Feb 6 / Alef Dias

Relatório Semanal Macroeconomia - 2024 02 06

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Quando o Fed reduzirá as taxas de juros?

  • Na semana passada, ocorreu a primeira reunião do ano do Fed, um evento amplamente esperado pelo mercado que busca pistas sobre quando haverá um corte na taxa de juros na maior economia do mundo.
  • Por enquanto, nada muda. O FOMC decidiu manter a taxa de juros inalterada e não houve nenhuma comunicação official (forward guidance) de quando ocorrerá uma flexibilização da política monetária em março.
  • O desafio, portanto, é entender o que está faltando para que o banco central americano tenha a confiança necessária para iniciar o corte da taxa de juros.

Introdução

Apesar das grandes expectativas do mercado em torno da primeira reunião do Fed em 2024, ainda não há uma comunicação clara sobre o início da flexibilização monetária. E pelo que indocam os dados econômicos, como é constantemente enfatizado nos discursos do presidente da organização, Jerome Powell, não há motivo para um início tão precoce.


Nesse sentido, quais sinais precisam ser observados pelos membros do FOMC para o início de uma flexibilização da taxa de juros na maior economia do mundo? Esse será o ponto central de análise deste relatório, mas também vamos trazer um importante desenvolvimento no mercado de títulos do Tesouro dos EUA.

Figura 1: EUA - Inflação do IPC (%)

Fonte: U.S. Bureau of Labor Statistics

Figura 2:  EUA - Taxa de Desemprego e Ganhos com Folha de Pagamento Não Agrícola (%)

Fonte: Bloomberg

A situação do mercado de trabalho não justifica a pressa em reduzir as taxas de juros

O mercado de trabalho resiliente continua sendo uma das maiores preocupações das autoridades monetárias do país. Um exemplo disso é o fato de que, no primeiro mês do ano, foram criados 353.000 empregos, superando as expectativas. Com uma atividade econômica robusta e ganhos salariais acima da inflação, não há incentivos para um corte tão rápido da taxa de juros na economia, e o Fed precisa observar um arrefecimento desses números.

Ainda, apesar da importância da economia, há mais motivos para uma abordagem mais cautelosa em relação aos cortes nas taxas de juros. A inflação continua acima da meta e, embora a queda nos custos de energia em 2023 tenha ajudado a reduzir os preços de forma significativa, o ritmo de melhora da perspectiva inflacionária para 2024 pode não ser tão rápida. Logo, é mais seguro deixar os efeitos da política monetária restritiva sobre a economia por mais algum tempo.
Figura 3: EUA - Total de Folhas de Pagamento Não Agrícolas (mil)

Fonte: Bloomberg

Entretanto, o mercado já começou a precificar um cenário de cortes nas taxas de juros para este ano, algo que pode ser observado nos rendimentos dos títulos de 2, 5 e 10 anos (T-notes). Se a redução dos rendimentos for o caminho natural devido à flexibilização da política monetária, essa trajetória será acompanhada de muita volatilidade e de fundamentos favoráveis.

O governo financia suas atividades essencialmente por meio de dois mecanismos: cobrança de impostos e emissão de dívida. Como os Estados Unidos estão registrando déficits maiores, a pressão para a emissão de mais títulos do Tesouro está aumentando. O desequilíbrio fiscal traz um prêmio para os títulos, um fator fundamental que estará presente este ano, apesar da queda nas taxas de juros.
Figura 4: EUA - Rendimentos do Tesouro e Meta de Fundos do Fed (%)

Fonte: Refinitiv

Em Resumo

É altamente improvável que não haja um corte na taxa de juros do Fed em 2024. O ambiente inflacionário, embora ainda apresente riscos, melhorou significativamente nos últimos meses, e o mercado já está precificando um cenário monetário menos restritivo no horizonte.

Entretanto, haverá um impacto significativo quando ocorrer a flexibilização da política monetária, e há riscos em reduzir as taxas muito cedo. Um mercado de trabalho resiliente e uma forte atividade econômica são exemplos que podem fazer com que um corte prematuro das taxas de juros desancore as expectativas inflacionárias.

Nos próximos meses, deve haver uma melhora na inflação, mas com possíveis surpresas negativas dos componentes de preços que podem estar sob pressão, como serviços e bens. Entretanto, isso trará mais volatilidade do que uma mudança no cenário base, isto é, corte de juros para esse ano.

Relatório Semanal — Macro

Escrito por Victor Arduin
[email protected]

Revisado por Alef Dias
[email protected]

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