Jul 28 / Laleska Moda

Frente fria no Brasil e incertezas quanto às tarifas trazem suporte aos preços

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  • O contrato de setembro da Arábica foi negociado acima de 300 c/lb nesta segunda-feira, refletindo riscos climáticos e incertezas comerciais em relação às tarifas.  

  • Uma nova frente fria chegará ao Brasil esta semana, trazendo temperaturas mais baixas. Os modelos de previsão indicam uma queda acentuada nas temperaturas no Sul de Minas, com alguns modelos mostrando temperaturas mínimas abaixo de 5°C e riscos de geadas. No último fim de semana, tempestades de granizo também atingiram algumas áreas dessa região, embora tenham sido eventos isolados.

  • Nas regiões de Conilon, onde a colheita está quase completa, algumas áreas relataram o início da fase de floração. As vendas, no entanto, continua lentas.

  • O mercado também continua aguardando desenvolvimentos em relação às tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros. Se as taxas forem aprovadas, isso poderia interromper o fluxo de café brasileiro para os EUA, momentaneamente e os torrefadores e exportadores americanos teriam que contar com outras origens, como Colômbia, América Central e África Oriental, onde os diferenciais são maiores.

Frente fria no Brasil e incertezas quanto às tarifas trazem suporte aos preços

Os preços do café subiram no início desta semana, apoiados pelos riscos climáticos no Brasil e pelas incertezas do comércio global devido às tarifas dos EUA, impostas aos produtos brasileiros em meados de julho. Assim, o contrato de setembro do Arábica foi negociado acima de 300 c/lb na segunda-feira, fechando em 307,7 c/lb, um aumento de 1,5% em sete dias. 

Uma nova frente fria chegou ao Brasil esta semana, derrubando as temperaturas nas principais regiões produtoras de café. O Sul de Minas pode ter uma queda mais acentuada, com a Somar prevendo temperaturas mínimas entre 6ºC e 8ºC nos dias 30 e 31 de julho. No entanto, alguns modelos do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) indicam que as temperaturas podem cair abaixo de 5°C nos próximos três dias, com maior ameaça de geadas no Sul de Minas. 


Brasil: Previsão de temperatura mínima em Minas Gerais (ºC)

Fonte: Somar, Bloomberg

Além dos riscos representados pela geada, tempestades de granizo atingiram algumas fazendas de café da região no fim de semana. Embora o evento tenha sido localizado, afetando apenas uma pequena área, essas fazendas relataram danos causados pelas tempestades de granizo, incluindo perda de folhas e possível impacto na produção de 26/27. No entanto, como mencionado, foi um evento localizado e ainda é muito cedo para avaliar a extensão dos danos.

Nas regiões brasileiras de Conilon, onde a safra 25/26 está basicamente completa, o clima tem sido mais favorável, com algumas fazendas no Espírito Santo e na Bahia entrando no período de floração da safra 26/27. Nesse contexto, o aumento das chuvas é vital para o desenvolvimento e fixação adequados das flores.


Brasil: Risco de geada para os próximos 3 dias

Fonte: CPTEC

Os atuais riscos climáticos no Brasil, juntamente com as incertezas sobre o futuro do comércio brasileiro de café com os EUA, também mantiveram as vendas no país lentas, enquanto os produtores aguardam novas definições. Embora o governo brasileiro e outros agentes da cadeia de suprimentos, como o Cecafé e a Associação Nacional do Café (NCA) dos EUA, tenham se engajado em negociações comerciais com o governo dos EUA, ainda não foi alcançado um acordo para isentar o café de tarifas. Caso a taxa de 50% seja aprovada, ela poderia interromper o fluxo de café brasileiro para os EUA momentaneamente, e os torrefadores e exportadores americanos teriam que contar com outras origens, como Colômbia, América Central e África Oriental. 

Diferenciais de Arábica (c/lb)

Fonte: LSEG, Safras & Mercado

No entanto, não só a maior parte dessas origens está em sua entressafra, com oferta limitada no segundo semestre de 2025, mas os diferenciais também são maiores do que os brasileiros. Embora nos últimos meses os diferenciais brasileiros estiveram elevados, o grão brasileiro costuma ser mais barato do que as outras origens e, com a colheita da safra atual, os preços foram pressionados para baixo recentemente. Nesse sentido, não só os EUA podem enfrentar uma redução da oferta de café se não importarem do Brasil, mas também os preços tendem a aumentar no país, conforme mencionado em análise anterior (link).

Em uma visão mais ampla, embora alguns países, como Japão e UE, tenham chegado a acordos para diminuir as tarifas propostas atuais, as taxas ainda podem impactar a economia americana, especialmente aumentando a inflação. Portanto, a médio e longo prazo, a demanda por café pode ser afetada.

Atualização: Novas tarifas entrarão em vigor em 1º de agosto

Fonte: LSEG, Hedgepoint

Em resumo

Os preços do café subiram no início desta semana, impulsionados pela crescente preocupação com as condições climáticas no Brasil e pela incerteza em torno das novas tarifas comerciais dos EUA. O contrato do arábica para setembro ultrapassou os 300 c/lb devido a temores de geadas, principalmente na região do Sul de Minas, onde as previsões são de uma queda mais acentuada nas temperaturas. 

Enquanto as frentes frias atingem as principais áreas do arábica, as regiões produtoras de conilon brasileiro, como Espírito Santo e Bahia, estão entrando na fase de floração sob clima mais estável. As chuvas continuam sendo críticas para o desenvolvimento da safra 26/27. No entanto, como a incerteza persiste, produtores retêm as vendas. 

As negociações entre o Brasil e os Estados Unidos continuam, mas nenhum acordo foi alcançado para isentar o café de uma tarifa de importação proposta de 50%. Se implementado, isso pode paralisar as exportações e interromper as cadeias de suprimentos, especialmente devido à oferta mais limitada atualmente disponível de outros países produtores. A tarifa pode não apenas levar a preços mais altos do café, mas também contribuir para a pressão inflacionária nos EUA, possivelmente diminuindo o consumo de café no longo prazo.

Relatório Semanal — Café

Escrito por Laleska Moda

laleska.moda@hedgepointglobal.com

Revisado por Carolina França
carolina.franca@hedgepointglobal.com

www.hedgepointglobal.com

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