À medida que a colheita brasileira avança, a pressão de baixa tende a aumentar
- Os preços do café Arábica e Robusta caíram na semana passada, em meio a expectativas de aumento da oferta, à medida que avança a safra brasileira de café 26/27. O contrato futuro do Arábica para julho foi negociado abaixo dos 250 c/lb pela primeira vez desde novembro de 2024.
- Embora os preços tenham se recuperado entre quarta-feira (10) e sexta-feira (12), o movimento refletiu mais fatores técnicos e a aproximação do vencimento das opções de julho, com a tendência de médio prazo permanecendo de baixa.
- Novas estimativas para a safra 26/27 também chegaram ao mercado nos últimos dias, reforçando o cenário de uma safra recorde no Brasil e um excedente no ciclo. O USDA, por exemplo, aponta para um aumento de mais de 8 milhões de sacas em relação a 25/26, para 71,9 milhões de sacas na safra.
- Por enquanto, nossas estimativas permanecem inalteradas, com uma produção de 75,8 milhões de sacas de café no Brasil em 26/27. Novas revisões serão feitas após a colheita de um volume maior de café e a avaliação dos rendimentos de processamento.
- Embora a oferta esteja agora mais limitada em outras origens, devido ao período de entressafra, o inevitável aumento da oferta no Brasil nas próximas semanas provavelmente continuará pressionando os preços para baixo, ainda que o cenário de preços de longo prazo possa apresentar riscos adicionais decorrentes do El Niño.
À medida que a colheita brasileira avança, a pressão de baixa tende a aumentar
Os preços do café vêm caindo desde o início de 2026 devido à expectativa de uma boa safra no Brasil na temporada 26/27. No entanto, à medida que o ritmo da colheita começa a aumentar, a queda nos preços tem foi mais acentuada, especialmente para o Arábica, com o contrato de julho caindo abaixo de 250 c/lb na semana passada, atingindo níveis não vistos desde novembro de 2024. Na sexta-feira, 5 de junho, o contrato chegou a registrar a menor cotação em um ano e meio, a 243,3 c/lb.
Embora os preços tenham se recuperado entre a quarta-feira (10) e sexta-feira (12), esse movimento refletiu principalmente fatores técnicos – já que o mercado estava tecnicamente sobrevendido – com a aproximação do vencimento das opções do contrato de julho. No entanto, mesmo com a colheita em ritmo ligeiramente inferior ao dos anos anteriores, a perspectiva geral ainda é de baixa, já que o Brasil está colhendo uma safra recorde.
A colheita no país atingiu 30% nesta semana, ainda abaixo dos níveis médios de 33%, mas com uma melhora em relação às semanas anteriores. Para o Arábica, 23% da safra já foi colhida, contra uma média de cinco anos de 25%, enquanto a colheita do Conilon está em 43%, também ficando aquém de sua média de 49%. O ritmo mais lento, especialmente nas regiões de Arábica, é principalmente um reflexo das florações tardias em 2025, já que a maioria das plantações de café teve sua floração principal em meados de outubro.
Embora as chuvas desta semana possam atrasar os trabalhos e a maioria dos produtores continue a reter as vendas, o ritmo deve aumentar gradualmente nas próximas semanas, com o pico da colheita previsto para julho. Até lá, o mercado poderá observar maior disponibilidade de café brasileiro – particularmente das safras anteriores –, já que os produtores podem precisar abrir espaço para a nova safra, o que poderia aumentar a pressão de baixa sobre os preços, especialmente no contrato de setembro.

