Jul 31 / Laleska Moda

Com estoques da ICE em mínimas de anos, volatilidade segue

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  • Os estoques certificados de café arábica da ICE caíram drasticamente em julho, atingindo seus níveis mais baixos em mais de dois anos. Sem lotes de café aguardando para classificação e com pouco interesse na certificação nos países de origem, os estoques podem continuar diminuindo.

  • A atual escassez no mercado, aliada às chuvas do último fim de semana no Brasil, abriu espaço para novas altas nos últimos dias. Embora não esteja nos níveis do início de julho, a volatilidade no mercado permanece alta. 

  • Embora as preocupações com a oferta de curto prazo persistam, a expectativa ainda é de um excedente na safra 2026/27, principalmente devido à safra recorde no Brasil, o que ainda pode limitar a recente recuperação dos preços. Na semana passada, o USDA também divulgou seus números para a safra, apontando para um superávit [LH1.1]de 9,9 milhões de sacas.

  • Por outro lado, o impacto de um super El Niño nos países produtores de café está sendo acompanhado de perto. Além das chuvas durante a colheita no Brasil, o fenômeno ainda pode afetar o excedente global, já que a maioria das origens está em seu período de desenvolvimento.

Com estoques da ICE em mínimas de anos, volatilidade segue 

Os preços do café permaneceram altamente voláteis durante o restante do mês de julho, com o contrato de setembro do Arábica atingindo mais uma vez o nível de 340 c/lb nos últimos dias, à medida que persistiam as preocupações com a oferta no curto prazo. Embora ainda bem abaixo das máximas registradas em 10 de julho, após uma série de correções, o contrato encerrou o mês 6,7% acima dos níveis de junho, fechando em 31 de julho a 332,1 c/lb. O Robusta, apesar de ter valorizado em momentos do mês, ainda recuou 1,6% em relação a 30 de junho, finalizando essa sexta a 3.782 USD/mt. Em termos semanais, os preços do Arábica subiram 2,9%, enquanto os do Robusta recuaram 2,5%.

É provável que os contratos de curto prazo permaneçam voláteis nas próximas semanas, especialmente o de arábica, já que os estoques certificados continuam diminuindo, sinalizando uma situação de oferta mais restrita. Ao mesmo tempo, os participantes do mercado aguardam a chegada da safra recorde do Brasil, que deve gerar um excedente durante a safra 2026/27.

Os estoques de arábica na ICE vêm apresentando tendência de queda há vários meses, mas recuaram acentuadamente em julho, à medida que traders e torrefadores continuaram a retirar café dos armazéns da bolsa sem um aumento significativo nas novas certificações. Como resultado, os estoques caíram 113,2 mil sacas, ou 30%, durante o mês, atingindo seu nível mais baixo desde 1º de fevereiro de 2024. Desde o início de 2026, os estoques de arábica diminuíram em aproximadamente 188,9 mil sacas (-41,7%).

Os estoques podem cair ainda mais nas próximas semanas, já que os dados da ICE mostram, no momento, poucos lotes de café aguardando classificação — um fator que pode continuar sustentando os preços. Isso reflete a falta de interesse na certificação entre os produtores brasileiros desde meados de 2025, combinada com os baixos estoques em outras origens devido ao período de entressafra e aos diferenciais mais amplos, o que tem desestimulado novas certificações.


Arábica: Estoques Certificados da ICE (lotes)
Arábica: Estoques da ICE para Classificação (lots)

Fonte: ICE

Fonte: ICE

Além dos estoques mais restritos da ICE, as chuvas recentes em partes de Minas Gerais e São Paulo, associadas a uma frente fria, renovaram as preocupações com possíveis atrasos na safra de 2026/27. Esses temores contribuíram para uma recuperação dos preços no início da semana. No entanto, como não foram relatadas interrupções significativas nas atividades no campo (veja o relatório da safra aqui), os preços recuaram ligeiramente em seguida, embora o spread setembro-dezembro tenha permanecido elevado, destacando as preocupações contínuas com a oferta no curto prazo.

