Oct 13 / Luiz Fernando Roque

Projeção de Safra: Milho Brasil - 2026/27


“Safra brasileira de milho deve atingir recorde de 146,5 milhões de toneladas em 2026/27”

Hedgepoint estima safra brasileira de milho de 146,5 milhões de toneladas na temporada 2026/27


Com avanço de área e de produtividade, safra brasileira de milho deve atingir novo recorde em 2026/27



A primeira estimativa da Hedgepoint para a safra brasileira de milho da temporada 2026/27 aponta para uma nova safra recorde, com potencial produtivo de 146,5 milhões de toneladas.

O aumento da produção deve derivar, principalmente, de um avanço na área plantada em relação à temporada 2025/26, com a área passando de 22,343 milhões de hectares (2025/26) para 22,712 milhões de hectares em 2026/27 (+1,7%). 

Já a produtividade média das lavouras de milho deve aumentar de 6.361 quilos por hectare (2025/26) para 6.452 quilos por hectare em 2026/27 (+1,4%), com avanço amparado especialmente em prováveis recuperações nas produtividades médias da segunda safra dos estados de Goiás e Minas Gerais. 

Caso confirmada, a produção brasileira de milho deve ser recorde, superando em 3,1% as 142,1 milhões de toneladas produzidas na temporada 2025/26.


Safra 2026/27 vs. Safra 2025/26

Área Plantada: 22,712 M ha (+1,7%, 22,343 M ha) 

Produtividade: 6.452 kg/ha (+1,4%, 6.361 kg/ha)

Produção: 146,538 M ton (3,1%, 142,131 M ton)


Milho Brasil | Estimativa de Produção (M ton), Produtividade (ton/ha) e Área Plantada (M ha)

Fonte: Hedgepoint, USDA


Quando olhamos para o lado da demanda, o destaque fica com a forte expansão esperada no consumo para fabricação de etanol, com novas usinas entrando em operação ao redor do país nos próximos meses e ao longo de 2027. Estima-se que a demanda de milho para etanol avance de 29 milhões de toneladas em 2025/26 para 34 milhões de toneladas em 2026/27 (+17%), consolidando ainda mais o crescimento desse setor. 

O aumento da mistura obrigatória para E32 é um importante fator de incentivo à expansão da produção, embora, por enquanto, o novo percentual esteja vigorando ainda de forma provisória (180 dias a partir de 1º de agosto). Entretanto, é provável que a mistura seja prorrogada por mais 180 dias, podendo também ser declarada como definitiva ainda no primeiro semestre de 2027.


Milho | Brasil | Oferta e Demanda | Hedgepoint (M ton)

                                                                                                                                                                                Fonte: Hedgepoint



No lado das exportações, a estimativa aponta para um aumento dos embarques ao exterior na temporada 2026/27, indicando uma recuperação frente à temporada 2025/26. As exportações devem crescer de 38 milhões de toneladas em 2025/26 para 41 milhões de toneladas em 2026/27 (+8%).

Nesse ponto, é importante destacar que a estimativa de exportações para a temporada 2025/26 foi reduzida de 41 milhões de toneladas para 38 milhões de toneladas recentemente. Tal fato se deu pelo ritmo mais lento de embarques até o momento, o que é reflexo direto de uma competição mais acirrada com a Argentina, que colheu uma safra recorde e está com preços mais competitivos, e de uma menor demanda iraniana devido ao conflito com os Estados Unidos. É importante também lembrar que o Irã tem um peso relevante nas compras de milho do Brasil, tendo sido o maior comprador de milho brasileiro no ano de 2025, com aproximadamente 9 milhões de toneladas.


Milho | Brasil | Line-up de Exportações – Mensal (M ton)

                                                                                                                                                                      Fonte: Agências Marítimas, Hedgepoint



Dessa forma, caso o conflito persista, a redução das compras iranianas deve impactar de forma importante os volumes exportados pelo Brasil em 2026, resultando em estoques finais maiores na temporada atual. A estimativa atual aponta para estoques de 14,7 milhões de toneladas em 2025/26, com alta de 20,5% em relação à temporada 2024/25.

Com estoques maiores indicando um balanço de oferta e demanda bastante confortável na temporada atual, alertamos para possíveis pressões sobre os preços brasileiros de milho nos últimos meses de 2026, visto que o ritmo mais fraco nas exportações deve levar a uma maior disponibilidade de milho no mercado interno, possivelmente pressionando os “basis” nas principais praças de originação.


Basis de Milho – Rio Verde, GO (USDc/bushel)

                                                                                                                                                                                                Fonte: Hedgepoint, CME, ESALQ



Já quando olhamos para os estoques finais da nova temporada, a estimativa aponta para uma redução, com estoques recuando de 14,7 milhões de toneladas em 2025/26 para 12,6 milhões de toneladas em 2026/27 (-14%).

De qualquer forma, a definição dos estoques de 2026/27 dependerá, dentre outros fatores, da performance das exportações, sendo essa uma variável bastante sensível a fatores ligados à competição e à geopolítica. Além disso, será fundamental acompanhar o clima para a definição da produção, o que será também fator determinante para entendermos o rumo dos estoques na nova temporada.




Inteligência de Mercado – Grãos e Oleaginosas

Escrito por Luiz Fernando Roque
Luiz.Roque@hedgepointglobal.com

Revisado por Gustavo Costa
Gustavo.Costa@hedgepointglobal.com


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