Jan 22 / Alef Dias

Relatório Semanal Macroeconomia - 2024 01 22

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Um ciclo de cortes nas taxas de juros nos EUA está chegando, mas depende do forward guindance

  • As quedas mais rápidas do que o esperado na inflação foram uma das variáveis positivas observadas pelos membros do Fed nos últimos 12 meses, aumentando a probabilidade de cortes nas taxas em março de 2024.
  • Entretanto, é importante observar que os dados econômicos positivos e o mercado de trabalho resiliente nos Estados Unidos oferecem incentivos para um início mais conservador dos cortes nas taxas de juros, provavelmente em maio deste ano.
  • Além disso, os conflitos no Mar Vermelho estão pressionando os custos marítimos, o que pode exercer pressão sobre a inflação global, já que mais navios estão optando por rotas mais custosas.

Introdução

Apesar de um custoso processo desinflacionário, que resultou em taxas de juros na amplitude de 5,25% a 5,50%, o aperto monetário está trazendo os preços para o nível de 2% sem causar uma recessão ou danos significativos ao mercado de trabalho.


Em breve, a tão esperada flexibilização da política monetária, quando iniciada, ajudará a enfraquecer o dólar. Esse movimento tende a fortalecer ativos com maior risco - como as commodities.

Portanto, é fundamental prestar muita atenção às dicas que serão dadas pelos membros da diretoria do Fed na próxima reunião, nos dias 30 e 31 de janeiro.

Figura 1: EUA - Inflação (%)

Fonte: U.S. Bureau of Labor Statistics

Figura 2: EUA - Crescimento do PIB em relação ao ano anterior (%)

Fonte: Bloomberg

Os ganhos no mercado de trabalho foram moderados, mas continuam resilientes

O mercado prevê uma flexibilização monetária neste ano, embora ela possa não ocorrer no ritmo previsto, nas principais economias do mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, o Fed, em sua última reunião, projetou cortes da ordem de -75 pontos-base em 2024, conforme indicado em seu gráfico de pontos. Várias empresas de análise sugerem que o primeiro corte na taxa de juros pode ocorrer em março, mas acreditamos que demorará mais, acontecendo na reunião de 30 de abril e 1º de maio.

Vamos observar alguns dados importantes que influenciam a tomada de decisão dos membros do banco central americano. Apesar de a inflação continuar convergindo para a meta de 2%, o que é muito positivo, o mercado de trabalho continua altamente resiliente, com ganhos reais de salários de 0,8% entre dezembro de 2022 e dezembro de 2023. Além disso, a política monetária restritiva não pressionou o desemprego, que se manteve estável abaixo de 4%.
Figura 3: EUA - Desemprego e meta de fundos do Fed

Fonte: Bloomberg

O banco central americano pode assumir um risco ao implementar um corte na taxa de juros muito cedo, potencialmente desancorando as expectativas do mercado. Além disso, os resultados econômicos positivos e o mercado de trabalho resiliente também não oferecem incentivos para um corte na taxa de juros em março.

Outro fator relevante que causa preocupações para as autoridades monetárias americanas é a escalada no Mar Vermelho, onde novos acontecimentos surgem a cada semana e já estão impactando os custos do transporte marítimo. Apesar de serem voláteis e estarem fora do controle da política monetária, eles representam um desafio adicional no controle de preços.

Portanto, será importante observar qual linguagem será adotada na próxima comunicação do Fed, que pode fornecer uma orientação clara de quando haverá o corte na taxa de juros. Se isso de fato ocorrer em março, essa sinalização deve acontecer no encontro do final de janeiro.
Figura 4: EUA – Ganhos salariais e inflação mensal (%)

Fonte: Refinitiv

Em Resumo

O processo desinflacionário nos Estados Unidos tem dado cada vez mais sinais de que será bem-sucedido, o que significa trazer os preços para a meta de 2% sem levar a economia a uma recessão, o chamado "pouso suave" frequentemente mencionado pelo Fed.

Entretanto, apesar de acender a esperança no mercado, não prevêmos um corte de juros em março. Os dados econômicos robustos não justificam uma flexibilização tão rápida da política monentária, conforme evidenciado pelo crescimento positivo do PIB e pelo mercado de trabalho resiliente.

Relatório Semanal — Macro

Escrito por Victor Arduin
[email protected]

Revisado por Alef Dias
[email protected]

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