Mercado cafeeiro aguarda novos fundamentos
- O mercado cafeeiro tem estado, em geral, lento em 2026, já que a maioria dos agentes aguarda novos fundamentos. Todos continuam atentos ao desenvolvimento da safra 26/27 no Brasil e à oferta do país em sua entressafra, bem como à comercialização em outras origens.
- O clima no Brasil tem sido favorável ao desenvolvimento do próximo ciclo, embora o comércio no país esteja lento. As exportações também continuam em níveis mais baixos do que na safra 24/25.
- Em outras origens, o comércio também tem sido morno, já que os agricultores não estão satisfeitos com os preços atuais.
- Esses fatores têm contribuído para níveis ainda elevados de spread entre os contratos de curto prazo, especialmente para o Arábica.
- O spread maio-julho, no entanto, vem diminuindo nos últimos dias, refletindo as expectativas de um aumento na oferta com a safra no Brasil em meados de 2026.
Mercado cafeeiro aguarda novos fundamentos
O mercado de café tem estado silencioso nos últimos dias, pois o mercado aguarda novos fundamentos. Embora no início de 2026 os preços tenham subido e novas vendas foram relatadas, isso foi principalmente um reflexo dos temores em relação a possíveis conflitos entre a Colômbia – um dos maiores produtores de café do mundo – e os EUA, após a operação militar país norte-americano na Venezuela. No entanto, como o impasse diplomático entre as duas nações perdeu intensidade nas últimas semanas, os agentes do mercado do café voltaram sua atenção para o desenvolvimento da safra 26/27 no Brasil e a colheita da safra 25/26 em outros produtores, com reportes de negócios mais calmos nessas primeiras semanas de 2026.
LN-Robusta (USD/mt), NY-Arabica e Arbitragem (c/lb) (1º contracto)

Fonte: LSEG
No Brasil, o clima tem sido favorável para o desenvolvimento do próximo ciclo desde o ano passado. Apesar da onda de calor no país no final de 2025, as chuvas têm sido mais constantes e ajudado na fase de enchimento dos grãos (veja nosso relatório). Houve relatos de queda de frutos em certas regiões de Arábica, mas na maioria dos casos, isso tem sido associado ao alto volume de grãos de café nas árvores e considerado um comportamento normal, sem afetar os números finais da produção.
Portanto, por enquanto, nossas estimativas de produção permanecem inalteradas – variando entre 46,5 e 49,0 milhões de sacas de arábica –, embora revisemos esses números entre março e abril, período em que será possível obter dados mais precisos.
Para o Conilon, tempestades atingiram o estado do Espírito Santo (o maior produtor) nos últimos dias, trazendo grandes volumes de chuvas. Por enquanto, não há relatos de impacto negativo nas áreas de produção de café, mas o clima deve ser monitorado de perto nos próximos meses, pois as plantas ainda estão na fase de enchimento dos grãos. Assim como para o Arábica, nossos números de produção para o Conilon serão atualizados entre março e abril.
Uma boa produção de Conilon e uma produção maior de Arábica podem levar a uma safra recorde no Brasil em 26/27 e pressionar os preços para baixo nos próximos meses. No entanto, atualmente, o menor interesse em novas vendas tem mantido algum suporte para os preços. As vendas estão em ritmo lento, pois os agricultores estão bem capitalizados e não estão interessados nos preços atuais. Houve algum movimento na primeira semana de 2026, quando o contrato do Arábica março/26 atingiu 382 c/lb, mas o mercado interno tem estado silencioso desde então, contribuindo para a volatilidade relativamente menor do mercado nos últimos dias.
As exportações brasileiras da safra 25/26 do país também continuam apresentando desempenho inferior em comparação com o último ciclo. Os embarques totais ficaram em 3,13 milhões de sacas em dezembro de 2025, 20,2% abaixo de 2024, com uma queda de 10% nos números do Arábica (2,63 milhões de sacas) e de 61,1% para o Conilon (222,15 mil sacas). Além do ritmo lento das vendas, as tarifas americanas em vigor sobre o café solúvel também contribuíram para a queda. Também era esperada uma redução nas exportações em comparação com o ciclo 24/25, dado o recorde desse indicador na última temporada.

