Jan 30 / Carolina França

Preços do cacau acumulam mais uma semana de queda

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  • O mercado segue precificando um cenário de excedente para os próximos ciclos, sustentado principalmente pela fraqueza persistente da demanda global, mais do que por um avanço expressivo da oferta.

  • As condições climáticas mais favoráveis na África Ocidental contribuem para melhorara nas expectativas de produção, embora fatores logísticos e institucionais influenciem o ritmo de entregas e os fluxos físicos.

  • Os dados de moagem confirmam um ambiente de consumo ainda enfraquecido nas principais regiões processadoras, com desempenho relativamente mais resiliente no mercado norte-americano.

  • A divulgação dos resultados financeiros das principais processadoras e fabricantes de chocolate, em um contexto de indicadores técnicos como o RSI em território de sobrevenda, pode manter a volatilidade elevada no curto prazo.

Preços do cacau acumulam mais uma semana de queda

Registrando mais uma semana de queda, os contratos do cacau encerraram a sexta-feira (30 de janeiro) cotados a 4.165 USD/t em Nova York e 2.913 GBP/t em Londres, após renovarem os menores níveis em dois anos e acumularem quedas semanais de 0,86% e 3,13%, respectivamente. Ainda sob a influência da perspectiva de superávit para o ciclo atual, notícias provenientes dos dois maiores produtores globais de cacau contribuíram para acentuar a volatilidade do mercado e dar suporte a movimentos técnicos observados ao longo da semana, além das movimentações do dólar.

Cacau – Preços do primeiro contrato

Fonte: LSEG

Na Costa do Marfim, o Conselho do Café-Cacau (CCC), órgão regulador do setor, anunciou que pretende realizar a compra de cerca de 100 mil toneladas de cacau excedente até o final de março, o que foi interpretado pelo mercado como sinal de maior estoque interno no país. O aumento do preço pago ao produtor para a safra 2025/26 contrasta com a recente e expressiva queda das cotações internacionais, o que tem desacelerado o ritmo de comercialização e favorecido a entrada de amêndoas oriundas de países vizinhos, contribuindo para a formação de estoques no país.

Nesse contexto, as entregas de cacau nos portos do país até 25 de janeiro somaram 1,2 milhão de toneladas, volume 3,46% inferior ao registrado no mesmo período da safra anterior. No entanto, vale ressaltar que parte desse desempenho pode estar relacionada à limitação temporária das entregas, anunciada pelo CCC no início de dezembro de 2025, medida adotada com o objetivo de aliviar o congestionamento portuário e estimular o escoamento das vendas.

Situação semelhante é observada em Gana, onde a mudança no modelo de comercialização adotada a partir do ciclo 2024/25 alterou a dinâmica das vendas. De forma adicional, o aumento do preço pago ao produtor tem contribuído para um ritmo mais lento de comercialização. Em conjunto, esses fatores podem gerar desafios operacionais, como eventuais atrasos nos pagamentos, o que tende a limitar os investimentos na lavoura e pode afetar o desempenho produtivo dos próximos ciclos, caso o cenário persista.

Além disso, tanto em Gana quanto, especialmente, na Costa do Marfim (maior produtor mundial) foram registradas chuvas acima da média em regiões relevantes durante o período seco, o que pode ter provocado impactos pontuais na logística e nos volumes de cacau entregues aos portos do país. Assim, de modo geral as condições climáticas observadas contribuem para melhorar as expectativas de produção no final da safra principal e para a safra intermediária, que tem início em abril. Contudo, o clima permanece como um fator de monitoramento contínuo.

Precipitação acumulada estimada para os distritos produtores de cacau da Costa do Marfim (mm)

Fonte: CPC Gadas, Hedgepoint

Precipitação acumulada estimada para as regiões produtoras de cacau de Gana (mm)

Fonte: CPC Gadas, Hedgepoint


Por outro lado, é importante observar que a perspectiva de excedente está mais associada à retração da demanda do que a um aumento significativo da oferta, o que tende a manter elevados os níveis de volatilidade do mercado.

Nesse contexto, além dos resultados de moagem das principais regiões processadoras terem indicado nova retração no último trimestre de 2025, o mercado permanece atento à divulgação dos resultados financeiros dos principais processadores e fabricantes de chocolate, alguns dos quais serão divulgados na próxima semana, com foco especial no comportamento dos volumes vendidos. Empresas com maior exposição ao mercado norte-americano podem apresentar desempenho relativamente mais favorável nesse indicador, caso acompanhem o padrão observado na região, onde a moagem registrou leve avanço, em contraste com a retração observada na Ásia e na Europa. Esse conjunto de fatores tende a manter o mercado mais sensível no curto prazo, especialmente considerando que os indicadores técnicos, como o RSI, permanecem em território de sobrevenda.

RSI cacau Nova York Março 26

Fonte: LSEG

RSI cacau Londres Março 26

Fonte: LSEG


Por fim, apesar das recentes correções, vale ressaltar que parte relevante da indústria adquiriu matéria-prima a preços ainda elevados, e que o cacau segue sendo negociado em patamares historicamente altos. Diante das medidas adotadas para adaptação a esse ambiente de preços, como ajustes de portfólio e reformulações de produtos, bem como das mudanças nos padrões de consumo, eventuais impactos positivos sobre a demanda tendem a ocorrer de forma gradual, limitando uma recuperação mais imediata da moagem.

Europa: Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (HICP) para o cacau e o chocolate em pó

Fonte: Eurostat

EUA: Índice de Preços ao Produtor para o setor de fabricação de chocolate e confeitos

Fonte: Federal Reserve Economic Data

Em resumo

O mercado de cacau segue pressionado pela perspectiva de excedente para o ciclo 2025/26, cenário que vem sendo reforçado por sinais de melhora nas condições produtivas na África Ocidental e, sobretudo, pela fraqueza persistente da demanda global. Na Costa do Marfim, chuvas acima da média em regiões-chave durante o período seco contribuem para melhores expectativas de produção no final da safra principal e para a safra intermediária, enquanto medidas institucionais e entraves de comercialização têm impactado o ritmo de entregas e a dinâmica dos estoques.

Os dados de moagem já divulgados confirmam um ambiente de consumo enfraquecido nas principais regiões processadoras, com exceção relativa do mercado norte-americano. Nesse contexto, o mercado acompanha de perto a divulgação dos resultados financeiros das principais processadoras e fabricantes de chocolate, com atenção especial ao comportamento dos volumes vendidos, o que pode trazer volatilidade adicional no curto prazo, especialmente em um cenário em que os indicadores técnicos, como o RSI, permanecem em território de sobrevenda.

Report Semanal — Cacau

Escrito por Carolina França
carolina.franca@hedgepointglobal.com

Revisado por Laleska Moda
laleska.moda@hedgepointglobal.com

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