Jul 14 / Lívea Coda

Doce recuperação, riscos azedos

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"Os preços do açúcar se recuperaram com base em sinais técnicos e de demanda, aliviando as preocupações com o desvio de etanol no Brasil e possivelmente reduzindo o interesse de compra da China. Apesar disso, os fundamentos continuam bastante baixistas, e riscos macro, como novas tarifas americanas e desvalorização do real, podem pressionar o mercado. As boas perspectivas do Hemisfério Norte, especialmente o desenvolvimento da Índia, aumentam a pressão sobre os contratos de longo prazo."

Doce recuperação, riscos azedos

  • Os preços do açúcar se recuperaram, apoiados por sinais de demanda e indicadores técnicos.

  • Os fundamentos permanecem em baixa, com o estoque e uso começando a se reconstruir, limitando a possibilidade de alta no curto prazo para além de 17-18 c/lb.

  • Os anúncios de tarifas dos EUA impulsionaram o dólar, principalmente pelo aumento das expectativas de inflação. Juntamente com os fortes dados do mercado de trabalho, isso abalou as expectativas de flexibilização monetária. No entanto, a incerteza ainda pressiona seu valor, que permanece abaixo do registrado em anos anteriores.

  • Os temores de desvio de etanol no Brasil diminuíram quando os preços subiram acima de 16 c/lb, especialmente em São Paulo; mudanças marginais podem ocorrer em Goiás e Mato Grosso.

  • As compras chinesas podem desacelerar em meio aos preços mais altos, enquanto as fortes monções e o plantio da Índia sugerem uma recuperação da produção e uma possível pressão sobre as exportações na próxima temporada.

Os preços do açúcar se recuperaram durante a semana, apoiados por notícias relacionadas à demanda (Paquistão e Filipinas), pelo último relatório da Unica e por fundamentos mais amplos que sugerem que a queda para 15,5 c/lb pode ter sido uma reação exagerada. Os indicadores técnicos, como o RSI e o MACD, mudaram, apontando para uma tendência mais altista. Notavelmente, os preços do açúcar bruto voltaram a subir acima do nível de retração de Fibonacci de 38,2% pela primeira vez desde junho, sinalizando potencialmente um novo interesse de compra. No entanto, os fundamentos continuam mais fracos do que nas últimas três ou quatro temporadas, com o índice de estoque-uso começando a se recompor. Embora concordemos que os preços deveriam estar sendo negociados em níveis mais altos (pelo menos 17-18c/lb), há limites claros, tornando improvável um retorno às máximas de 2023-2024.

Figura 1: Níveis de retração de Fibonacci (c/lb)

Fonte: LSEG, Hedgepoint

Olhando para o futuro, o cenário macroeconômico será um fator importante. Nesta semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, emitiu avisos de tarifas para 23 países, com taxas que variam de 20% a 50%. O efeito imediato sobre o índice do dólar foi de alta. A perspectiva inflacionária, juntamente com os fortes dados do mercado de trabalho divulgados na semana anterior, abalou as expectativas de flexibilização monetária, dando suporte à moeda americana no curto prazo. Como resultado, o dólar se manteve firme, encerrando a semana em 97,9, com uma variação de 0,8% em relação à semana anterior.

Figura 2: Níveis de MACD e RSI

Fonte: LSEG, Hedgepoint LSEG, Hedgepoint



Em contrapartida, o real se enfraqueceu devido à alta tarifa imposta ao Brasil e ao fato de os EUA terem representado 12% das exportações brasileiras em 2024, recuando para o nível 5,57 na quarta-feira e para 5,54 no final da semana, depois que o mercado digeriu o anúncio. Entretanto, a combinação de tarifas e incerteza política aumentou a percepção de risco do mercado em relação aos EUA. Isso pode exercer uma pressão adicional sobre o índice do dólar no médio e longo prazo, mantendo-o abaixo dos níveis observados nos anos anteriores e, potencialmente, impactando o mercado mais amplo de commodities e dando suporte a valorização do real.

Figura 3: Novas tarifas entrarão em vigor em 1º de agosto

Fonte: LSEG, Hedgepoint

Embora as tarifas tenham impacto limitado sobre o mercado de açúcar, uma desvalorização do real pode ser vista como baixista para o açúcar, pois pode incentivar maiores volumes de exportação do Brasil. Essa tendência afetou o ímpeto do adoçante, que perdeu parte de seus ganhos na quinta-feira. No entanto, a maior parte da safra 2025/26 já foi precificada, limitando o impacto dos movimentos cambiais sobre o contrato de curto prazo do adoçante, que voltou aos 16.57 c/lb na sexta-feira.

A recente recuperação dos preços do açúcar bruto é particularmente relevante. As preocupações anteriores sobre uma mudança de mix do açúcar para o etanol no Centro-Sul do Brasil diminuíram, especialmente depois que os preços se recuperaram acima de 16 c/lb, aumentando a sua vantage contra o hidratado no estado de São Paulo. Embora alguns ajustes marginais ainda possam ocorrer em Goiás e Mato Grosso, sua participação combinada no volume de cana é de cerca de 13%, e eles já operam com um mix de açúcar mais baixo, restringindo seu impacto no mix agregado.

A recente recuperação dos preços do açúcar tornou o adoçante um pouco menos atraente para os compradores chineses, que estavam ativos desde maio, aproveitando os preços anteriormente baixos. Embora isso não exclua novas importações, os compradores chineses, conhecidos por sua abordagem cautelosa, podem optar por adiar novas compras, especialmente porque as perspectivas de safra no Hemisfério Norte continuam a melhorar.

Figura 4: Principais Indicadores (em comparação com o fechamento de quinta feira, 16.26 c/lb)

Fontes: Bloomberg, LSEG, Hedgepoint

As monções progrediram bem em toda a Índia, e os níveis dos reservatórios de água continuam saudáveis. O país registrou maior plantio em comparação com a última temporada e espera-se uma recuperação na produção de açúcar. No entanto, os volumes de exportação continuam dependendo de decisões governamentais e podem ser autorizados somente ao decorrer da temporada. Embora mantenhamos uma estimativa conservadora de exportação de 500 kt, há potencial para que os volumes atinjam até 1,5 Mt, resultado que contribuiria para uma perspectiva ainda mais baixista do mercado global de açúcar, aumentando a pressão sobre o contrato de março 26.

Figura 5: Avanço da monção sudoeste (2025)

Fonte: Departamento de Meteorologia da Índia


Em resumo

Os preços do açúcar se recuperaram com base em sinais técnicos e de demanda, aliviando as preocupações com o desvio de etanol no Brasil e possivelmente reduzindo o interesse de compra da China. Apesar disso, os fundamentos continuam bastante baixistas, e riscos macro, como novas tarifas americanas e desvalorização do real, podem pressionar o mercado. As boas perspectivas do Hemisfério Norte, especialmente o desenvolvimento da Índia, aumentam a pressão sobre os contratos de longo prazo.

Relatório Semanal — Açúcar

Escrito por: Lívea Coda

livea.coda@hedgepointglobal.com

Revisado por: Carolina França

carolina.franca@hedgepointglobal.com

www.hedgepointglobal.com

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