Mar 6 / Carolina França

Mercado de cacau: principais destaques do Outlook 2026

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  • Mesmo com a expectativa de superávit na safra 2025/26, o balanço global segue sensível a mudanças nos fundamentos, mantendo o risco de volatilidade no mercado de cacau.

  • Problemas recentes de comercialização na Costa do Marfim e Gana, associados ao preço pago ao produtor, afetaram os fluxos de exportação e podem continuar influenciando a disponibilidade de amêndoas no curto prazo.

  • A possível ocorrência de El Niño no segundo semestre de 2026 pode afetar a safra 26/27, com potencial de trazer condições mais secas para a África Ocidental e maior ocorrência de doenças no Equador, dependendo da intensidade do fenômeno.

  • Apesar da recuperação recente dos preços, a tendência predominante do mercado ainda é baixista. No entanto, indicadores técnicos sugerem espaço para ajustes de curto prazo, o que pode favorecer recuperações técnicas e manter a volatilidade elevada no mercado.

Mercado de cacau: principais destaques do Outlook 2026

Os futuros do cacau encerraram a sexta-feira, 06 de março, em alta em relação à sessão anterior. Diferentemente das semanas anteriores, as cotações apresentaram uma valorização semanal de 11,8% em Nova York e 12,6% em Londres. Na ausência de mudanças relevantes nos fundamentos do mercado, os movimentos recentes são atribuídos principalmente a fatores técnicos, tema discutido previamente durante o Hedgepoint Outlook 2026 a respeito do mercado de cacau. Nesta análise apresentamos os principais assuntos abordados, juntamente com as atualizações mais recentes do mercado.

Demanda ainda sob pressão

Os dados indicam enfraquecimento nos principais mercados. Na União Europeia, maior região processadora de cacau, as importações de amêndoas recuaram 12,1% nos três primeiros meses da safra 25/26 em comparação ao mesmo período do ciclo anterior. Embora esse movimento não possa ser interpretado isoladamente como reflexo direto da moagem, devido ao papel relevante dos estoques, ele reforça um ambiente ainda marcado por preços elevados e restrições de oferta. Esse cenário contribuiu para a queda de 8,9% na moagem da região no quarto trimestre de 2025.

Nos Estados Unidos, outro importante mercado consumidor e processador, a dinâmica recente foi diferente. As importações líquidas totais de cacau, considerando amêndoas e subprodutos, aumentaram no início da safra 25/26 e voltaram a se aproximar dos níveis médios históricos. Parte desse movimento está associada ao aumento das compras de cacau do Equador, que tem se beneficiado de diferenciais mais competitivos e de condições de arbitragem mais favoráveis em relação às origens africanas.

Mesmo com esse comportamento relativamente mais resiliente nos Estados Unidos, a demanda global ainda poderá permanecer pressionada ao longo do restante da safra 25/26 e possivelmente também no início do ciclo seguinte. Uma parcela relevante da indústria adquiriu cacau a preços historicamente elevados, o que continua sustentando os custos de produção e mantendo os preços ao consumidor em níveis altos. Esse ambiente também levou a ajustes nos portfólios e reformulações de produtos adotadas pela indústria como forma de adaptação ao cenário de preços elevados.

Recuperação parcial na oferta

As condições climáticas nas principais origens têm sido acompanhadas de perto. Na Costa do Marfim, maior produtor mundial, o cenário climático até o momento é melhor que o observado no mesmo período da safra anterior, com precipitação acumulada próxima da média. Ainda assim, a falta de chuvas nas próximas semanas pode influenciar o volume e a qualidade da safra intermediária 25/26. A estimativa atual de produção para o país é de cerca de 1,78 milhão de toneladas.

Em Gana, a precipitação acumulada está acima da média, o que levanta preocupações sobre possíveis impactos na colheita e na ocorrência de doenças, fatores que vêm sendo monitorados. A produção do país é estimada em aproximadamente 650 mil toneladas para a safra atual.

No Equador, terceiro maior produtor mundial, a precipitação acumulada permanece abaixo da média histórica, embora esteja acima dos níveis observados no mesmo período do ciclo anterior. O país tem se destacado pelo aumento da produção nos últimos anos e, para o ciclo atual, esperamos uma produção em torno de 615 mil toneladas.