Fonte: Cecafé

Fonte: Cecafé
O comércio em outros países produtores, como Colômbia, Vietnã e Indonésia, também tem sido moderado. Na Indonésia, a oferta é limitada, pois o país está em baixa temporada, com muitos agricultores focados no desenvolvimento da safra 26/27. As preocupações atuais com o impacto do clima de janeiro no próximo ciclo, com alguns relatos de queda de cerejas devido ao alto volume de chuva, também podem levar os produtores a adiar novas vendas.
No Vietnã, embora muitos exportadores estejam buscando comprar, os agricultores ainda estão vendendo um baixo volume de grãos da safra 25/26, atualmente em colheita. Isso reflete uma queda nos valores desde o início de 2025, quando os preços internos estavam acima de 150.000 dongs devido à escassez de Robusta em todo o mundo, enquanto em 2026, o café está sendo negociado abaixo de 100.000 dongs.
Por fim, na Colômbia, também tem havido uma preocupação crescente com o impacto dos preços mais baixos nas vendas, embora isso também reflita a valorização do peso colombiano nos últimos meses. Em comunicado, Germán Bahamón, gerente geral da Federação Nacional dos Cafeicultores, Fedecafé, apontou que a valorização do peso gerou prejuízos para os produtores e reduziu a competitividade do grão do país em 2025, impactando o setor. Isso também pode levar os agricultores a vender café em ritmo lento nos próximos meses, esperando por preços melhores, o que pode limitar a oferta.
Essas preocupações atuais com a oferta de curto prazo continuam se refletindo nos spreads entre os contratos de menor vencimento para ambas as variedades de café, mas mais particularmente para o Arábica . Por exemplo, os spreads de março/26 e maio/26 continuaram em uma tendência de alta, perto dos 18 c/lb nos últimos dias. O período de entressafra no Brasil e na Indonésia e o menor interesse dos agricultores em todo o mundo em novas vendas podem manter algum suporte para março/26 e os spreads elevados.
Enquanto isso, o spread maio-julho, embora ainda positivo, vem diminuindo nas últimas semanas, refletindo a colheita de uma safra maior no Brasil entre o segundo e o terceiro trimestre e as expectativas de um aumento na oferta, se mantendo mais próximo dos 6-7 c/lb. À medida que os agricultores brasileiros se preparam para uma safra maior, é provável que aumentem as vendas para cobrir os custos da colheita e aumentar a capacidade de armazenamento dos novos grãos, o que pode exercer pressão baixista sobre os preços, especialmente sobre o contrato de julho.

Fonte: LSEG

Fonte: LSEG
Em resumo
O mercado de café teve um início lento em 2026, já que a maioria dos participantes permanece cautelosa e aguarda o surgimento de novos fundamentos de mercado. Grande parte do foco está no Brasil, onde a atenção se concentra no desenvolvimento da safra 26/27 em meio ao período de entressafra do país. Como as condições climáticas no Brasil têm favorecido o crescimento da próxima safra, as atividades comerciais continuam em ritmo lento.
Essa tendência se repete em outros grandes países produtores, como Colômbia, Vietnã e Indonésia, onde o comércio também tem sido moderado. Os agricultores dessas regiões estão hesitantes em vender, insatisfeitos com os níveis atuais de preços. Esses fatores contribuíram coletivamente para a persistência de níveis elevados de spread entre os contratos de café de curto prazo, particularmente para a variedade Arábica. O spread março/26-maio/26 permanece em alta, ressaltando a incerteza e a escassez no fornecimento de curto prazo.
Por outro lado, o spread maio-julho vem diminuindo nas últimas semanas, refletindo as expectativas do mercado de aumento da oferta com a aproximação da safra brasileira em meados de 2026. À medida que os agricultores se preparam para uma safra maior, é provável que aumentem as vendas para cobrir os custos da colheita, o que poderia exercer pressão baixista sobre os preços, especialmente sobre o contrato de julho.
Relatório Semanal — Café
Escrito por Laleska Moda
laleska.moda@hedgepointglobal.com
Revisado por Carolina França
carolina.franca@hedgepointglobal.com
www.hedgepointglobal.com
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