Feb 2 / Lívea Coda

Visão preliminar do Centro-Sul brasileiro para 2026/2027

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  • Os preços do açúcar permaneceram dentro da faixa de 14-15 centavos de dólar por libra-peso, refletindo as expectativas de um saldo excedente em 2025/26 e fluxos comerciais intensos.
  • O Brasil é o principal impulsionador do excesso de oferta, com forte produção no Centro-Sul em 2025/26 e sinais iniciais apontando para outra safra sólida em 2026/27.
  • Em um cenário de produção máxima de açúcar (mistura de 50,6%), a produção poderia chegar a 42,4 milhões de toneladas, gerando um excedente de cerca de 4 milhões de toneladas nos fluxos comerciais globais.
  • Reduzir a mistura de açúcar para cerca de 46% reequilibraria o açúcar, mas exigiria preços mais baixos do hidratado para absorver o excesso de etanol, implicando um piso de cerca de 13,5 centavos de dólar por libra-peso de açúcar.
  • Um mix mais realista de 48% de açúcar reduz, mas não elimina, o excedente, mantendo os preços em baixa e tendendo para o piso sazonal.

Visão preliminar do Centro-Sul brasileiro para 2026/2027

O mercado de açúcar permaneceu estável dentro de uma faixa de negociação relativamente baixa por um longo período, entre 14 e 15 c/lb. Os preços não conseguiram se recuperar, refletindo em grande parte o consenso do mercado em torno de um saldo excedente entre oferta e demanda para a temporada 2025/26 (outubro-setembro), além de um fluxo comercial também com excesso de oferta.

Uma parte significativa desse excedente vem de outro forte desempenho do ciclo atual do Brasil, juntamente com a melhora nos resultados em todo o Hemisfério Norte. A safra 2025/26 do Centro-Sul brasileiro está chegando ao fim, sinalizando uma robusta produção de açúcar. Atualmente, estimamos aproximadamente 610 Mt de cana – aproximando-nos de nossa primeira estimativa, com um mix de 50,6% de açúcar, resultando em cerca de 40,5 Mt de produção de açúcar.

Somando-se à perspectiva global baixista, está a visão inicial da safra brasileira de 2026/27. Embora ainda seja cedo para tirar conclusões definitivas, os padrões iniciais de chuva e o Índice de Saúde da Vegetação (VHI) favorável apontam para a possibilidade de mais um ano de produção sólida, reforçando as expectativas de continuidade da oferta global abundante. Nossas estimativas preliminares sugerem que, apesar dos dados ainda incompletos considerando que o período crítico de desenvolvimento da cana-de-açúcar ocorre entre outubro e fevereiro, é possível atingir até 630 milhões de toneladas de cana. Com esse nível de disponibilidade de matéria-prima, a direção dos preços dependerá em grande parte da mistura de açúcar. Portanto, neste relatório, trabalharemos com alguns cenários.


Chuvas no CS x período de desenvolvimento da Cana (mm)

Fonte: UNICA, Hedgepoint

Como premissas comuns a todos os cenários, consideramos 630 Mt de cana moída, 139,5 kg/t de TRS, 11 bilhões de litros de produção de etanol de milho e um crescimento do ciclo Otto de 2,5% ao longo da safra.

Para o primeiro cenário, vamos supor que as usinas consigam continuar maximizando a produção de açúcar, mantendo o mesmo ritmo operacional observado na safra 2025/26 e atingindo um mix de açúcar de 50,6%. Nesse exercício, a produção total de açúcar atingiria aproximadamente 42,4 Mt, com exportações do Centro-Sul estimadas em cerca de 33,5 Mt. Nesse contexto, os fluxos comerciais globais se ajustariam de acordo, resultando no acúmulo de um excedente estimado de 4 Mt de açúcar entre o quarto trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2027, reforçando uma perspectiva de excesso de oferta e limitando o potencial de alta dos preços.

Que mistura de açúcar seria necessária para suavizar esses fluxos comerciais e que nível de preço isso implicaria? Essas são as principais questões abordadas em nosso segundo cenário.

Para compensar 4 Mt de produção de açúcar, a mistura de açúcar precisaria diminuir para aproximadamente 46%. No entanto, tal mudança levaria inevitavelmente a um acúmulo de estoques de etanol.