Balanço global

Com base nesse cenário, a estimativa atual aponta para um superávit global de cerca de 365 mil toneladas na safra 25/26, resultado de uma recuperação parcial da produção (+4,2%) combinada com retração da demanda (-3,0%). Ainda assim, apesar da expectativa de superávit, o balanço segue relativamente sensível, de modo que qualquer mudança nos fundamentos pode gerar impactos relevantes no equilíbrio do mercado de cacau e contribuir com a volatilidade do mercado.


Oferta e demanda global de cacau (‘000 tons)

Fonte: : ICCO, Hedgepoint


Pontos de atenção para 2026


O preço pago ao produtor tem sido um fator importante para entender os recentes problemas nos fluxos comerciais de Costa do Marfim e Gana. Com a queda das cotações internacionais, os preços internos definidos pelos reguladores em ambos os países chegaram a ficar acima dos níveis de mercado, o que gerou dificuldades nas comercializações e afetou o ritmo das exportações. Durante o Hedgepoint Outlook 2026, nossa expectativa era de que a Costa do Marfim realizasse um corte no preço pago ao produtor, movimento que acabou sendo confirmado nesta semana. Na quarta-feira, 04 de março, o país anunciou uma redução de cerca de 57%, para 1.200 francos CFA por kg. Gana já havia realizado um ajuste semelhante anteriormente.

Preços de referência da Costa do Marfim (XOF/t)

Fonte: LSEG

Preços de referência de Gana (GHS/t)

Fonte: LSEG

Além disso, a Costa do Marfim decidiu antecipar o início da safra intermediária de abril para março, na tentativa de melhorar a comercialização dos estoques remanescentes da safra principal, em um momento em que a qualidade de parte das amêndoas também tem sido uma preocupação para o mercado. Esse movimento pode contribuir para a normalização do fluxo de exportações a partir deste mês, com possíveis impactos sobre os fluxos comerciais, especialmente para o mercado europeu, principal destino das amêndoas africanas. Dependendo do ritmo das exportações e produção, essa mudança também pode levar a revisões nas estimativas do país, já que a antecipação da safra intermediária pode influenciar o calendário da próxima safra 26/27.

Outro ponto relevante para o mercado em 2026 é o aumento da probabilidade de ocorrência de um evento de El Niño no segundo semestre. Considerando o calendário das safras nos principais países produtores, esse período coincide com o desenvolvimento e o início da colheita da safra principal 26/27, além do florescimento que dará origem à safra intermediária do mesmo ciclo. Caso confirmado e dependendo de sua intensidade, o fenômeno pode trazer condições mais quentes e secas para a África Ocidental, aumentando os riscos de déficit hídrico nas lavouras, enquanto no Equador tende a provocar aumento das chuvas e maior pressão de doenças.

Do ponto de vista técnico, o mercado continua refletindo um viés baixista. O RSI em ambos os mercados, Nova York e Londres, permanece próximo ao território de sobrevenda, o que pode abrir espaço para ajustes de curto prazo, incluindo realização de lucros e cobertura de posições vendidas por parte dos fundos. Esse movimento pode ter contribuído para a recuperação observada ao longo da semana. Além disso, a recente escalada do conflito no Oriente Médio, que impacta o cenário macroeconômico e o mercado global de commodities, também pode ter contribuído para o comportamento das cotações. Os impactos no mercado de cacau, como custo de produção, frete, logística e fluxos comerciais serão abordados na próxima análise.

Cacau – Nova York Mai 26: Retração de Fibonacci (USD/t)

Fonte: LSEG

Cacau – Londres Mai 26: Retração de Fibonacci (GBP/t)

Fonte: LSEG

Em resumo

Mesmo com a perspectiva de superávit para a safra 25/26, o mercado de cacau ainda deve permanecer marcado por volatilidade no curto e médio prazo. A expectativa de maior disponibilidade sustenta um viés baixista para as cotações, porém fatores como clima, ajustes técnicos e decisões nas principais origens continuam influenciando o comportamento dos preços.

Report Semanal — Cacau

Escrito por Carolina França
carolina.franca@hedgepointglobal.com

Revisado por Lívea Coda
livea.coda@hedgepointglobal.com

www.hedgepointglobal.com

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