ago (ºC)

Fonte: LSEG


Efeitos do El Niño nas culturas


Fonte: LSEG

Relatório Especial — Multicommodities

Escrito por Thaís ItalianiLuiz Roque, Laleska Moda, Lívea Coda e Carolina França

thais.italiani@hedgepointglobal.com

luiz.roque@hedgepointglobal.com

laleska.moda@hedgepointglobal.com
livea.coda@hedgepointglobal.com

carolina.franca@hedgepointglobal.com

Revisado por Luiz Roque

luiz.roque@hedgepointglobal.com


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