Conflito EUA-Irã: quais podem ser os impactos para o café?
- Nos últimos dias, o mercado foi impactado pela escalada dos conflitos entre os EUA (e seus aliados) e o Irã, com grandes impactos no setor petrolífero e no cenário macroeconômico. O tamanho dos danos, no entanto, dependerá muito da duração do combate.
- O mercado de café tende a ser impactado pelas crescentes tensões no Oriente Médio, pois está sujeito a efeitos indiretos (por exemplo, aumento dos custos de produção, preços mais altos dos combustíveis e flutuação do dólar), além dos efeitos diretos, como a interrupção de rotas logísticas.
- Com o Estreito de Ormuz fechado pelo Irã e os conflitos em andamento, embarcações estão ancoradas no Golfo Pérsico ou sendo redirecionadas para outras rotas, enquanto também evitam o Canal de Suez, um ponto chave para o comércio marítimo de café.
- Isso pode afetar diretamente os envios de café da África e Sudeste Asiático, pelo Mar Vermelho, especialmente com destino à União Europeia, e também impactar o comércio global – como custos de frete mais altos e menos contêineres disponíveis – se o conflito se estender por um período mais longo.
Conflito EUA-Irã: quais podem ser os impactos para o café?
Um novo capítulo de instabilidade geopolítica começou no final do mês passado, após os EUA e Israel atacarem o Irã em 28 de fevereiro. A escalada do conflito teve, desde então, grande impacto no mercado global, especialmente no setor de energético. Após os ataques, o Irã assumiu controle rígido do Estreito de Ormuz, um gargalo chave para o setor petrolífero, já que cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo e GNL passa pela região.
Isso levou os preços da energia a subir, com os preços do Brent dando um salto semanal de 24%, o maior salto desde maio 2020, com o primeiro contrato sendo negociado acima dos USD 90 o barril. Nesta sexta, 06, o ministério da energia do Qatar alertou que possivelmente produtores de energia do Golfo podem pausar suas atividades nas próximas semanas, o que poderia elevar o preço do petróleo ainda mais. A instabilidade e os riscos crescentes no mercado também fortaleceram o dólar e levaram a novas vendas nos mercados globais de títulos.

Fonte: LSEG

Fonte: LSEG
Para o mercado de café, o conflito no Irã pode ter efeitos indiretos e diretos. Primeiramente, a alta nos preços do petróleo e a instabilidade do dólar podem levar a um aumento dos custos de produção, não apenas devido ao uso direto de combustível nas fazendas, mas também por custos energéticos mais altos que provavelmente elevarão os preços dos insumos, como fertilizantes e defensivos. Por outro lado, a escalada do conflito também pode trazer desafios para o comércio global de café.
Até o momento, centenas de navios, incluindo petroleiros (para o transporte de petróleo bruto e seus derivados) e até navios cargueiros, permanecem ancorados em mar aberto ou fora do Estreito de Ormuz, incapazes de alcançar qualquer porto. Isso já impacta os grãos de café que chegariam aos torrefadores do Golfo, especialmente nos Emirados Árabes Unidos, e pode reduzir a disponibilidade de embarcações globalmente.
Além disso, também tem ocorrido ataques crescentes contra petroleiros, o que aumenta os riscos das rotas comerciais no Golfo e até no Canal de Suez, com o temor de um retorno dos ataques no Iêmen, levando muitas empresas a suspender e redirecionar seus serviços para fora da região.
Cabe destacar que o Canal de Suez é um gargalo chave para o comércio de café, pois é a principal e mais eficiente rota para os cafés da África Oriental (por exemplo, Uganda e Etiópia) e asiáticos chegarem aos mercados europeus.
Rotas Marítimas Globais para o Café

Fonte: Hedgepoint
Portanto, tais questões logísticas têm potencial para impactar diretamente os fluxos comerciais e os preços diferenciais do café, já que a Europa é o maior mercado mundial para café. Nos últimos meses, a UE também aumentou sua participação no uso de grãos asiáticos (especialmente do Vietnã) e continua a importar mais da África Oriental, especialmente porque os agricultores brasileiros continuam mais retraídos do mercado.
Por enquanto, traders do Vietnã reportam que as rotas não foram afetadas, contudo os preços do frete aumentaram significativamente. Os envios para a Europa já foram interrompidos no país e provavelmente continuarão contidos até que haja uma visão clara dos riscos da rota marítima através de Suez. Muitas empresas de transporte também suspenderam os Bookings para a região do Golfo, redirecionando navios para a rota do Cabo da Boa Esperança, o que implica não apenas em aumento dos custos, mas também aumento do tempo de envio.
Embora a Europa ainda possa obter seu café de outros países, grãos de Arábica natural e de Robusta são principalmente exportados da Ásia, Uganda e Brasil. No entanto, no caso do Brasil, cafeicultores ainda estão relutantes em vender seus grãos remanescentes, enquanto a maior parte da colheita 26/27 do país deve chegar ao mercado apenas a partir de julho. Este fato pode impactar os diferenciais no Brasil, mas também o volume de importação da UE e, potencialmente, os estoques de café do bloco, especialmente se o conflito se estender.
UE: Participação das Importações por Origem

Fonte: Comissão Europeia, Hedgepoint
Em resumo
A escalada dos conflitos entre os EUA (seus aliados) e o Irã já está impactando o setor energético e o cenário macroeconômico. Para o mercado de café, o aumento das tensões no Oriente Médio pode ter efeitos indiretos (por exemplo, aumento dos custos de produção, preços mais altos dos combustíveis e flutuação do dólar) e efeitos diretos. Com o Estreito de Ormuz fechado pelo Irã e os conflitos em andamento, embarcações estão ancoradas no Golfo Pérsico ou sendo redirecionadas para outras rotas, enquanto também evitam o Canal de Suez, um ponto chave para o comércio marítimo de café.
Além de afetar os torrefadores do Golfo, o conflito pode impactar diretamente os envios de café da África e Sudeste Asiático, pelo Mar Vermelho, especialmente com destino à União Europeia. Embora existam rotas alternativas (Cabo da Boa Esperança), isso ainda implica aumento de custos e tempo de envio. O tamanho dos danos, no entanto, dependerá muito da duração da guerra.
Relatório Semanal — Café
Escrito por Laleska Moda
laleska.moda@hedgepointglobal.com
Revisado por Thais Italiani
thais.italiani@hedgepointglobal.com
www.hedgepointglobal.com
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