
As taxas de 50% de Trump sobre produtos brasileiros podem afetar o mercado de café?
- Na quarta-feira (09), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs fortes tarifas de 50% sobre as exportações do Brasil, a maior economia da América Latina – e maior produtor de café – em vez das taxas de 10% indicadas anteriormente em abril, trazendo volatilidade para o real. Após o anúncio, o presidente Lula afirmou que o Brasil consideraria medidas recíprocas caso as negociações não avançassem.
- O Brasil é o 15º parceiro comercial dos EUA, atualmente com déficit comercial com o país. Entre as principais exportações brasileiras para os EUA estão petróleo bruto, aço semiacabado, ferro-gusa e café, entre outros produtos agrícolas.
- Embora o Brasil agora detenha as tarifas mais altas entre os parceiros comerciais, os EUA também impuseram taxas a outros países e, como importador líquido de bens, nossa principal preocupação está nos impactos na inflação do país.
- Os EUA também são o maior consumidor mundial de café, com o café brasileiro respondendo por cerca de 30% de todas as importações americanas do produto. Assim, se as tarifas atuais forem implementadas, elas poderão impactar os preços do café no país e afetar as importações.
- É importante notar que o Brasil não é apenas o maior produtor de café, mas também possui a maior disponibilidade nesta época do ano, pelo menos quando se trata de café arábica, já que a maioria das outras origens está na entressafra.
As taxas de 50% de Trump sobre produtos brasileiros podem afetar o mercado de café?
Esta semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, lançou uma nova fase de sua política externa, surpreendendo o mundo com novas tarifas sobre as importações de cobre de até 50% e novas taxas sobre muitos parceiros, incluindo o Brasil, que pode enfrentar uma enorme taxa de 50% sobre seus produtos a partir de 1º de agosto, em vez das taxas de 10% indicadas em abril. Trump justificou as taxas citando uma lei brasileira recentemente adotada que autoriza o governo a tomar contramedidas proporcionais e como retaliação pelo processo em andamento contra o ex-presidente do país, Jair Bolsonaro. Após o anúncio, o presidente Lula afirmou que o Brasil consideraria medidas recíprocas caso as negociações não avançassem.
O Brasil, maior economia da América Latina e 15º maior parceiro comercial dos EUA, agora enfrentará as maiores tarifas americanas, além de manter um déficit comercial com o último. As principais exportações dos EUA para o Brasil são aeronaves comerciais, produtos petrolíferos, carvão e semicondutores, enquanto as principais exportações do Brasil para os EUA são petróleo bruto, aço semiacabado, ferro-gusa e café, além de outros produtos alimentícios, como suco de laranja, carne e ovos.
Novas tarifas entrarão em vigor em 1º de agosto

Fonte: LSEG, Hedgepoint
Após os anúncios, o dólar subiu em relação a outras moedas, especialmente as dos países afetados, como o iene e o real, que havia se valorizado nos últimos meses, especialmente após o aumento da taxas de juros brasileira em junho. A força da moeda americana também decorre de indicadores econômicos robustos de dias anteriores, como a resiliência de seu mercado de trabalho.
No entanto, a preocupação imediata para o mercado é um possível aumento da inflação como resultado da imposição de tarifas a parceiros comerciais, como o Brasil, especialmente porque os EUA são um importador líquido de bens, o que também poderia deixar menos espaço para futuros cortes nas taxas de juros. Nesse sentido, apesar da recuperação do valor do dólar durante a semana, o índice permanece próximo ao seu menor patamar em três anos e meio, tendo recuado cerca de 10% neste ano.
Isso pode ser explicado principalmente pelos investidores que veem a economia dos EUA como um risco, dadas todas as incertezas comerciais e econômicas, com o dólar perdendo parte de seu lugar como moeda de "porto seguro". Além da atual volatilidade nas políticas comerciais, o mercado observa de perto o corte de impostos proposto por Trump e o projeto de lei de gastos (que contribuíram para a fraqueza do índice do dólar americano) e os próximos movimentos do Fed.

Fonte: LSEG

Fonte: U.S. International Trade Commission
Em relação ao mercado de café, uma cobrança de 50% sobre produtos brasileiros poderia ter um impacto direto no setor, já que não só o Brasil é o maior produtor do mundo, mas os EUA são seu maior importador. Nas últimas temporadas, os grãos brasileiros responderam por cerca de 30% de todas as importações de café dos EUA. Se os grãos forem tributados em 50%, isso afetaria os preços do café para os americanos e possivelmente resultaria em menores embarques para os EUA e mudanças no fluxo mundial de café.
Vale ressaltar que, apesar do aumento dos preços do café, os dados de importação de café dos EUA mostraram uma recuperação próxima aos níveis médios até agora na temporada 24/25, após cair nas temporadas 23/24 e 22/23. Embora os preços do café estejam mais altos do que nos anos anteriores, o impacto na renda dos consumidores é menor do que em economias como o Brasil, onde o produto ainda recebe uma parte maior da renda.
No entanto, novos aumentos de preços podem impactar as importações e a demanda, especialmente porque o Brasil é o maior parceiro comercial de café dos EUA e atualmente pode atender à demanda do país. O Brasil também tem uma maior disponibilidade de café no momento, já que a maioria dos outros países, especialmente aqueles que produzem arábica, estão na entressafra. Além disso, outros grandes players, como o Vietnã, têm altas taxas de impostos (atualmente, taxas de 20%), o que pode impactar ainda mais os preços e a demanda do café nos EUA. Embora sejam possíveis mudanças na política tarifária de Trump, é provável que vejamos mais volatilidade do mercado nos próximos meses.

Fonte: U.S. International Trade Commission

Fonte: US Bureau of Labor Statistics, Hedgepoint, Hedgepoint
Em resumo
Em uma escalada significativa da política comercial dos EUA, o presidente Donald Trump anunciou novas tarifas sobre importações de cobre e produtos de vários países, incluindo o Brasil. Os produtos brasileiros agora enfrentam tarifas de até 50%, muito acima dos 10% originalmente propostos. A medida, que Trump vincula às mudanças legislativas brasileiras e à acusação do ex-presidente Bolsonaro, o que levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a anunciar medidas recíprocas caso as negociações fracassem.
O Brasil, a maior economia da América Latina e o 15º parceiro comercial mais significativo dos Estados Unidos, agora enfrenta as tarifas mais altas entre os parceiros dos EUA, apesar de manter um déficit comercial com o país. Após o anúncio, o dólar americano se fortaleceu em relação a várias moedas, incluindo o real brasileiro. No entanto, ainda existem muitas incertezas em relação às políticas dos EUA e às implicações futuras na economia, especialmente porque o país é um importador líquido e as tarifas atuais podem aumentar a inflação. As decisões futuras do Fed também devem ser monitoradas de perto.
Quanto ao mercado de café, a tarifa de 50% sobre as importações brasileiras pode representar riscos significativos, já que o Brasil é o maior produtor global e o principal fornecedor dos Estados Unidos, respondendo por aproximadamente 30% de suas importações de café. Embora dados recentes sugiram uma recuperação nos volumes de embarque, o aumento das tarifas pode aumentar os preço, mudar o fluxo comercial e impactar a demanda dos EUA. Fatores adicionais, como a taxa de 20% existente no Vietnã e a disponibilidade reduzida de outras nações produtoras de arábica, podem contribuir para uma maior volatilidade nos preços do café e nos padrões de comércio global.
Relatório Semanal — Café
Escrito por Laleska Moda
laleska.moda@hedgepointglobal.com
Revisado por Carolina França
carolina.franca@hedgepointglobal.com
www.hedgepointglobal.com
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