
Uma semana volátil para o café
- O café enfrentou uma semana volátil. Até quarta-feira (16), os futuros do arábica e do robusta subiram devido à incerteza em torno da tarifa de 50% proposta pelos EUA sobre os produtos brasileiros. Também houve relatos de torrefadores americanos buscando antecipar o desembarque de café brasileiro no país antes que as tarifas entrem em vigor.
- No entanto, os preços, especialmente os do robustas, perderam parte do suporte no final da semana depois que o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil) anunciou negociações comerciais avançadas com o governo dos EUA. Vale lembrar também que o Robusta tem maior disponibilidade devido a uma grande safra no Brasil e maior disponibilidade em Uganda e na Indonésia.
- Como o Brasil continua sendo o maior fornecedor de café para os EUA, espera-se que a volatilidade do mercado persista - pelo menos até que discussões mais concretas em torno das tarifas ocorram
- No Brasil, a comercialização continua lenta devido às incertezas atuais, com os agricultores vendendo abaixo dos níveis médios. As exportações também estão refletindo a menor venda de agricultores, já que os embarques de arábica e robusta estão abaixo dos níveis da temporada anterior.
Uma semana volátil para o café
Os preços do café oscilaram esta semana, refletindo as incertezas contínuas do mercado, à medida que os participantes continuam a absorver o anúncio das tarifas americanas de 50% sobre os produtos brasileiros. Os EUA são o maior consumidor de café do mundo, enquanto o Brasil é o maior produtor e fornecedor mundial e dos EUA. De acordo com uma pesquisa realizada pela Associação Nacional de Café do país (NCA), cerca de 66% (ou dois terços) dos adultos americanos bebiam café diariamente em janeiro de 2025, com média de 3 xícaras da bebida por dia. Esse nível de consumo reflete uma penetração constante no mercado consistente com os últimos 4 anos, apesar da inflação e dos preços mais altos.
No entanto, o Índice de Preços ao Consumidor já subiu em junho, com o início do repasse das tarifas e, com as taxas sobre os produtos brasileiros, os preços do café seriam afetados, pois os importadores dos EUA serão os responsáveis por pagar os custos adicionais e repassá-los aos consumidores. Essa perspectiva também levou alguns traders a apressar os embarques do Brasil no início da semana.
Embora as novas importações do Brasil provavelmente não cheguem aos portos dos EUA até 1º de agosto, foi relatado que alguns comerciantes estavam desviando navios no meio da viagem ou cancelando paradas em outros portos para que os contêineres de café brasileiro pudessem chegar aos EUA mais cedo. Também houve relatos de importadores enviando café brasileiro que atualmente está nos estoques de países como Canadá e México para os EUA, a fim de evitar as tarifas.
LN Robusta (USD/mt), Arabica e Arbitragem (c/lb)

Fonte: LSEG
Esse movimento também se refletiu na alta dos futuros do arábica nos últimos dias, já que o Brasil tem uma maior disponibilidade de arábica no momento atual. Com a maioria dos outros produtores em sua entressafra, o Brasil assumiu um papel de liderança no fornecimento, empurrando o contrato de setembro para mais perto do nível de 310 c/lb na quarta e quinta-feira.
Os futuros do robusta subiram 8,8% na segunda-feira, mas os preços perderam suporte no final da semana devido à maior disponibilidade da variedade. Além disso, na quarta-feira, o presidente-executivo do Cecafé, Marcos Matos, afirmou que o grupo não está considerando uma pausa no fornecimento de café para os EUA. O governo e o setor brasileiro também estão trabalhando no assunto, com o café ocupando o centro das negociações em andamento sobre as tarifas dos EUA.
Separadamente, desde abril, a Associação Nacional de Café (NCA) dos EUA está em negociações com representantes do governo Trump. O objetivo é incluir o café brasileiro na lista de produtos estratégicos, o que o isentaria de novas tarifas. No entanto, nenhum acordo foi alcançado até agora.

Fonte: Safras & Mercado

Fonte: Safras & Mercado
Embora não haja riscos climáticos imediatos e 77% da safra de café do Brasil já tenha sido colhida, a incerteza continua em torno das tarifas e fluxo comercial dos EUA, o que provavelmente manterá a volatilidade do mercado. O cenário atual também é de vendas mais lentas no Brasil. Muitos agricultores optaram por ficar fora do mercado nos últimos meses, após uma queda nos preços impulsionada pela pressão de oferta relacionada à colheita, levando a dados de comercialização abaixo da média. Em junho, as vendas do Arábica ficaram em 29%, enquanto as do Robusta, em 35%, ambas abaixo da média de 38% do período. Com novas preocupações surgindo em torno da política comercial, as condições lentas do mercado podem continuar.
A menor comercialização também se refletiu nos embarques do Brasil. As exportações de arábica em junho atingiram apenas 1,8 milhão de sacas, 26,9% a menos do que no mesmo período de 2024 e abaixo da média de cinco anos. Enquanto as 476,3 mil sacas de robusta embarcadas em junho ficaram acima da média, as exportações ainda permaneceram 42,2% menores em relação ao ano anterior.

Fonte: Cecafé

Fonte: Cecafé
Em resumo
Os preços do café seguiram voláteis nesta semana, com o mercado ainda respondendo ao anúncio de uma tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros. Como os EUA são o maior consumidor de café do mundo e o Brasil seu principal produtor e fornecedor, as tarifas representam desafios para o setor e para o fluxo de café para os EUA. Isso levou alguns traders a apressar os embarques do Brasil no início desta semana, elevando os preços, especialmente do café arábica.
Enquanto isso, representantes comerciais de ambos os países estão ativamente engajados nas negociações comerciais, embora nenhum acordo tenha sido alcançado até o momento. Isso continua a representar desafios e criar incerteza no mercado. Esse cenário deve manter os preços voláteis e a atividade comercial moderada nos próximos meses, especialmente no Brasil. Atualmente, a comercialização no país está abaixo dos níveis médios, contribuindo para menores volumes de exportação.
Relatório Semanal — Café
Escrito por Laleska Moda
laleska.moda@hedgepointglobal.com
Revisado por Carolina França
carolina.franca@hedgepointglobal.com
www.hedgepointglobal.com
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