Feb 5 / Laleska Moda

Os estoques europeus de café caíram em 2025, mas a tendência pode mudar em 2026

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  • Os estoques da Federação Europeia do Café (ECF) fecharam 2025 em baixa. Os estoques encerraram dezembro em 7,65 milhões de sacas, uma queda de 16,1% em um ano. Em relação à composição dos estoques, os grãos Robusta representam a maior parte do café disponível, seguidos pelo Arábica Lavado.

  •  Os estoques mais baixos refletem a diminuição das importações em 2024 e 2025, após uma queda na oferta global e preços mais altos. As importações totais em 2025 atingiram 46,9 milhões de sacas, uma redução de 5,1% em relação a 2024 e abaixo da média de 10 anos.

  • Os números mensais de importação líquida (importações – reexportações) também mostram uma queda acentuada em 2025, que se refletiu no consumo aparente/desaparecimento para a safra 24/25.

  • Para a safra 25/26, embora o desaparecimento nos primeiros meses seja menor do que nos ciclos 21/22, 22/23 e 23/24, há uma recuperação em relação ao ciclo 24/25. A possibilidade de uma safra recorde no Brasil em 26/27 tende a pressionar os preços este ano e poderá influenciar positivamente a demanda em 25/26 e 26/27.

  • Os contratos de arábica, especificamente, registraram fortes perdas nesta semana, refletindo tanto os fundamentos da oferta quanto os aspectos técnicos, após romperem os níveis de suporte técnico nesta primeira semana de fevereiro.

Os estoques europeus de café caíram em 2025, mas a tendência pode mudar em 2026 

Os estoques da Federação Europeia do Café (ECF) encerraram 2025 em 7,65 milhões de sacas, uma queda de 16,1% em relação a 2024, continuando a tendência dos últimos meses. Os estoques da UE sofreram uma queda significativa nas duas últimas safras, provocada pela oferta limitada – primeiro do Sudeste Asiático e depois do Brasil –, aumentando os preços do café e os custos financeiros, o que também desestimula a formação de estoques nos destinos. Enquanto isso, os agricultores dos principais países produtores também demonstraram menor interesse em novas vendas nos últimos meses, afetando as exportações globais de café.     

UE: Estoques da Federação Europeia de Café (M scs)
UE: Estoques da ECF por tipo de café (M scs)

Fonte: ECF

Fonte: ECF

É interessante notar que, até agosto, os estoques apresentavam uma pequena tendência de recuperação, impulsionada principalmente pelos aumentos do Robusta e do Arábica lavado, com importações mais fortes do Vietnã, América Central e África Oriental. No entanto, as importações totais em 2025 atingiram 46,9 milhões de sacas, uma queda de 5,1% em relação a 2024 e abaixo da média de 10 anos, enquanto as reexportações do bloco permaneceram em uma tendência mais forte – acima da média de 10 anos –, especialmente no primeiro e no quarto trimestres, levando a números mais fracos de importação líquida (importações menos reexportações) no ano.

O consumo aparente, ou desaparecimento, também refletiu essa tendência. Ao final da temporada 24/25 (outubro/24 – setembro/25), o desaparecimento atingiu 41,6 milhões de sacas de café, 1,3% abaixo de 23/24 e 3,1% abaixo dos níveis médios de 10 anos. No entanto, os primeiros três meses da safra 25/26 (outubro a dezembro) mostraram uma recuperação em relação ao mesmo período da safra 24/25, e a expectativa é de um aumento tanto nas importações quanto no consumo aparente, devido à previsão de maior oferta e preços mais baixos em 2026. Nesse sentido, a atual tendência de queda dos preços e o aumento da oferta, especialmente do Brasil, podem ajudar na recuperação dos estoques da UE.


UE: Importações líquidas mensais (M scs)
UE: Consumo aparente/desaparecimento (M scs)

Fonte: : Euroepan Comission, Hedgepoint

Fonte: Euroepan Comission, ECF, Hedgepoint 

Somente no início de fevereiro, os contratos de café Arábica e Robusta sofreram perdas substanciais, já que o clima continua favorável no Brasil e uma possível safra recorde no país em 26/27 poderia beneficiar a recomposição dos estoques. Os preços do Arábica sofreram a maior queda, já que os estoques da ICE começaram a mostrar sinais de recuperação, com aumento nos volumes de classificação pendentes, e devido a uma liquidação, já que os contratos romperam os níveis de suporte técnico no início desta semana, 2 de fevereiro. O contrato de março/26 foi negociado abaixo de 310 c/lb, enquanto o de maio/26 (o contrato mais líquido) fechou abaixo de 300 c/lb nos últimos dias, níveis não vistos desde agosto de 2025. Também é interessante notar que o spread entre os contratos de março e maio também caiu significativamente nesta quarta-feira, 4, e embora permaneçam positivos (por enquanto), isso pode sinalizar uma possível mudança no sentimento do mercado e no movimento dos fundos.  


Em resumo

Os estoques da ECF fecharam 2025 abaixo de 2024. O declínio reflete duas temporadas consecutivas de oferta restrita – inicialmente do Sudeste Asiático e, posteriormente, do Brasil – combinadas com preços mais altos e custos financeiros crescentes, o que desestimulou a formação de estoques nos mercados de destino. Ao mesmo tempo, os produtores nas principais origens mostraram interesse limitado em novas vendas, pesando sobre as exportações globais e as importações da UE.

O consumo aparente seguiu um padrão semelhante, com os números da temporada 24/25 abaixo do nível médio de 10 anos. No entanto, os primeiros dados do início da temporada 2025/26 apontam para uma recuperação, com os números de outubro a dezembro superando o mesmo período do ano anterior e alimentando as expectativas de maiores importações e consumo em 2026, apoiadas por perspectivas de maior oferta e preços mais baixos. Essa perspectiva ganhou força no início de fevereiro, quando os futuros do Arábica e do Robusta registraram perdas acentuadas em meio a condições climáticas favoráveis no Brasil e expectativas crescentes de uma safra recorde em 26/27. O Arábica liderou a queda, também pressionado por um pequeno aumento nos estoques da ICE e vendas técnicas, com os preços caindo para níveis vistos pela última vez em agosto de 2025. Uma redução acentuada no spread de março a maio também levantou sinais de uma possível mudança no sentimento do mercado e no posicionamento dos fundos.


Relatório Semanal — Café

Escrito por Laleska Moda

laleska.moda@hedgepointglobal.com

Revisado por Carolina França
carolina.franca@hedgepointglobal.com

www.hedgepointglobal.com

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