Fluxo comercial em ‘000t tq considerando um mix açúcar 50,6% (esquerda) e 46,2% (direita)

Fonte: Hedgepoint

A maneira mais direta e menos onerosa de reequilibrar essa equação seria uma redução nos preços do etanol hidratado, incentivando uma mudança na demanda nas bombas, da gasolina C para o hidratado. Nesse cenário, a participação do hidratado na demanda total de combustível no CS (porcentagem do volume real, não em equivalência energética) aumentaria de cerca de 36% para aproximadamente 39,3%. No Norte e Nordeste (NNE), a participação do hidratado também aumentaria, de 13,2% para cerca de 14,2%.

Esse ajuste absorveria efetivamente o excesso de disponibilidade de matéria-prima, mas exigiria que a paridade nas bombas mudasse a favor do etanol hidratado na maioria, senão em todos os estados, para levá-los a consumir tanto quanto a quantidade máxima consumida nos últimos 20 anos.

Estoque de Hidratado em ‘000 m³ antes (esquerda) e depois (direita)

Fonte: UNICA, SECEX, ANP, Hedgepoint

Usando São Paulo como referência, uma estimativa simplificada sugere que os preços ex-mill do hidratado precisariam cair de cerca de R$ 3,00/litro para uma faixa de R$ 2,3-2,5/litro para permitir essa realocação da demanda no posto de gasolina. Em termos equivalentes de açúcar, tal preço implica um piso de aproximadamente 13,5 ¢/lb. Considerando que o Brasil está em ano eleitoral, o que se soma a esse cenário já explicitamente baixista, o governo pode pressionar a Petrobras por alguns cortes nos preços da gasolina, o que empurraria os preços nas bombas para níveis mais baixos e, assim, fortaleceria a tendência.

Como resultado, espera-se que a tendência sazonal dos preços permaneça baixista para o adoçante, com alta limitada, a menos que ocorram alguns eventos extremos relacionados ao clima ou à geopolítica.

Como cenário final, é importante reconhecer que uma mudança completa e rápida para níveis mais baixos de mistura de açúcar é difícil de executar na prática. Atritos estruturais nos mercados de açúcar e combustível podem impedir que o sistema alcance um mix de açúcar de 46%. Isso inclui volumes de açúcar já vendidos e com preços fixados que não podem ser facilmente revertidos, bem como ajustes graduais e imperfeitos na demanda por combustível, que limitam a velocidade e a magnitude da absorção do etanol.

Dadas essas restrições do mundo real, a transição do Cenário Um para o Cenário Dois pode ser desafiadora. Portanto, apresentamos um terceiro cenário, que consideramos ter uma probabilidade maior, centrado em um mix intermediário de açúcar de aproximadamente 48,6%.

Estimativa da safra considerando um mix açúcar de 46,2% (esquerda), 48,6% (centro) e 50,6% (direita).

Fonte: UNICA, Hedgepoint

Nota: tanto o cenário de 46,2% quanto o de 48,6% exigiriam que os preços induzissem um maior consumo de hidratado para estabilizar os estoques.


Nessa configuração, o excedente nos fluxos comerciais globais de açúcar seria reduzido, mas não totalmente eliminado, o que implica que os preços continuariam tendendo para o piso da temporada. Embora ainda seja uma tendência de baixa, esse resultado pode refletir melhor as realidades operacionais e as fricções do mercado.

Em resumo

O mercado de açúcar continua estruturalmente com excesso de oferta, com o Brasil no centro da pressão baixista atual e futura. Mesmo sob premissas mais conservadoras sobre a mistura de açúcar e etanol, é improvável que os fluxos comerciais globais se reequilibrem totalmente, limitando o potencial de alta dos preços. Embora uma realocação agressiva da demanda por etanol possa, teoricamente, eliminar o excedente, as fricções operacionais e as restrições de preços tornam mais provável um ajuste parcial.

Inteligência de Mercado - Açúcar

Escrito por Lívea Coda
livea.coda@hedgepointglobal.com

Revisado por Carolina França
carolina.franca@hedgepointglobal.com

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