Dec 4 / Victor Arduin

Relatório Semanal Macroeconomia - 2023 12 04

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"A Zona do Euro corre o risco de entrar em recessão ainda este ano, de acordo com os dados do Eurostat, que mostram uma ligeira queda na produção do terceiro trimestre."

Inflação surpreende na Europa, mas o continente enfrenta desafios

  • Como grande surpresa, os dados de inflação da zona do euro mostraram uma melhora significativa em novembro, caindo para 2,4%. Além disso, o núcleo da taxa de inflação, um indicador-chave para a tomada de decisões do BCE, também ficou abaixo das expectativas, para 3,6%.
  • Os mercados estão rapidamente precificando um cenário de cortes nas taxas de juros no horizonte, com a queda dos yields europeus e os índices de ações refletindo uma maior confiança.
  • Entretanto, a vitória sobre a inflação ainda não está garantida, e as autoridades monetárias têm sido cautelosas, não descartando novos aumentos, se necessário

Introdução

A Europa tem boas notícias para comemorar. A inflação na região está se aproximando da meta de 2% do Banco Central Europeu (BCE), conforme mostrado pela Eurostat. A inflação caiu para 2,4% em dezembro, abaixo das expectativas dos analistas de 2,7%. Um dos principais fatores de inflação, a energia, continua a registrar quedas significativas em relação ao ano anterior, atingindo -11,5%.
Com os preços em uma trajetória mais moderada, a especulação sobre quando o banco central começará a cortar as taxas de juros está aumentando.

A economia do continente está lutando para evitar uma recessão. Entretanto, ainda há riscos inflacionários a serem considerados. O mercado de trabalho no continente continua resistente, enquanto uma escalada nos preços da energia poderia pressionar a inflação na Europa.

Figura 1: Inflação - Europa (%)


             Fonte: Federal Reserve, Bureau of Labor Statistics

Figura 2: Índice Euronext vs. Yield Euro 2A (%)

Fonte: Refinitiv

A perspectiva para 2024 continua desafiadora, mas está melhorando

A Zona do Euro corre o risco de entrar em recessão ainda este ano, de acordo com os dados do Eurostat, que mostram uma ligeira queda na produção do terceiro trimestre. Isso ocorre após um crescimento de apenas 0,1% em relação ao último ano. Apesar de uma melhora no mês passado, os PMIs do continente permanecem em território contracionista, exacerbando ainda mais as preocupações.

Parte dos problemas que impedem uma recuperação mais acelerada da zona do euro é estrutural. O envelhecimento da população, os baixos ganhos de produtividade e a alta burocracia em comparação com outras economias desenvolvidas são alguns exemplos. Portanto, não são apenas as altas taxas de juros que estão prejudicando a economia, apesar de serem o principal vetor de expectativas no momento.
Figura 3: Taxa de desemprego - Europa (%)

Fonte: Bureau of Labor Statistics

As expectativas de inflação representam um risco quando se desancoram, pois pode levar os consumidores a agir de maneira a continuar exercendo pressão sobre os preços. Recentemente, as expectativas de inflação da Universidade de Michigan (Gráfico #4) refletem essa tendência preocupante, mostrando uma piora na mediana no último mês. Setores importantes, como os serviços, que representa mais de dois terços da economia, permanecem aquecidos, como relatado pelo Instituto de Gestão de Abastecimento (ISM), com seu PMI de não-manufatura aumentando para 54,5 em agosto. Uma leitura acima da marca de 50 indica crescimento na indústria de serviços.

Dada a ausência de indicações claras de desaceleração do mercado de trabalho, os investidores devem agir com cautela em relação aos riscos no atual ambiente de preços elevados e ao potencial de novos ajustes nas taxas de juros. No entanto, uma desaceleração nos salários foi registrada no mês passado, com os salários médios por hora apresentando um crescimento de 4,3% em relação ao ano anterior, mas apenas um aumento de 0,2% mensalmente. Este é o menor aumento mensal para este ano. Isso indica que o Fed está indo na direção certa, embora possa haver alguma incerteza quanto ao ritmo.
Figura 4:  PMIs da Europa

Fonte: Refinitiv

Yields europeus caem com um cenário de inflação melhor

O mercado de títulos europeus reagiu positivamente à melhora na perspectiva de inflação, com os rendimentos dos yields de dois e dez anos caindo 13,37% e 10,70%, respectivamente, semana passada. Essa redução no spread entre diferentes vencimentos é um sinal positivo para a economia europeia, o que pode aumentar a confiança dos investidores.

Apesar de ainda enfrentar riscos consideráveis, as expectativas de que o BCE atingiu as taxas terminais e pode potencialmente cortar as taxas de juros no próximo ano são sinais positivos.

Figura 5: Rendimentos Yields Europeus e Spread 2A-10A

Fonte: Refinitiv

Em resumo

Atualmente, os preços do petróleo estão em níveis muito mais baixos do que os observados semanas atrás. Entretanto, eventos que podem causar interrupções no fornecimento são um risco a ser considerado, como o conflito entre Israel e o Hamas, que pode escalar.

Em geral, observando os dados do mercado de trabalho e a crescente confiança no continente, conforme refletido no mercado de ações, é possível que a Europa evite uma recessão grave no próximo ano.
Mesmo assim, o continente enfrenta um grande desafio de reformas a serem feitas para ganhar mais competitividade e produtividade. Sem essas reformas, é improvável que o continente cresça consideravelmente nos próximo anos.

Relatório Semanal — Macro

Escrito por Victor Arduin
[email protected]

Revisado por Alef Dias
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