Fonte: Safras & Mercado

Fonte: Safras & Mercado
Em relação ao tamanho da safra brasileira, mantêm-se as expectativas de uma produção recorde, levando a um excedente na safra 2026/27. Não só outras casas do mercado estão atualizando seus números, como o USDA também divulgou, na semana passada, sua primeira estimativa para a produção do país, o que contribuiu para a pressão de baixa da semana passada e começo dessa semana. De acordo com o Departamento americano, a produção total no ciclo 2026/27 deve atingir 71,9 milhões de sacas de café, um aumento de 14,1% em relação ao ciclo 2025/26. A produção de arábica deve atingir 47,5 milhões de sacas, um aumento de 24% em relação a 2025/26, enquanto a produção de conilon está estimada em 24,4 milhões de sacas, uma queda de 2,4% em relação à safra anterior.
Os números são ligeiramente inferiores às estimativas da Hedgepoint: esperamos uma produção de 50,2 milhões de sacas de arábica e 25,6 milhões de sacas de conilon, com um volume total de 75,8 milhões de sacas. No entanto, é importante observar que esses números serão cuidadosamente revisados à medida que a colheita avançar, para que seja possível avaliar os rendimentos de processamento.

Fonte: USDA, Hedgepoint

Fonte: USDA, Hedgepoint
Em termos de preços, conforme mencionado anteriormente, essa safra recorde no Brasil está aumentando a pressão de baixa, já que se espera que contribua para um superávit na safra 2026/27 –particularmente sobre o contrato de setembro nos próximos meses.
Existem, no entanto, alguns riscos de médio a longo prazo que poderiam introduzir volatilidade no mercado, especialmente para o contrato de dezembro do Arábica e os contratos de novembro e janeiro do Robusta. Em primeiro lugar, a estrutura do mercado de café permanece invertida em um momento em que os custos financeiros ainda são elevados e podem aumentar ainda mais, já que vários países podem ser forçados a elevar as taxas de juros em meio à inflação persistente. Essa dinâmica tende a favorecer estoques mais baixos no destino, juntamente com estoques de carryover mais elevados na origem.
Como resultado, o mercado se torna mais sensível às flutuações de oferta e demanda, o que pode desencadear uma volatilidade de preços mais acentuada. Além disso, há riscos crescentes relacionados ao El Niño e seu impacto na produção de café. Conforme destacado em análises anteriores (link), o fenômeno poderia trazer um clima mais seco para a América Central e o Sudeste Asiático, afetando a produção de Arábica lavado em 2026/27 e a produção de Robusta nas safras de 2026/27 e 2027/28, ao mesmo tempo em que representaria um risco relativamente menor para o Brasil em 2027/28.
LN-Robusta (USD/mt), NY-Arabica e Arbitragem (c/lb) (1º Contrato)

Fonte: LSEG
Em resumo
Os preços do café vêm caindo desde o início de 2026, impulsionados pelas expectativas de uma safra brasileira robusta em 2026/27. A queda se intensificou à medida que a colheita avançava, com os preços do Arábica caindo acentuadamente – os contratos futuros para julho atingiram a menor cotação em um ano e meio, perto de 243 c/lb. As recentes recuperações foram principalmente de natureza técnica, ligadas a condições de sobrevenda e ao vencimento dos contratos, enquanto a perspectiva geral continua baixista. Apesar de um ritmo de colheita ligeiramente mais lento devido à floração tardia, o andamento está melhorando e espera-se uma safra brasileira recorde, com estimativas tanto do USDA quanto do mercado apontando para um aumento significativo na produção e um excedente em 2026/27.
Olhando para o futuro, o aumento da disponibilidade de café – especialmente à medida que os produtores liquidam estoques antes da nova safra – pode adicionar mais pressão de baixa, particularmente sobre o contrato de setembro. No entanto, riscos de médio a longo prazo podem introduzir volatilidade. A estrutura de mercado invertida, combinada com taxas de juros persistentemente altas, favorece estoques mais baixos nos destinos e maiores nos países de origem, aumentando a sensibilidade dos preços às mudanças do mercado. Além disso, a crescente probabilidade de um evento El Niño representa riscos para a produção na América Central e no Sudeste Asiático e pode aumentar a volatilidade.
Relatório Semanal — Café
Escrito por Laleska Moda
laleska.moda@hedgepointglobal.com
Revisado por Carolina França
carolina.franca@hedgepointglobal.com
www.hedgepointglobal.com
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