Feb 12 / Laleska Moda

Os ursos chegaram: os preços do café Arábica já caíram 12,9% em 2026

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  • Os futuros do café Arábica caíram acentuadamente nas últimas duas semanas, pressionados por vendas técnicas e expectativas de uma safra brasileira abundante na temporada 26/27.

  • O último relatório do CFTC destaca uma mudança no sentimento do mercado, com os fundos especulativos reduzindo suas posições compradas.

  • Embora o mercado tenha se recuperado ligeiramente esta semana, apoiado pelo vencimento das opções do contrato de março, a perspectiva geral continua baixista, com o contrato de maio provavelmente testando níveis de suporte importantes nos próximos dias.

  • As regiões cafeeiras do Brasil receberam chuvas abundantes no início de 2026, favorecendo a fase de enchimento dos grãos e sustentando as perspectivas de uma produção forte no próximo ciclo. Muitos participantes do mercado apontam para a possibilidade de uma safra recorde.

  • A recente queda nos preços levou a vendas no mercado brasileiro, porém, os volumes continuam limitados. Os dados mais recentes sobre exportações também mostram uma queda nos embarques, refletindo a redução na comercialização nos últimos meses.

Os ursos chegaram: os preços do café Arábica já caíram 12,9% em 2026

Os futuros do Arábica caíram acentuadamente no início de 2026. Os contratos de março e maio acumularam uma queda de, respectivamente, 16.1% e 12.9 % desde o início do ano até esta quarta-feira, 12 de fevereiro. Embora os preços já estivessem em tendência de baixa no final de 2025 – devido à melhora do clima no Brasil –, o movimento se intensificou nas últimas semanas em função dasperspectivas de maior produção brasileira, com o contrato de março rompendo vários níveis de suporte, provocando uma liquidação técnica e caindo abaixo dos níveis de 300 c/lb.

Os preços se recuperaram um pouco nos últimos dois dias, com o contrato de março se aproximando novamente de 300 c/lb e o contrato de maio variando entre 295 e 297 c/lb, após encontrar suporte em torno de 287-289 c/lb. Esse movimento também refletiu o vencimento da opção para o contrato de março nesta quarta-feira, 10. No entanto, o quadro geral do mercado continua baixista e o movimento de recuperação pode apresentar reversões rápidas nas próximas semanas.

Nesse sentido, os níveis de spread entre os contratos de março e maio caíram significativamente nas últimas semanas e o spread de maio a julho continuou sua tendência de queda (agora em 3,8 c/lb). Embora ainda positivo, a diminuição dos spreads reflete a queda das preocupações com o abastecimento no médio prazo, à medida que a colheita no Brasil se aproxima, com a produção de Arábica prevista para se recuperar em 26/27.

Os preços futuros do Robusta também seguiram uma trajetória semelhante, com as cotações ainda em tendência de baixa, mas apresentando uma breve recuperação. Também é interessante observar que, para a variedade, os preços têm sido sustentados pela oferta limitada no Sudeste Asiático. Enquanto a Indonésia está em sua entressafra, os agricultores do Vietnã estão retraídos do mercado, levando à alta dos diferenciais na região (veja nosso relatório). Há também a expectativa de aumento da demanda por essa variedade em 2026, já que os preços do Robusta são mais competitivos que os do Arábica, com os valores mais altos nos últimos meses devendo impactar os hábitos dos consumidores na maioria dos destinos, como os EUA.

No entanto, a oferta nos próximos meses tende a aumentar, com uma boa safra esperada no Brasil, o que pode pressionar os preços para baixo no médio prazo.

