Sep 15 / Laleska Moda

Efeito Tarifário: Exportações Brasileiras de Café caem em relação a 2024

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  • As exportações brasileiras de café totalizaram 3,1 milhões de sacas em agosto. Embora esse número tenha sido superior ao registrado em julho, ainda ficou abaixo dos níveis observados em agosto de 2024 e da média histórica. A queda era esperada devido às exportações recordes do ano passado, à safra brasileira menor em 25/26 e à falta de vendedores brasileiros. Isso levou a uma retração nas exportações para os principais destinos neste ciclo.

  • No entanto, os resultados também refletiram a atual tarifa de 50% sobre o café brasileiro imposta pelos EUA. As exportações totais para o país em agosto caíram 46,4% em relação a 2024 e 48,6% em relação à média de cinco anos para o mês. As exportações de Arábica e Conilon reduziram significativamente em relação ao ano passado.

  • A redução do volume das exportações brasileiras para os EUA continua a sustentar os preços devido à expectativa de queda nos estoques americanos. Os estoques certificados também continuam a diminuir, reforçando ainda mais a oferta restrita no curto prazo.

Efeito Tarifário: Exportações Brasileiras de Café caem em relação a 2024

Os preços futuros do café continuam subindo, apoiados principalmente pelos dados das exportações brasileiras de agosto e pelas preocupações com a oferta de curto prazo. Segundo o Cecafé, embora superior a julho, os embarques somaram 3,1 M de sacas em agosto, uma queda de 17,5% em um ano. No acumulado 25/26 (jun-ago) houve redução de 24% em relação a 24/25. As exportações acumuladas de arábica caíram 19,4% em relação a 24/25, com um total de 6,07 M de sacas na temporada. Os embarques de robusta totalizaram 1,55 M de sacas até agosto, uma queda de 41,7% em relação ao mesmo período do ciclo passado.  

Exportações menores eram esperadas este ano devido à menor produção de arábica no Brasil, à falta de interesse dos agricultores em novas vendas e ao fato de 2024 ter sido um ano de embarques recordes. Isso também levou a uma redução dos embarques para a maioria dos principais destinos do café brasileiro, como a UE e os EUA, embora o Japão tenha aumentado suas importações de cafés arábica e conilon do Brasil. 

Exportações Brasileiras: Arábica (M sacas)
Exportações Brasileiras: Conilon/Robusta ('000 sacas)

Fonte: Cecafé

Fonte: Cecafé

No caso dos EUA, a atual tarifa de 50% sobre o grão brasileiro também intensificou o movimento, como afirmou o Cecafé na semana passada. As exportações brasileiras para os EUA em agosto totalizaram apenas 301,09 mil sacas de café, uma queda de 46,4% em relação ao ano passado e muito abaixo da média histórica.

As exportações de arábica para os EUA totalizaram 244,7 mil sacas no mês passado, uma queda de 49,5% em relação a 2024, enquanto os embarques de conilon caíram 75,1% no mesmo período, com apenas 9,5 mil sacas. O desempenho também está muito abaixo dos números médios de exportação para o país. Cumulativamente, os embarques do Brasil para os EUA também estão abaixo de 2024 e da média, com volume total de 1,1 M de sacas em 25/26 (jun-ago), queda de 26,3% em relação aos 1,6 M sacas de 24/25.

Exportações Brasileiras por Destino – Arábica ('000 sacas)
Exportações Brasileiras por Destino – Conilon/Robusta ('000 sacas)

Fonte: Cecafé

Fonte: Cecafé

Espera-se que a recente redução nas exportações brasileiras de café para os EUA resulte em um declínio de curto prazo nos estoques do país. Embora o aumento dos preços possa diminuir a demanda americana, os estoques mais baixos no em meio à entressafra de outras origens produtoras de arábica aumentam o risco de escassez de oferta, o que está sustentando os preços. Além disso, os estoques certificados continuam a diminuir (ver relatório), reforçando ainda mais a oferta apertada de curto prazo.

Enquanto isso, o clima segue seco no Brasil, atrasando o florescimento da safra 26/27 de arábica. As previsões sugerem que as chuvas podem não retornar até o final de setembro, e as preocupações com um possível evento La Niña entre outubro e dezembro estão adicionando incerteza ao próximo ciclo de produção. 

Esses fatores estão contribuindo para a elevada volatilidade dos preços no curto prazo, com os fundos aumentando suas posições compradas. Isso também levou o contrato de arábica de dezembro a voltar para os 417 c / lb nesta segunda-feira, 15.

Exportações totais brasileiras para os EUA ('000 sacas)

Efeito Tarifário: Projeção das Exportações Brasileiras para os EUA (M sacas)

Fonte: Cecafé

Fonte: Hedgepoint

Apesar dos desafios atuais, uma correção de preços no médio prazo ainda é possível, particularmente para os preços e diferenciais domésticos brasileiros. Primeiro, as florações nas áreas de arábica permanecem mínimas, com pouco impacto da falta de chuva por enquanto. Portanto, se os níveis de precipitação voltarem mais próximos da média a partir do final de setembro, ainda há a possibilidade de uma maior produção de arábica no próximo ciclo, enquanto as perspectivas de Conilon permanecem positivas para o ciclo 26/27. 

Além disso, embora a produção brasileira de arábica para 25/26 seja menor, o declínio nas exportações - particularmente para os EUA - sugere um aumento de curto prazo nos estoques domésticos. Se essa tendência continuar, o excedente de café que de outra forma seria exportado pode permanecer no mercado local, aumentando a disponibilidade nos próximos meses e potencialmente pressionando os diferenciais brasileiros.

Esse cenário, no entanto, permanece dependente das perspectivas climáticas no Brasil. Assim, quaisquer mudanças nas tarifas comerciais ou nas condições climáticas podem levar a flutuações significativas de preços, para cima ou para baixo, à medida que o mercado continua sensível à oferta.

Em resumo

Os preços do café permanecem altamente sensíveis a mudanças nas perspectivas de oferta. Atualmente, a perspectiva de curto prazo permanece altista, principalmente devido ao declínio previsto nos estoques de café dos EUA. As tarifas americanas de 50% sobre o grão brasileiro já estão impactando os números das exportações do Brasil para os EUA, resultando em uma queda significativa em agosto.

Embora fosse esperada uma queda nos embarques para a safra 2025/26 devido a uma safra menor, as incertezas atuais reforçam a retração dos agricultores brasileiros do mercado, o que continua contribuindo para a escassez de oferta no curto prazo, especialmente porque a maioria das outras origens está na sua entressafra. 

No entanto, uma correção de preços no médio prazo ainda é possível, particularmente para os preços domésticos e diferenciais brasileiros. Esse cenário, no entanto, permanece dependente das perspectivas meteorológicas no Brasil e a da resolução das tarifas americanas sobre o café brasileiro. 



Relatório Semanal — Café

Escrito por Laleska Moda

laleska.moda@hedgepointglobal.com

Revisado por Luiz Silverio
luiz.silverio@hedgepointglobal.com

www.hedgepointglobal.com

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