Jan 9 / Alef Dias

Relatório Semanal Macroeconomia - 2024 01 09

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O superavit comercial brasileiro fortalece o Real

  • O Brasil registra seu maior superávit comercial em mais de 30 anos e, no próximo ano, espera-se que mantenha esse ritmo de crescimento, beneficiando-se dos investimentos na extração de petróleo e do aumento da produtividade no agronegócio.
  • Devido aos resultados positivos na balança comercial, o déficit da conta corrente melhorou em meio ao aumento da demanda doméstica.
  • No entanto, o país ainda precisa lidar com questões fiscais, cada vez mais ameaçadas por frustrações de receitas e desafios políticos.

Introdução

É inegável que 2023 foi um ano positivo para o Brasil. O PIB cresceu acima das expectativas, próximo dos 3%. A inflação continua a convergir para a meta, atingindo em 2023 cerca de 4,5%. O ambiente favorável com maior crescimento e menor inflação impulsionou o mercado acionário, resultando em uma valorização de mais de 30% no Índice Ibovespa em dólares.

Além dessas boas notícias, o que chama ainda mais a atenção é o excelente resultado da balança comercial brasileira, apresentando um superávit de quase 100 bilhões de dólares (+61,14%) em 2023. No entanto, ainda há desafios significativos de médio prazo que podem trazer volatilidade ao mercado e devem ser monitorados de perto.

Figura 1: Brasil - Balança comercial acumulada em 12 meses (bilhões de dólares)

Fonte: Secex, Bloomberg

Figura 2: Brasil - Ibovespa (USD) e Selic (%)

Fonte: Refinitiv

Demanda doméstica cresce no Brasil em 2023

Um dos destaques das exportações brasileiras foi o volume de soja, que ultrapassou 100 milhões de toneladas. No entanto, apesar do volume significativo, a comercialização lenta e os déficits de armazenamento levaram os prêmios de exportação a níveis mais baixos do que os observados em anos anteriores.

Outros itens também ganham destaque na matriz de exportação do Brasil. O minério de ferro atingiu a impressionante marca de 39,56 milhões de toneladas, um aumento de 24% em relação ao ano anterior e o maior volume em cinco anos. Enquanto isso, o petróleo vem aumentando sua participação no portfólio de exportações do Brasil, totalizando 81,8 milhões de toneladas no ano passado, um crescimento de 19,1%.

Comentando sobre esse aspecto favorável da entrada de moedas estrangeiras do saldo líquido de exportação, devemos prever um fortalecimento da moeda brasileira em relação ao dólar no futuro.
Figura 3: Brasil - Déficit em conta corrente (bilhões de dólares)

Fonte: Bloomberg

Um dos motivos do crescimento do PIB no ano passado foi o aumento do investimento, dos gastos das famílias e dos gastos do governo, conhecidos como demanda interna. Entretanto, se a demanda doméstica cresce além do PIB, de acordo com a teoria macroeconômica, há dois resultados possíveis: ou aumento no déficit da conta corrente ou um aumento nas exportações líquidas do país.

Isso acontece porque, de alguma forma, o país precisa financiar o aumento na demanda interna. Nos últimos anos, o Brasil reduziu seu déficit em conta corrente por conta das suas exportações. Como resultado, os benefícios do setor de exportação estão gerando maior potencial de crescimento para o Brasil.
Figura 4: Exportações mensais brasileiras de commodities (toneladas métricas)

Fonte: Refinitiv

Em Resumo

Os resultados positivos das exportações líquidas do país ajudam a limitar as consequências, até o momento, de um desequilíbrio fiscal no país, que pode aumentar em 2024 - ano eleitoral com altos gastos públicos e possíveis decepções de receita.
No entanto, é importante reconhecer os ganhos comerciais obtidos pelo Brasil nos últimos anos. O petróleo tem se tornado cada vez mais importante na matriz de exportação do Brasil, com um aumento de aproximadamente 50% em volume nos últimos 5 anos.

Rendendo, inclusive, um convite da OPEP para que o país participle como observador na organização
Analisando a macroeconomia para 2024, espera-se que a moeda brasileira tenha fortes motivos para se valorizar. O primeiro é impulsionado pelos excelentes resultados comerciais, conforme descrito neste relatório, mas também pelo provável corte da taxa de juros nos EUA, que pode ocorrer já em março.

Relatório Semanal — Macro

Escrito por Victor Arduin
[email protected]

Revisado por Alef Dias
[email protected]

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