Futuro Arábica (2º contrato) e Níveis de Retração de Fibonacci (c/lb) 
Futuro Robusta (2ºcontrato) e Níveis de Retração de Fibonacci(USD/mt)  

Fonte: LSEG

Fonte: LSEG

Outro ponto que merece atenção são as mudanças nas posições dos fundos especulativos. A liquidação do mercado de café se intensificou acentuadamente em fevereiro, marcando uma clara aceleração da correção que vinha se desenrolando há meses. Embora os investidores especulativos já estivessem reduzindo a exposição comprada em meio a expectativas crescentes de melhora na oferta global em 2026, o movimento se tornou mais evidente depois que as perspectivas para a safra brasileira aumentaram, com muitas empresas apontando agora para uma safra recorde de no país. As regiões produtoras de café receberam chuvas abundantes desde janeiro, favorecendo a fase de enchimento dos grãos e sustentando as perspectivas de uma forte produção no próximo ciclo. Mais recentemente, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) apontou para uma safra recorde de 66,2 milhões de sacas e, embora seus números normalmente estejam abaixo das projeções do mercado, eles ainda mostram uma tendência de alta na produção brasileira.

Os dados dos fundos mostram que a queda dos preços em fevereiro foi impulsionada principalmente pela liquidação agressiva das posições compradas existentes. O último relatório da CFTC (Commitments of Traders) mostrou uma queda semanal acentuada nas posições compradas líquidas não comerciais no ICE Arabica, com os fundos saindo simultaneamente das posições compradas e adicionando posições vendidas, um dos maiores ajustes de posicionamento em meses.

No mercado físico, a recente queda nos preços do Arábica e do Robusta também provocou atividades de venda no Brasil no início de fevereiro. No entanto, os volumes de vendas permanecem limitados, pois os agricultores estão bem capitalizados e aguardam uma visão mais clara da direção dos preços. Nesse contexto, também é importante destacar que a menor venda dos agricultores nos últimos meses ainda se reflete nas exportações do país. De acordo com o Cecafé, as exportações totais de café atingiram 2,78 milhões de sacas em janeiro, uma queda de 30,8% em relação ao ano anterior. Segundo Márcio Ferreira, presidente do Cecafé, a queda nos preços e a desvalorização do dólar americano desde o final de 2025 contribuíram para esse movimento.

Arábica: Posições líquidas dos fundos especulativos da CFTC (lotes) 
Robusta: Posições líquidas dos fundos especulativos da ICE (lotes) 

Fonte: : CFTC

Fonte: ICE



Em resumo

Os preços do Arábica sofreram forte pressão no início de 2026, acentuando uma tendência de baixa que começou no final do ano passado, em meio à melhora das condições climáticas no Brasil. A queda se acelerou com o rompimento de níveis técnicos importantes, provocando vendas impulsionadas por fundos e reforçando o sentimento baixista. Embora os preços tenham apresentado uma breve recuperação nas últimas sessões – em parte ligada à dinâmica de vencimento dos contratos –, ainda não é claro se a recuperação será sustentada nas próximas semanas. A queda dos spreads ao longo da curva futura indica ainda mais o abrandamento das preocupações com o abastecimento, à medida que a próxima safra do Brasil se aproxima e as perspectivas de produção melhoram.

Os preços do Robusta seguiram um caminho semelhante, permanecendo sob pressão, apesar de uma recuperação de curto prazo. Embora as restrições de oferta de curto prazo no Sudeste Asiático e as expectativas de uma demanda mais forte tenham oferecido algum suporte, esses podem ser superados pelas previsões de aumento da oferta nos próximos meses, particularmente do Brasil.

A queda do Arábica foi amplificada por uma mudança acentuada no posicionamento especulativo, com os fundos liquidando agressivamente posições compradas. No mercado físico, os preços mais baixos incentivaram algumas vendas no Brasil, mas os volumes continuam restritos, já que os agricultores com boa capitalização aguardam sinais mais claros de preços, uma dinâmica que continua a pesar sobre os fluxos de exportação.


Relatório Semanal — Café

Escrito por Laleska Moda

laleska.moda@hedgepointglobal.com

Revisado por Carolina França
carolina.franca@hedgepointglobal.com

www.hedgepointglobal.com

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