Jul 31 / Carolina França

Live com Especialistas edição de julho: principais destaques

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O mercado de cacau permanece volátil, refletindo uma combinação de incertezas macroeconômicas, ajustes nos fluxos globais de oferta e demanda e riscos climáticos iminentes. Nesse contexto, esta análise visa consolidar os principais pontos discutidos durante a Live com Especialistas, realizada em 30 de julho, reunindo destaques da visão macroeconômica, da dinâmica de oferta e demanda de cacau, dos fatores climáticos e do equilíbrio do mercado, a fim de contextualizar os recentes movimentos de preços e os riscos futuros associados.

Live com Especialistas edição de julho: principais destaques

O mercado de cacau permanece volátil, refletindo uma combinação de incertezas macroeconômicas, ajustes nos fluxos globais de oferta e demanda e riscos climáticos iminentes. Nesse contexto, esta análise visa consolidar os principais pontos discutidos durante a Live com Especialistas, realizada em 30 de julho, reunindo destaques da visão macroeconômica, da dinâmica de oferta e demanda de cacau, dos fatores climáticos e do equilíbrio do mercado, a fim de contextualizar os recentes movimentos de preços e os riscos futuros associados.


Cenário Macroeconômico e Preços

Apesar da assinatura de um Memorando de Entendimento entre Estados Unidos e Irã no mês anterior, as tensões geopolíticas voltaram a ganhar força no início de julho, trazendo novamente preocupações para o mercado de energia e para a economia global. Ao longo do mês, houve uma pausa não oficial nos ataques e declarações mais conciliatórias por parte do governo americano, mas a possibilidade de retomada do conflito manteve o tema como um importante fator de risco para os mercados.

No campo monetário, o Federal Reserve manteve as taxas de juros inalteradas pela quinta reunião consecutiva, enquanto o mercado passou a concentrar as atenções na decisão de setembro. Na Europa, a inflação desacelerou mais do que o esperado, reforçando a decisão do BCE de manter os juros estáveis. Somado ao aumento das preocupações climáticas e aos primeiros sinais de recuperação da demanda, esse ambiente contribuiu para a alta do mercado de cacau em julho, mostrando um cenário mais altista em comparação com os meses anteriores.

Demanda

O principal destaque do mês foi a divulgação dos resultados de moagem do segundo trimestre de 2026. Os números mostraram resultados mistos entre as regiões processadoras, com queda na Europa e crescimento na Ásia e na América do Norte.

Na Ásia, o desempenho positivo foi impulsionado principalmente pela Malásia e pela Indonésia. A Malásia apresentou forte avanço nas exportações de pasta de cacau, enquanto a Indonésia registrou crescimento nas exportações de pó. Esses resultados reforçam os sinais de uma demanda mais aquecida na região, tendência que já vinha sendo observada por meio dos resultados de grandes processadores e fabricantes de chocolate.

Por outro lado, a Europa registrou nova queda na moagem, possivelmente influenciada pelo menor volume de importações de amêndoas e pelo aumento das importações de produtos processados, especialmente da Costa do Marfim. Já a América do Norte apresentou crescimento de 7,7%, sustentado por maiores importações de amêndoas e derivados. No consolidado, os resultados das principais regiões apontaram aumento de 6% na moagem em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, reforçando sinais de um possível início de recuperação da demanda global, embora parte desse movimento já estivesse precificada pelo mercado.

Entretanto, o retorno dos preços do cacau para patamares mais elevados ao longo de julho permanece como ponto de atenção, o que pode limitar ou desacelerar essa recuperação inicial caso os custos mais altos voltem a pressionar a demanda nos próximos trimestres.

Oferta e Clima

Na Costa do Marfim, a combinação de chuvas próximas da média, melhora das condições climáticas e entregas aos portos superiores às do ano passado levou à revisão da estimativa de produção para 1,9 milhão de toneladas em 2025/26. Ainda assim, diante de relatos de menor taxa de formação de frutos nas árvores e dos riscos climáticos, a nossa expectativa para 2026/27 é de queda de aproximadamente 9% na produção, em torno de 1,8 milhão de toneladas. 


Em Gana, a estimativa para 2025/26 foi mantida em 650 mil toneladas, mas também há previsão de redução da produção na próxima safra. O excesso de chuvas continua sendo um ponto de atenção, especialmente pelos riscos relacionados ao desenvolvimento de doenças. Nesse sentido, estimamos uma produção de cerca de 595 kt para o país. No Equador, as projeções permanecem estáveis em 600 kt para 2025/26 e valor aproximado para 2026/27, embora o monitoramento das condições climáticas siga necessário devido à combinação de precipitações abaixo da média e temperaturas elevadas.

O principal fator de risco para a oferta continua sendo o possível desenvolvimento de um El Niño forte entre agosto e novembro. A maior preocupação está relacionada aos efeitos do fenômeno durante o desenvolvimento dos frutos do final da safra principal e florescimento que origina a safra intermediária de 2026/27.

Entretanto, é importante destacar que não existe uma relação direta entre eventos de El Niño e a produção na África Ocidental, o que exige acompanhamento contínuo da evolução climática e como o evento vai influenciar nos padrões climáticos regionais. Dessa forma, nossas estimativas já incorporam parte dos possíveis impactos do fenômeno, mas ainda mantemos uma postura cautelosa enquanto aguardamos maior definição sobre sua intensidade e seus efeitos nas principais regiões produtoras.


Balanço


Após as revisões realizadas, a projeção atual aponta para um superávit global de 416 mil toneladas em 2025/26, resultado de uma combinação de aumento parcial da oferta e retração da demanda global.

Para 2026/27, a expectativa também continua sendo de superávit, porém em menor magnitude, estimado em 190 mil toneladas. Assim, embora o mercado tenha adotado um sentimento mais altista nas últimas semanas devido aos riscos climáticos e aos sinais de recuperação da demanda, o consenso ainda aponta para um cenário de excedente global. Dessa forma, a oferta mais confortável no curto prazo tende a limitar movimentos de alta mais expressivos e prolongados, embora os preços continuem sujeitos à volatilidade à medida que novas informações sobre clima, produção e demanda forem divulgadas.

Oferta e demanda globais de cacau (‘000 tons)

Fonte: ICCO, Hedgepoint

Em resumo

O mercado de cacau encerra julho com um viés mais altista, sustentado pela combinação de fatores macroeconômicos, sinais iniciais de recuperação da demanda e aumento das preocupações com os possíveis impactos do El Niño sobre a produção da safra 2026/27. Apesar da alta dos preços, a oferta de curto prazo segue relativamente confortável, com estoques certificados e entregas nos portos da Costa do Marfim acima dos níveis observados no ciclo anterior. Assim, embora os riscos climáticos continuem dando suporte ao mercado, o consenso ainda aponta para um cenário de superávit global nos próximos ciclos, o que pode limitar movimentos de alta mais prolongados.

Report Semanal — Cacau

Escrito por Carolina França
carolina.franca@hedgepointglobal.com

Revisado por Luiz Silvério
luiz.silverio@hedgepointglobal.com

www.hedgepointglobal.com

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