Sep 11 / Lívea Coda

Relatório Semanal Açúcar e Etanol - 2023 09 11

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"Indicadores técnicos sinalizam um momento volátil – é claro, o mercado tem negociado o clima há algum tempo! Embora os preços do açúcar bruto tenham sofrido um aumento durante a última semana, atingindo as máximas dos últimos 4 meses, é justo esperar que este movimento seja de curta duração. À medida que nos aproximamos do vencimento de outubro, o Brasil parece ter mais a oferecer do que o mercado internacional deseja, já que o açúcar segue sendo negociado a um desconto de 30 pontos."

Melhorias climáticas e correções de preços

  • O mercado de açúcar passa por uma fase volátil, onde qualquer notícia climática parece abalar suas estruturas. Durante a semana passada, os preços do açúcar bruto atingiram a máxima de 4 meses de 27 USc/lb, enquanto o açúcar branco seguiu a tendência ultrapassando momentaneamente o nível de 750 USd/t.

  • É justo esperar que o recente aumento dos preços seja de curta duração. À medida que nos aproximamos do vencimento do contrato de outubro, o Brasil parece ter mais a oferecer do que o mercado internacional deseja, negociando a um desconto de 30 pontos. Além disso, o clima melhorou tanto na Índia como no Brasil, aumentando a resistência de curto prazo.

  • A estrutura de spread ainda precifica um 3T de 2023 mais confortável e uma escassez de disponibilidade do Hemisfério Norte a partir do 4T. É claro que devemos continuar monitorando o clima, pois qualquer alteração na previsão pode perturbar o mercado.

    Indicadores técnicos sinalizam um momento volátil – é claro, o mercado tem negociado o clima há algum tempo! Durante a semana passada, os preços do açúcar bruto atingiram a máxima de 4 meses, em 27 USc/lb, devido às perspectivas de deterioração da safra da Índia, enquanto o açúcar branco seguiu esta tendência ultrapassando momentaneamente o nível de 750 USd/t. Naturalmente, as expectativas de menor disponibilidade oferecem suporte aos contratos futuros e contribuem para a sustentação do prêmio do branco. No entanto, este recente aumento nos preços poderá durar pouco, à medida que nos aproximamos do vencimento do contrato de outubro.

Figura 1: Os preços seguem suportados pela expectativa de escassez

Fonte: Refinitiv

Apesar dos rumores, e sim, nenhuma exportação da Índia poderá vir a ser uma realidade dependendo da decisão do governo, o clima tem mostrado algumas melhorias no país. Regiões como Uttar Pradesh, Gujarat e Tamil Nadu não sofreram tanto como Maharashtra e, recentemente, a previsão de precipitação para setembro melhorou em todo o país. Embora o mercado tem reagido a todas as notícias que circulam, os preços ainda não refletem uma quebra catastrófica da safra indiana, e nem deveriam.

Figura 2: Previsão de anomalia de precipitação na Índia para 14 dias a partir de 8 de setembro (%)

Fonte: Refinitiv

Não só na Índia, mas o clima brasileiro também melhorou. Ao contrário do Hemisfério Norte, o clima seco é mais que bem-vindo para acelerar o ritmo de moagem e induzir maior teor de sacarose. Considerando os modelos de precipitação GFS e Europeu para o país, devemos esperar chuvas abaixo da média durante o mês de setembro. Portanto, o Brasil continuará sendo o fator de baixa mais forte no curto prazo. Esta tendência poderá oferecer alguma resistência a novos aumentos de preços antes do vencimento, tornando possível compensar parte da alta de médio/longo prazo principalmente para o primeiro contrato.

À medida que nos aproximamos do vencimento de outubro, pode-se esperar que os seus preços diminuam. A alta disponibilidade do Brasil e o baixo prêmio do físico em Santos podem indicar uma entrega do país – é claro, se o spread V/H continuar não oferecendo incentivo para carrego. Se os destinos realmente precisassem do adoçante de forma urgente, o prêmio do físico deveria pelo menos corresponder aos 30 pontos do ano passado, mas o açúcar está sendo negociado com um desconto de 30 pontos. Portanto, o mercado não parece tão apertado durante o 3T de 2023, mas espera-se que assim seja a partir do 4T.

Figura 3: Previsão de anomalia de precipitação na Brasil para 14 dias a partir de 8 de setembro (%)

Fonte: Refinitiv

Figura 4: Prêmio do açúcar bruto físico em Santos (USc/lb)

Fonte: Refinitiv, hEDGEpoint

A estrutura de spread já está precificando esta lógica, e podemos esperar que o V/H caia ainda mais. Entretanto, deveríamos continuar a monitorar o clima – como foi dito em muitos relatórios anteriores – para melhor avaliar tanto a escassez da Índia quanto a possibilidade de uma disponibilidade maior do Brasil.

Em resumo

O mercado de açúcar passa por uma fase volátil, na qual qualquer notícia climática parece abalar suas estruturas. Embora os preços do açúcar bruto tenham sofrido um aumento durante a última semana, atingindo as máximas dos últimos 4 meses, é justo esperar que este movimento seja de curta duração. À medida que nos aproximamos do vencimento de outubro, o Brasil parece ter mais a oferecer do que o mercado internacional deseja, já que o açúcar segue sendo negociado a um desconto de 30 pontos.

A estrutura de spread ainda precifica um 3T de 2023 mais confortável e uma escassez de disponibilidade do Hemisfério Norte a partir do 4T. É claro que devemos continuar monitorando o clima, pois qualquer alteração na previsão pode perturbar o mercado

Relatório Semanal — Açúcar

Escrito por Lívea Coda
[email protected]

Revisado por Thaís Italiani
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