Aug 18 / Victor Arduin

Relatório Semanal Macroeconomia - 2023 08 18

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"A economia chinesa tem observado um crescimento mais lento do que esperado e dificuldade em estimular a confiança dos consumidores do país, bastante ancorada no setor imobiliário."

Riscos seguem rondando o crescimento chinês

  • Riscos estão surgindo na China à medida que casos como o da Country Garden aumentam as preocupações com mais possíveis inadimplências no futuro.
  • Dada a importância do setor imobiliário na China, sua prolongada desaceleração está impactando outros segmentos.
  • A produção industrial registrou uma queda de 3,7%, em comparação com os 4,4% do ano anterior, no mês de julho. Para combater essa desaceleração, o país está implementando cortes em suas taxas de juros, na tentativa de promover políticas de crédito para estimular o consumo.
  • Além disso, há uma crescente preocupação em relação ao mercado de ações, que vem enfrentando desvalorizações, aumentando os riscos de uma fuga de capitais do país.

Introdução

O setor imobiliário chinês está causando bastante preocupação entre analistas, aumentando o debate sobre a saúde financeira do país e as chances do país conseguir alcançar sua meta de crescimento esse ano.

Ainda na última semana foram liberados uma série de dados sobre a economia chinesa e diversos setores seguem frustrando analistas. O setor industrial e vendas do comércio registraram recuo na comparação anual, frustrando expectativas do mercado.

O desemprego cresceu para 5,3% no último mês de julho na China. Ademais dos dados mostrarem uma piora no mercado de trabalho, o país suspendeu a divulgação do desemprego entre jovens, números que traziam preocupação e haviam atingindo nível recorde de 21,3% em junho.
Figura 1: Desemprego na China (%)

Fonte: Refinitiv

Figura 2: Investimentos em Ativos Fixos na China (%)

Fonte: Refinitiv

Uma crise no setor imobiliário?

Recentemente aumentaram as preocupações sobre uma crise no setor imobiliário da China, após as notícias de que a Country Garden, uma das principais imobiliárias do país, falhou em pagar seus títulos de dívida em dólar. A economia chinesa tem observado um crescimento mais lento do que esperado e dificuldade em estimular a confiança dos consumidores do país, bastante ancorada no setor imobiliário.

O segmento é extremamente importante para a economia, responsável por quase um terço do produto interno bruto do país (PIB) e por um quinto de todo investimento em ativos fixos. Analistas já começam projetar que o país deverá ter dificuldade em atingir a meta oficial de crescimento de 5%. Logo, as autoridades do país precisam realizar mais estímulos focados no setor para ajudar sua economia em desaceleração.
Figura 3: Déficit do orçamento do governo dos EUA em anos fiscais (trilhões de dólares americanos) 

Fonte: Bloomberg

Enquanto isso, dados da última semana mostraram que dados da indústria e comércio vieram abaixo das expectativas, aumentando os prêmios de risco significamente no ambiente externo. O país é um grande exportador e importador para o mundo, a redução da sua atividade econômica traz riscos para o comércio de outras nações.

O valor agregado da produção das empresas industriais alcançou 3,7% em julho na comparação anual, abaixo dos 4,4% esperados pelo mercado e um recuo na comparação anual de junho, quando registrou aumento de 4,4%. O prolongado fraco desempenho no setor da construção imobiliária está induzindo uma menor atividade do setor industrial do país, em que a demanda enfraquecida acaba refletindo em estoques e produções menores para o setor. Vendas do comércio também sofreram um recuo, crescendo 2,5% no mês de julho na comparação anual, abaixo da expectativa de 4.5%.
Figura 4:  Dívida do Governo: % do PIB

Fonte: National Bureau of Statistics of China

Corte surpresa da taxa de juros

As autoridades monetárias da China cortaram a taxa de juros de empréstimos de médio prazo de um ano de 2,65% para 2,50% na semana passada e a Loan Prime Rate (LPR) em 10 pontos bases de 3,55% para 3,45% no último dia 21. O governo parece estar bastante preocupado com a saúde do seu sistema financeiro, e estão intensificando os esforços na expansão da sua política monetária para impulsionar a economia do país que vem desacelerando.

Enquanto isso, a queda dos índices acionário do país está trazendo temores de que o pior ainda pode estar por vir, com a possibilidade de um ciclo de fuga de capitais por conta dos dados deflacionários, desaceleração do mercado imobiliário e crise no setor de empréstimo paralelos do país.
Figura 5: Taxa de Desemprego dos EUA (%)

Fonte:: Refinitiv

Em resumo

Analistas já começam a pôr em dúvida as condições da China alcançar a meta oficial de crescimento de 5% para o ano de 2023. O problema central para o país hoje é como resgatar a confiança do consumidor e dar condições do seu mercado imobiliário se recuperar. Por conta da importância do segmento para a economia do país, seu fraco desempenho acaba contagiando outros setores como a indústria, que mostrou desaceleração no mês de julho.

Apesar dos cortes de juros serem um importante sinal ao mercado, a China precisa de mais estímulos para impulsionar sua economia em desaceleração. Alguns eventos estão trazendo mais preocupações sobre os riscos que o país enfrenta. Os defaults anunciados por empresas importantes do setor imobiliário são um exemplo, e o caso da Country Garden, apesar de ser recente, pode não ter sido o último.

A continuidade da desaceleração chinesa contribuí para um cenário macro mais desafiador para commodities e moedas emergentes, dado que o país é o principal importador de diversos produtos e um dos principais parceiros comerciais de diversos países emergentes.

Relatório Semanal — Macro

Escrito por Victor Arduin
[email protected]

Revisado por Alef Dias
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