Com os estoques nos destinos ainda relativamente baixos, o mercado continua aguardando que a safra recorde do Brasil chegue aos canais de exportação, na esperança de aliviar a escassez de oferta e reduzir os preços. Até o momento, as chuvas não afetaram as estimativas de produção, com a maioria dos participantes do mercado projetando a safra brasileira entre 70 e 76 milhões de sacas, o que é suficiente para sustentar uma recuperação nos estoques globais.

Na semana passada, o USDA divulgou seu balanço global atualizado do café, projetando um superávit de 9,9 milhões de sacas para a safra, sustentado por uma produção recorde de 189,7 milhões de sacas. No entanto, prevê-se que os estoques globais aumentem em menos de 2 milhões de sacas, permanecendo bem abaixo das médias históricas, já que a demanda deve atingir um recorde de 179,7 milhões de sacas, impulsionada principalmente pelo crescimento nos Estados Unidos e na Europa.

Esses números estão amplamente alinhados com as previsões da Hedgepoint e com as tendências recentes entre as principais empresas do setor de café. Nesta semana, duas empresas líderes do setor divulgaram lucros e crescimento de volume acima do esperado, particularmente na Europa e na América do Norte, reforçando a visão de uma demanda resiliente por café. Atualmente, a Hedgepoint estima a demanda global em 181 milhões de sacas e a produção em 189,2 milhões de sacas, resultando em um excedente de 8,2 milhões de sacas.

USDA: Oferta e Demanda de Café (M scs)

Fonte: USDA

Embora as expectativas de um superávit possam limitar novos ganhos de preço, especialmente se os produtores brasileiros aumentarem o volume de vendas, os potenciais impactos do El Niño continuam sendo uma fonte importante de incerteza para o mercado. Além dos possíveis riscos de produção para origens como a Colômbia, Vietnã e América Central durante o ciclo 2026/27, os participantes do mercado já estão monitorando de perto as implicações para a safra brasileira de 2027/28. O El Niño pode alterar os padrões de chuva no Brasil nos próximos meses e aumentar a probabilidade de ondas de calor durante o período crucial de floração.

Conforme discutido anteriormente, os estoques globais de café caíram significativamente nos últimos anos. Portanto, uma recuperação significativa dos estoques exigiria não apenas um excedente em 2026/27, mas também excedentes adicionais nas safras subsequentes. Como resultado, mesmo antes da conclusão total da colheita brasileira, a atenção do mercado está se voltando cada vez mais para as perspectivas da safra de 2027/28.

Hedgepoint: Oferta e Demanda de Café (M scs)

Fonte: Hedgepoint

Em resumo

Os preços do café permaneceram altamente voláteis em julho, impulsionados principalmente por preocupações com a oferta no curto prazo. Os futuros do arábica recuperaram parte de suas perdas recentes, à medida que os estoques certificados pela ICE continuaram a diminuir e não havia café adicional disponível para classificação, reforçando a percepção de oferta restrita no curto prazo. As preocupações com as chuvas nas regiões produtoras brasileiras também apoiaram temporariamente os preços, embora o andamento da colheita tenha permanecido, até o momento, praticamente inalterado.

Apesar da atual escassez, o mercado continua a esperar um superávit global na safra de 2026/27, apoiado pela safra recorde do Brasil e pelas previsões de produção global também recordes. No entanto, os baixos níveis de estoque e o crescimento resiliente da demanda, particularmente nos EUA e na Europa, estão limitando as expectativas de uma rápida reposição dos estoques. Como resultado, a atenção já está se voltando para o impacto potencial do El Niño no ciclo de safra de 2027/28.


Relatório Semanal — Café

Escrito por Laleska Moda

laleska.moda@hedgepointglobal.com

Revisado por Luiz Silvério
luiz.silverio@hedgepointglobal.com

www.hedgepointglobal.com

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